Saturday, June 26, 2010

Fora-da-lei


Toda grande história de amor é um crime.


Toda vez que duas pessoas se amam, cometem um delito contra a ordem social. Ofendem a moral, os bons costumes, a tradição. Amar é andar com uma arma. Amar é assaltar um banco.


Não, senhores, amar de verdade não é obedecer as regras. Se dizem que você precisa amar alguém bonito no sentido convencional, que mora perto e que a altura regula, não ouça. Se dizem que você precisa amar alguém que seja da sua cor, da sua idade, da sua classe social, que vota no mesmo candidato que você, que torce pro mesmo time que você, que concorda com sua escalação hipotética da Seleção Brasileira, fuja, fuja enquanto é tempo, porque você não precisa amar ninguém. Amar é acidente de percurso, é você achar uma mala cheia de dinheiro no meio de uma viagem de trem pra Sibéria. Se você tiver essa sorte, lembrará de mim, e pulará com a mala do trem no meio do nada.
Eu me lembro das noites que passei cometendo esse delito; paguei com lágrimas amargas minha condenação. Mas não me arrependo, eu cometeria o mesmo crime, eu incorreria de novo na norma jurídica. E sem telefonema pra advogado.

Friday, June 25, 2010

Panda na Copa


Rufem as vuvuzelas! Está no ar Panda na Copa!
Devido à uma gripe dos infernos de Dante, acompanhei os dois primeiros jogos da Seleção Dunguística na cama, e sem nenhum jogador argentino ou italiano gatão pra me consolar. Enfim.
A primeira exibição da Seleção foi digna do reino das trevas, a segunda foi um pouco melhor. Explico: na minha modesta opinião, Dunga mexe pouco no time, e ele poderia fazê-lo, em horas infelizes, como foi o segundo tempo do jogo de hoje.
Mas é aquela coisa, se eu fosse treinadora da Seleção, não estaria na cama gripada e sim com a cabeça enfiada numa Jabulani.
Destaques para o fraco desempenho das seleções africanas ( que pena, tava torcendo pros caras, tirando a destemida Gana), pro fato da Azzurra ter azulado, dos franceses terem de novo dado cabeçada ( e sem Zidane) e do Cala boca Galvão ter virado um movimento social universal. Aliás, CALA BOCA GALVÃO! Como diz um amigo meu, a transmissão dos jogos da Copa no Inferno vem com narração do Galvão Bueno e comentários do Neto!
Acima, a prova irrefutável de que o início da iconografia da vuvuzela está no Juízo Final de Michelangelo, na Sistina!

Friday, June 18, 2010

Da última flor do Lácio

Da última flor do Lácio, inculta e bela, hoje caiu uma pétala. Vá em paz, José Saramago.

Friday, June 11, 2010

Temperança


Hoje despertei às seis e meia da manhã. Pensei em várias coisas, organizei outras, e voltei a dormir. Tive um dos sonhos mais bonitos da minha vida, um sonho de integração: meu pai me mandava ir cuidar da vida, eu ia e no final me encontrava com um homem que considero ser ótima pessoa.
Acordei com essa vontade, essa gana, de viver. Fui me cuidar, como mandava meu pai no sonho; arrumei meu cabelo, minhas unhas, me maquiei, me vesti de azul e encontrei uma amiga muito fofa. E resolvi um problema profissional grave, que durava desde 2003.
Hoje, descubro o quão importante é manter a esperança, a calma e a fé, mesmo quando tudo parece conspirar. Hoje, tenho a certeza que só consegui resolver o problema porque, durante muitos meses, me calei, sofri sozinha, pensei que não fosse resistir, mas não revidei na mesma moeda, não prejudiquei ninguém, fui fiel aos meus princípios, agi de acordo com os meus valores, sofri sim, mas não fiz ninguém sofrer. E hoje, vi o sonho se realizar. E digo pra vocês: o mais importante da vida é a esperança.


Acima, o arcano maior da Temperança. The Mythic Tarot, de Juliet Sharman-Burke e Liz Greene, concepção da artista plástica Tricia Newell ( pintura a guache). Editado no Brasil pela Editora Siciliano, 1988.

Saturday, June 05, 2010

Maus bofes

Hoje acordei num puta mau humor. Não, não estou naqueles dias. Não, não aconteceu nada de novo no meu universo particular, como canta a Marisa Monte. Sim,estou num puta mau humor,

1) com alguns dos meus alunos. Aluno às vezes cansa a paciência do professor;

2) com a campanha presidencial. O Serra me deixa de mau humor quando diz que os bolivianos são todos traficantes;

3) com a Copa chegando, porque meu vizinho já estreou a corneta dele;

4) com os diários de classe que eu preciso preencher;

5) comigo mesma, por não acreditar, por não fazer direito, por reclamar e por estar de mau humor.

Thursday, June 03, 2010

Cansaço

"O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate".

Elisa Lucinda

Tuesday, June 01, 2010

Autoridade Nacional Palestiniana


Reconhecemos o direito da existência do Estado de Israel. Sentimos solidariedade, fraternidade pelos irmãos judeus que pereceram no Holocausto, e lutaremos para que nunca mais aconteçam tamanhas atrocidades. Mas, nos termos da Resolução 181 da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, assinada em sessão datada de 29 de novembro de 1947, e nos termos dos chamados Acordos de Oslo, de 1993, reconhecemos o direito da existência do Estado Palestino. E sentimos solidariedade, fraternidade, pelos irmãos palestinos que perecem, dia após dia, neste novo genocídio.

Monday, May 31, 2010

A cura

Hoje foi um dia longo e cheio de problemas. Pra vocês terem só uma idéia, comecei o dia sem gasolina, com sono e com brigas entre meus alunos que pareciam insolúveis.
Quando tudo não só parecia perdido, como estava perdido de fato, de repente, aconteceram pequenos milagres. E, no meio de tanta dor antiga, tantos machucados e durezas, gente amiga trouxe alívio, e eu lembrei de uma música velha, boba, do Lulu Santos ( pois é, do Lulu Santos) que dizia direitinho do meu sentimento, algo muito antigo, uma alegria de saber que as coisas estão no lugar, mesmo com tanta quebradeira. E viva aquela, aquela mesma, que é a última que morre.

http://www.4shared.com/audio/3c8AvDTu/Lulu_Santos_-_A_Cura.htm

Sunday, May 30, 2010

Virgílio e Dante no prato!

Dante e Virgílio, projeto de prato. Guache em porcelana de Limoges, 49,4 cm de diâmetro. Séc. XIX. Limoges: Musée Adrien Dubouché.

Friday, May 28, 2010

Final de conversa

Nos últimos anos, acontece uma coisa curiosa comigo.

Encontro sempre gente muito querida, da velha Universidade Estadual de Campinas. E essas pessoas me contam coisas escabrosas que andam acontecendo na cidadela de Zeferino: cantinas muito boas são fechadas a troco de nada, proíbe-se todo tipo de atividade nos recintos da instituição ( inclusive estudar) e docentes fazem todo tipo de jogo sujo para colocar favoritos em concursos totalmente roubados, roubar projetos de discentes e/ou simplesmente encher a paciência de quem passa.
Em algumas unidades, a situação chega a ser tão crítica que o observador, mesmo o mais desatento, se pergunta como as pessoas fazem para limpar seus posteriores, visto que não existe nem papel higiênico nos banheiros. A crise, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, virou a normalidade, e se você fala qualquer coisa, é identificado como alguém das hostes neoliberais, que mata os pandas na China e persegue docentes do lugar.
Eu sempre renovo minha indignação, e desfio o rosário das lembranças, mágoas, desacertos, pepinos, monstros e todo tipo de desvão de comportamento e de linguagem que acomete as plagas outrora fundadas por Zeferino Vaz. Meus últimos dias não tem sido diferentes. Mas o que ocorre, agora, é que percebo a minha total impotência em relação a tudo que se passa na Universidade. Não sou docente contratada, e sim mera professora palestrante convidada, e recebo menos que o salário mínimo para ministrar um curso na graduação. Não tenho nenhum tipo de acesso às esferas decisórias da instituição. Nada sou, nada posso, nada consigo. Nunca fui chamada para nada, nos últimos anos, a não ser ministrar cursos na graduação, ganhando menos que o salário mínimo, e eventualmente contribuir com minhas pesquisas pessoais para as estatísticas da Pró-Reitoria de Pesquisa e da FAPESP.
Ou seja, percebo que virei, talvez, uma figura trágica, aquela à qual as pessoas endereçam suas queixas, graves e justificadas, mas que é apenas uma figurante indignada. Sinto-me triste por isso. Gostaria de poder efetivamente contribuir para a vitalidade daquela alma mater que me formou, tanto profissionalmente quanto pessoalmente, mas esta mesma que me formou não me dá chances de crescer, de prosseguir meus estudos, de ser alguém no sentido mais pleno. É duro demais chegar no final do salário com muito mês sobrando, é duro demais ver as coisas caírem, quebrarem, ver todo tipo de filhadaputice, e não poder fazer nada, nada, nada. Não existe nada que eu possa fazer, não adianta chorar, espernear, gritar, encher o saco dos amigos, falar um monte de bobagem na cantina, na mesa de bar, e continuar sendo a mera figurante indignada de sempre. Não é justo comigo nem com a Unicamp. Fim de papo.

Sunday, May 16, 2010

Je t'aime encore


"Six pieds sous terre, Jacques/ Tu chantes encore/Six pieds sous terre tu n'es pas mort/ Six pieds sous terre, Jacques/Tu n'es pas mort/Six pieds sous terre, Jacques/Je t'aime encore"
Jojo, Jacques Brel
Túmulo de Jacques, na Polinésia Francesa, a poucos passos do túmulo de Paul Gauguin.

Friday, May 14, 2010

A barca do tiozão



Messer Masiero acaba de me recordar, gentilmente, que hoje faria anos o tiozão mais amado pelas pandas no mundo afora. Nascido por volta de 1265, o narigudo cidadão apagaria em torno de 725 velinhas.
Essa semana, fui convidada a dissertar sobre o legado do grande vate florentino, nas plagas unicampísticas. Resolvi inovar a abordagem, e falei dos conjuntos ilustrativos dedicados à Comédia na virada do XVIII para o XIX, e o XIX: Delacroix, Ingres, Blake, Doré, Rodin, Manet, Degas, Puvis de Chavannes, dentre outros, dedicaram tempo, lápis e tintas para dar vida às paragens infernais, tão bem conhecidas dessa que vos escreve, por leitura do Dante e por experiência própria.
Essa semana, apropriadamente, meu carro, conhecido internacionalmente como Exumóvel, resolveu ir para a UTI, o que causará despesas no meu sempre combalido orçamento e já motivou uma discussão acalorada com a minha progenitora. A panda sempre se esforça para comemorar datas festivas em grande estilo!
Acima: Eugène Delacroix (1798-1863), 1822. Óleo sobre lona, 189 x 242 cm. Paris: Musée du Louvre.

Sunday, May 09, 2010

Cabeça ruim

Eu começo a considerar, cada vez mais, que minha cabeça é ruim demais.

Eu acredito no que os outros dizem pra mim, e de mim.
Eu quero tanta coisa.
Eu sonho tanta coisa.
Eu lembro tanta coisa.
Eu não aguento o tanto de desejos que eu guardo dentro de mim.
E tudo isso é tão atrapalhado, que às vezes eu queria passar o dia na cama, olhando pra parede, pra tentar ordenar, pelo menos um pouquinho, essa zona toda que não consegue ser eu.

Tuesday, May 04, 2010

Deu na Reuters III: protesto na Acrópole deixa filósofos de cabelo em pé


Hoje o velho Partenon, construído pelo grande escultor Fídias no coração da Acrópole, em 450 a.C., amanheceu assim.
As autoridades gregas não sabem como os manifestantes entraram no templo, que é fechado para os visitantes.
Já dizia José de Arimatéia que uma imagem vale mais que mil palavras. Deu na Reuters: essa foto aí deixou filósofos no mundo inteiro, particularmente nos departamentos de Filosofia nos EUA, de cabelo em pé!

Monday, May 03, 2010

Reza pra subir

Hoje eu preciso fazer uma oração. Pedir humildade, paciência, amor, paz de espírito, pra qualquer ente superior que venha a existir ou não, nessa altura do campeonato não importa.

Ando, de novo, com o pavio muito curto, curto demais. É muito difícil! Não aguento mais um monte de gente, um monte de situações, e acabo ficando de saco cheio mesmo. Pronto, eu não preciso ser simpática, eu não preciso ser popular, eu não preciso suportar. Quero algo diferente pra mim, só não sei o quê, ou como.

Wednesday, April 21, 2010

Fatos da canção

Hoje, feriadão, cabulei meus estudos. Sério. Não corrigi prova ( tenho 80 provas) e não estudei a tonelada de coisa que tenho pra estudar. Peguei mal num livro. O dia estava lindo, minha mãe me chamou pra almoçar no restaurante favorito dela, e depois little Carol e eu encaramos o Fran's Café básico.
Pra piorar o estado letárgico da pequena e sempre desmiolada panda, encontrei isso aqui:
www.songfacts.com. Pra quem é "I wanna be Nick Hornby", é lindo. Explico: é uma enciclopédia on line de significados, histórico completo e apresentação de qualquer coisa que, entre 2:50 a 4:50 minutos, fez sua cabeça, a cabeça do seu pai e a do seu avô no rádio, MTV, vinil, CD, fita cassete, I-pod ou estéreo tijolão da Gradiente nas últimas décadas que Deus pôs no mundo.
Então, fui atrás de pérolas como "Video killed the radio star", do Buggles ( quer saber o que é? procura lá, mizinfio). O negócio, como diria meu avô, é um azougue: se você sempre quis saber o significado profundo de "She Bop", da Cyndi Lauper, mas nunca teve pra quem perguntar, seus problemas acabaram. E, sim, bop é algo relacionado às atividades de reprodução da espécie, só pra constar nos autos!

Monday, April 19, 2010

Tuesday, April 13, 2010

Pas de nouvelles, bonne nouvelles

Estou naquelas fases em que está tudo meio parado. Explico: depois de anos de sofrimentos dignos do Inferno do tiozão renascentista, minha vida aos poucos apresenta um aspecto normal, digo, normal dentro dos termos pandísticos de levar a vida.
Isso às vezes me dá uma certa frustração: queria estar com novidades incríveis, de quem acabou de ter um filho, ou foi viajar, ou publicou um livro pela Harvard Press. Não, caros leitores: nada disso ocorreu com a velha e asmática panda, que continua com seu jeito melancólico e com seu hábito de sofrer. Pelo menos, agora, tem umas horas que eu sinto que, lentamente, as esferas começam a se mover. O caso mais notável dos últimos tempos foi que eu fiquei no rádio fofoca com a Pri, plena Livraria do IFCH, e ela pintando de preto uma arara que achou no lixo, e eu perdi uma camisa branca, que virou de petit pois pretos. Também, num raro momento de fúria dantesca, bati meu carro no estacionamento do shopping, o que não ocasionou nada nem pro meu carro, nem pro da pessoa que eu bati, nem pra ninguém, graças ao bom Deus que está nos céus e que é Pai, e não Padrasto.
Minha nova mania é ler o Casa-Grande & Senzala, do Gilberto Freyre. Decidi que ia fazer um Programa Esclarecimento da Panda 2010, e que ia ler inteiro livros que li trechos na graduação, na pós ou por aí, nas quebradas da vida. Devo dizer que já surta resultados o Programa Esclarecimento da Panda, porque eu aos poucos tô me sentindo um pouco mais esperta. Nesse Programa, também pus como meta a leitura de vários jornais, e o que espanta é que, provando que eu tô mais esperta, eu tô achando todos os jornais iguais demais.
Ou seja. Pas de nouvelles, bonne nouvelles.

Saturday, April 03, 2010

Comidas retrô

Hoje eu tava expondo minha figura no shopping Dom Pedro, comprando maquiagem com a Carol, quando de repente vejo numa barraquinha de produtos japoneses uma caixa cheia de... Dip n'Lik! Sim, aquele pirulito que vem num saquinho, com açúcar colorido, que foi febre nos sempre relembrados anos 80.

Fazia uns vinte anos que eu não comprava essa porcaria. Antes, o Vitão achou um Dip n'Lik de uva pro Mário, que saboreou a iguaria na nossa frente em estado de êxtase puro. Agora sou eu que escrevo essas mal ajambradas linhas com um Dip n'Lik de laranja do lado. Uma coisa continua igual: o açuquinha sempre termina antes do pirulito.
Outro dia, comprei um Dan Top. Quem se lembra? O Dan Top é o nome artístico pra aquele marshmallow coberto com chocolate, que na Kopenhagen se chama Dona Benta e na Ki-Pão, padaria do lado da minha casa, atende por teta de nega ( o que o caro leitor prefere: Dan Top, Dona Benta ou teta de nega?). Minha mãe sempre punha nossos Dan Tops na geladeira.
Penso que Dip n'Lik e Dan Top são as madeleines de muita criatura por aí. As balas Juquinha, ainda existem? Eu sempre que como os salgadinhos de queijo da Piraquê, lembro do dia que levei um saquinho de merenda na escola, fui abrir e todos os salgadinhos foram pro chão, o que trouxe um sofrimento horrível, porque eu tinha ganho o pacote de presente da minha mãe. Até hoje, não gosto de perder, quebrar ou dar um fim ao que a minha mãe me dá, e salgadinho Piraquê foi algo que herdei dela diretamente.
Outra coisa que procurei no supermercado, mas acho que não existe mais: os recheados quadrados da Tostines, de morango e de limão, quem se lembra? Acho que deixaram de existir. Outro que não existe mais é Chandelle de doce de leite, meu favorito. Outro dia no supermercado só tinha Danone de doce de leite, edição especial, que não fazem mais, não sei porque, deve ser porque só eu gosto, e compro de vinte em vinte anos.

Friday, March 26, 2010

Deu na Reuters II: embaixadora dinamarquesa vai nua para a China

A famosa dinamarquesa da foto foi escolhida para representar seu país na Exposição Mundial em Xangai. Sua nudez já causou polêmica: em 2003, foi coberta com um chador por turcos revoltados com a exposição de sua figura.


http://entretenimento.br.msn.com/reuters-artigo.aspx?cp-documentid=23735947

Resta saber se os chineses aceitarão tão nua personagem nas paragens do porto de Xangai!