
Eu sou uma pessoa muito inconseqüente. Acordo todos os dias, no meio dessa puta crise internacional ( Europa indo pro brejto, Egito em chamas, agora Líbia, Marrocos, acredito que até em Mônaco o bicho tá pegando), com uma só coisa na cabeça: a Casa da Bóia, a legendária Casa da Bóia, a loja de ferragens e afins na rua Florêncio de Abreu, no velho Piratininga natal, que tem a fachada mais ornamentada de todos os tempos. Taí em cima uma fotinha de 1920 que não me deixa mentir, a Casa da Bóia é talvez o maior símbolo dos edifícios que eu tanto amo, em São Paulo, Campinas, Rio, Paris, Buenos Aires, Piracicaba, e afins.
Meu venerando amigo Luís Fernando já me disse que se eu começar a abraçar prédio velho e me jogar no meio da rua pra impedir demolições, ele não me dirige mais a palavra. Temo que o momento da ruptura dessa velha amizade esteja próximo; só consigo pensar ( sofro, além de asma e miopia, de TOC) na Casa da Bóia. Se algum dos leitores tem uma solução para pandas que só pensam na Casa da Bóia, por favor, escrevam sem demora!

2 comments:
Só posso sugerir-te cultivar a obsessão.
Não necessariamente é falta de noção preocupar-se com o micro-cotidiano em detrimento da grande História" que efervesce mundo afora. Só vira falta de noção quando ficamos exclusivamente em qualquer deles.
Precisamos de gente que, "apesar de tudo", olha para essas coisas, Wilde disse que, enquanto estamos todos deitados na sarjeta, alguns estão olhando para as estrelas. De certo modo, você está vigiando para ver se ninguém vai nos pisotear ou levantar uma abóbada opaca.
Ounnnn... fiquei tão feliz. Sem palavras!
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