E daí que aqui em casa, as coisas acabaram. Sabe quando até aquele pacote de macarrão, do mais barato, que a gente deixa em caso de hecatombe nuclear, escondido embaixo da pia, foi embora?
Bem, acabou até o papel higiênico, e mesmo eu sendo uma panda pobre, tive que encarar um mercado na minha vida.Eu notei, na última visita ao supermercado, que as coisas ficaram muito mais caras. Alguns produtos subiram 50%, e o orçamento do brasileiro vai que vai, só no sapatinho até o dia clarear. Não li nada de muito conclusivo na imprensa a respeito, mas o fato é que eu fiquei uma panda mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Peguei cinqüenta reais, que era tudo que eu dispunha, e fui pro Atacadão.
Aqui em Campinas, já faz uns anos que existem grandes atacados, três deles no final da rodovia Dom Pedro, o Makro, o Tenda e o Atacadão. A panda dona-de-casa gosta mais do Tenda, sei lá porque, e há anos faço minhas compras lá. Por mais enjoado que possa ser chegar ao local, e pegar caixas de papelão porque não existem sacolas, e enfrentar as multidões de donos de bar, cantinas, restaurantes ou, pior, chefes de famílias que precisam comprar cinco pacotes master de Salsicha Sadia, o Tenda era minha única opção para comprar pão, leite, dois produtos de limpeza, biscoito Marilan e papel higiênico, bem como pacote de macarrão pra repor o da hecatombe, com meu apertado orçamento.
Bom, queridos leitores, agora vocês vão precisar de um trilha sonora mental: a musiquinha do filme Missão Impossível. Sim, porque do jeito que a coisa está, é mais difícil fazer compra do mês do que detonar a base escondida de espiões chineses numa ilha paradisíaca, com uma loira peituda do lado e um clips de papel que na verdade é uma mini bazuca.
Agora já tá tocando a musiquinha! Entro no Tenda, com meu carrinho e vejo pilhas pro meu mp3. Não, não dá pra comprar, desvio das pilhas e vou direto nos produtos de higiene. Música é luxo! Sabonete? Palmolive, peloamor, sou pobre mas vou ficar fedida? E a musiquinha continua, eu faço as contas mentalmente e dou uma guinada com o carrinho nos produtos de limpeza. Preciso fazer faxina amanhã, acabou o produto para o piso. Como eu faço? Lambo o piso? Não, desvio de cinco donas de casa, um estoquista e um menininho chorando, e vou pros Vejas. Veja maçã verde Limpeza Pesada, um toque oitentista no seu lar ( quem lembra dos produtos de maçã verde do Boticário? Só eu?), mais uma guinada perigosa e a panda superdetetive vai pros leites. Esbarro num senhor com cara de sofrimento e um carrinho que explica sua cara de sofrimento ( o cara deve sustentar umas 40 pessoas! Quase peço pra ser adotada...) e eu e ele vivemos a emocionante missão de pagar o leitinho das crianças no preço que tá.
Corta, alguém já viu os quadros do Terça Insana? Quem não viu, procure a líder comunitária que escreveu "Como Criar seu Filho na Favela", Terça Insana, no Youtube. Veja lá, e você vai entender: difícil comer morango com chantilly, no preço que tá.
Levo um susto nas massas: até o macarrão, gente! Até o macarrão que sempre salva a vida do povo, nos traiu, nos abandonou! Lembro da Carolina de Jesus, no seu Quarto de Despejo, não leu, leia agora. Ela bonitinha viu o feijão subido, e lascou: agora tu é aristocrata, né, negão? O velho carcamano que não deixa panda nenhuma na mão, que não deixa o barraco cair, que pode ser feito de todas as formas que a culinária raçuda permite ( e são inúmeras!), até o macarrão foi pro time dos bem-nascidos.
Dureza! Por isso que eu falo, por isso que eu clamo, por isso que eu digo:a missão impossível do Tom Cruise não é nada! Quero ver pôr o cara no Tenda Atacado com a lista que eu tinha, e com o meu orçamento!!!!!!!!!!!!!!!

3 comments:
Eu, como boa ex-funcionária pública e atual subempregada (ok, por opção, digamos) passei a frequentar o supermercado DIA, que por sinal me economiza até condução, visto que a desgraça instala-se sob a minha casa. Todas as vezes que entro lá - e agora desvio um pouco o assunto - entristeço-me com a falta de educação do povo. Poxa, é porque é um supermercado popular que você enche sua cestinha de produtos do freezer e larga por aí, abandonada, quando desiste da compra? Você acha que o prejuízo vai MESMO pro bolso do megamilionário dono da rede? E as criancinhas que dariam tudo por aquele pote de sorvete de flocos cujo destino será o lixo? Ou então é porque não há supervisão, não há um segurança, que você se permite fazer isso? Mais uma do jeitinho brasileiro...
Enfim, é uma rede popularzona, às vezes tem uns "podruto" fora da validade, a fila do caixa está sempre gigante... mas tem sido uma boa opção no centrão da cidade. Afinal, supermercado num foi feito pra ser hotelzinho de luxo de pacote de feijão, certo?
Olha, Táta, eu nunca fui no DIA. Eu já fui numa bodega, ali perto do Café Regina, na Barão de Jaguara, que tudo é um real. Tudo, inclusive o pacote de pão Pullman. Não sei como os caras fazem pra tudo ficar um real, como por exemplo, um pacote com três miojo.
Pois é, o problema das redes populares ( e outro dia fui, acompanhando o Anselmo, no Extra Perto, ali no início da Senador Saraiva) é esse, o povo exagera na dose. Não sei, às vezes penso que o pessoal pensa, tô fudido, vou fuder. O que é burrice: é o velho caso de destruir orelhão, uma das coisas mais burras que existem.
Brasileiro desperdiça muito. Comida, energia, combustível, gente, patrimônio histórico, reservas biológicas, tudo. E principalmente a paciência dos outros.
Mas o mesmo ocorre no Ladrão de Açúcar, ops, mas ali os estoquistas dão um jeito de disfarçar, flor, e o Pão de Açúcar é menor.
Eu acho que não é questão de classe, e sim de nacionalidade. Ando desgostosa do Brasil. Beijossss e vamos no Atacadão comigo!
estoquistas, claro!
como eu sou ingênua...
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