Uma das tarefas que pus pra mim, nos últimos tempos, foi a leitura de O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo. Li os sete volumes, direto, sem parar e sem querer parar. No meio, li a fonte de muito daquilo tudo, o Caminho de Swann, do Proust, e estou surpresa comigo mesma, porque sempre fui impaciente o bastante para encarar romances muito extensos, e os meus gêneros favoritos foram o conto e a poesia,desde muito cedo.
Mas os Terra Cambará se tornaram meus amigos, de um jeito que me despedi, com melancolia, de Ana Terra, Bibiana, o capitão Rodrigo, Maria Valéria, o doutor Rodrigo, e os belos e tristes Floriano e Sílvia.
Recomendo a saga para todos, o Veríssimo é um cara muitas vezes injustiçado na academia ( aliás, a gente poderia fazer uma lista dos autores que são mal estudados ou simplesmente ignorados pelos doutores em Letras das universidades brasileiras) mas que soube construir um edifício incomparável em língua portuguesa. Existem passagens belíssimas, cinematográficas, plásticas, sonoras, cinestésicas, que deixam a gente sem reação, esperando o próximo passo, o próximo desdobrar.
Inevitável pensar no tempo que corre, e nas coisas que se repetem. Desde Pedro Missioneiro, o mestiço de índio que foge da destruição das Missões jesuíticas, e de Ana Terra, a moça paulista presa ao pragmatismo português mais chão, os Terra Cambará tiveram paixões e sofrimentos que se repetiram, que voltaram, e a gente fica a se perguntar o quanto a gente tem das gerações passadas e não sabe. Quanta história perdida, e o mais importante é o que não ficou dito, o que não foi realizado, o destruído, o minuto que se vai.

3 comments:
Que bom que Je Ne Regrette está de volta! Estava com saudades de te ler!
Beijos, flor! Muito obrigada pela leitura e o carinho! Seja sempre bem-vinda!
Beijos, flor! Muito obrigada pela leitura e o carinho! Seja sempre bem-vinda!
Post a Comment