Sunday, August 30, 2009

Problemas metodológicos

Hoje sonhei que assava um frango (???). Eu tinha diante de mim um frango, e o primeiro problema era cortar os pedaços porque o bicho estava inteiro. Depois de cortar, eu tinha o segundo problema, como temperar, e eu fiquei muito tempo no sonho decidindo: laranja, alecrim, uma pimenta, mas qual pimenta, e talvez tomate? Não, pedacinhos de tomate com laranja, ácido demais, tenho que por algo básico, sei lá, um pouco de cerveja?
Acordei e fiquei pensando longamente nos problemas. Tomate, poderia ser o que o povo vende como tomate italiano aqui no Brasil, um dos tipos de pomodori que vem em lata e não são ácidos. O frango, sei lá, meu pai comprava frango numa granja em Jundiaí, que você chegava, falava o peso e o cara enfiava a pobre ave num tonel de água fervente pra depenar, mas de fato o gosto era muito melhor que esse frango gordo que a gente compra hoje congelado. Sem falar nas questões de saúde pública e a eterna questão da crueldade com os animais, fica muito difícil hoje aceitar o que minha avó materna fazia: ela comprava a galinha viva e sim, senhores, degolava a pobre pra fazer molho pardo. No quintal mesmo.
Depois fiquei pensando que minha avó, e meu pai, não teriam problemas metodológicos na hora de escolher os acompanhamentos do frango assado dominical: ou era macarronada e maionese ou era arroz, uma salada verde e as batatas e cebolas que orgulhosamente acompanhavam o frango na assadeira.
Mas o macarrão, meu pai arrumava um fresco, às vezes no Pastifício Selmi, e depois eu meditei longamente sobre o fato de que eu não sei se as coisas do Selmi andam boas e hoje em dia o povo cobra 15 reais o pacote de fettucini fresco, eu vi isso ontem mesmo numa padaria do Cambuí. Eu teria coragem de enfarinhar uma mesa e tentar fazer um fettucini? Pois é, caros senhores, até pra fazer frango assado no domingo a panda se enrola.

Sunday, August 23, 2009

Protesto

Hoje fui atrás, como sempre, das coisas do Um que Tenha, administrado pelo nosso boníssimo santo Fulano Sicrano, quando descobri que o blog foi retirado do ar por conta de questões direitos autorais blá blá blá. Vida longa e brinde triplo ao Fulano!
Aqui fica meu protesto contra a política direitos autorais blá blá blá. Quando tiver tempo eu caço e posto aqui a entrevista do Bono, na Rolling Stones, explicando que músico não ganha dinheiro com CD e que a política dos direitos autorais blá blá blá é puro blá blá blá.

Tuesday, August 18, 2009

Menu du jour

E se tem dias que o almoço nosso é um martírio ( o que fazer? Tem os dias da revolta, do omelete, do miojo e da falta de fome), outros me fazem pensar que fui, em outra encadernação, dona de bistrô dos mais fuleiros. Será reminiscência do meu bisavô, cozinheiro flamengo?
Pois hoje orgulhosamente temos arroz, feijão, carne moída ( músculo passado na máquina duas vezes) com batatas e cheiro verde e salada de rúcula com maçã. E tenho dito.

Friday, August 14, 2009

Teologia e Pintura


Nos últimos tempos, enchi a cabeça dos meus alunos com algumas reflexões sobre Arte Cristã. Chamei o módulo atual de Narrativas Cristãs, pra não chamar de Mitologia Cristã , por medo do castigo divino. Tem sido bastante interessante, até porque por outros motivos comecei a estudar os Triunfos de São Tomás de Aquino e daí comecei a ler sobre a Santíssima Trindade, a virgindade de Maria e outros temas santos ( quem sabe a pequena panda se salva, ou se lasca, de vez).
Nisso, caí no Lutero e me empolguei com os agostinianos contra os tomistas na virada do Quattrocento pro Cinquecento. Até porque, ao que tudo indica, o tiozinho barrilzinho, vulgo Sandro Botticelli, se enfiou nessas paradas. Me faltam as forças intelectuais necessárias pra enfrentar tais paragens, mas acho interessantíssimo a idéia de que um pintor possa, numa imagem, ir mais longe do que padres, monges, hereges e profetas.
Aí em cima, um pedaço do afresco Três Tentações de Cristo do tiozinho, na Sistina. Vejam que beleza, até os diabos dele são lindos ( olha o castigo divino aí, gente).

Thursday, August 06, 2009

Arquitetura Campineira


Acho que já falei aqui, em algum lugar, de um dos meus hobbies: tirar fotos de fachadas do final do século XIX e início do XX em Campinas. Aqui perto da minha casa tem vários desses sobrados antigos, com fachadas com ornamentos: guirlandas, leões, cavalos marinhos, animais fantásticos, rostos animavam o traçado retilíneo e uniforme da cidade sede da expansão cafeeira.
Começou assim: fui prestar um concurso no IEB, na USP, e precisava montar um ponto sobre Ecletismo no Brasil. Fuça daqui, fuça de lá, resolvi que não ia falar sobre o trivial, Victor Dubugras, Ramos de Azevedo em SP, Teatro Municipal do Rio, enfim, eu, indo e voltando do meu caminho das aulas de francês, resolvi que ia falar sobre Campinas mesmo. Comecei a andar sistematicamente com a máquina na mochilinha vermelha e comecei a me apaixonar, cada vez mais, por detalhes. Hoje, fui buscar umas coisas na casa da minha mãe, e de repente bum! Vejo um gradil de ferro todo em forma de cavalos marinhos fantásticos. Nessas horas me arrependo de estar sem máquina...
Apresentei tais esforços em outra seleção, malograda, na Pucc. Enfim, bola pra frente, tudo isso me levou à Catedral e, no dia de hoje, consegui alinhavar um artigo e algumas coisas a respeito.
Existem, no meio acadêmico, certos consensos sobre não só como as pessoas devem estudar, mas também as coisas que eles devem estudar. Sempre achei tudo isso grande besteira. Evidente que o trabalho acadêmico tem especificidades e eu não quero que ninguém apresente, como tese de doutorado, uma foto pelado com o cabelo verde. Existem linhas de raciocínio, argumentos, trechos, citações. Agora, também observo uma grande caretice na hora do pessoal montar aulas, cursos e projetos. O patrimônio arquitetônico se ressente disso: você não estudar aqueles edifícios é sinônimo dos mesmos ficarem caindo as pedaços, como é o caso do belo Palácio da Mogiana aí em cima. Sede da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro até a década de 60, depois Museu e depois Secretaria Regional de Cultura, hoje o Palácio é nada, perdido no meio do corredor de ônibus da Campos Salles, pichado, quebrado, exemplo máximo de que é preciso a gente urgentemente rever algumas coisas.

Tuesday, August 04, 2009

Bolo de fubá da Gui

Hoje, Gui, minha anjinho-ajudante, resolveu me ensinar a fazer bolo de fubá.

Havia comentado, há duas semanas atrás, minha total incapacidade na hora de fazer bolos. Gui resolveu me ajudar, conforme narrei no post sobre meu forno, Malebolge. Ela me passou sua receita, infalível, de bolo de fubá rápido de liquidificador, aquela receita que ela faz quando chega uma visita daquelas do nada:
BOLO DE FUBÁ DA GUI ( como ela, rápida, prática, eficiente e ninja)
3 ovos
1 copo ( copo de requeijão) e meio de açúcar
1 pouco menos de um copo de óleo
1 copo de leite
1 copo cheio de fubá mimoso
1 copo cheio de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento
Pré-aquecer o forno na temperatura máxima ( no caso de Malebolge, 295). Untar uma assadeira grande de pudim. Bater no liquidificador os ovos, o açúcar, o óleo, o leite, o fubá, a farinha, bater bem. Pôr por último o fermento, e dar umas três ou quatro batidas rápidas. Por pra assar no centro do fogão, forno alto o tempo todo. Voilà! Passar aquele café preto. E bater papo.

Wednesday, July 29, 2009

Lembrete

"O resultado da crise, no que me diz respeito, foi desilusão acerca de muitos colegas e um considerável cinismo acerca da política universitária. Depois da crise, realizei pouco pela Faculdade, tanto externa como internamente, porque fiquei profundamente desestimulado pelo jogo político sujo de que fui testemunha e vítima, e que me convenceu de que, até mesmo dentro da Faculdade, havia pessoas dispostas a promover, por baixo do pano, sua agenda política, e mesmo político-partidária, às custas da vontade expressa da maioria absoluta da comunidade da UNICAMP, em geral, e da Faculdade de Educação, em particular. A crise me fez perder a ingenuidade política, que me levava a crer que as pessoas, dentro da Universidade, estavam primariamente interessadas em preservar a integridade da Universidade contra ingerências externas, viessem de onde viessem, mostrando-me que muitos colegas, na Universidade, se opuseram à intervenção, não porque ela era intervenção, mas porque os interventores não portavam as mesmas cores e bandeiras políticas, e que estariam plenamente dispostos a conviver com a intervenção, desde que os interventores iniciais fossem trocados por interventores politicamente corretos, como o economista Carlos Lessa".
Testemunho do prof. Dr. Eduardo Chaves, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, quando da intervenção decretada pelo então reitor Plínio de Moraes em 1981. O reitor exonerou os diretores das Faculdades e nomeou interventores, que não conseguiram assumir seus cargos. Porém, no IFCH, o grupo dos economistas sugeriu o nome do economista Carlos Lessa, para substituir o exonerado sociólogo André Vilallobos.
Eduardo Chaves, em seu site, afirma que a "solução Lessa" foi aventada na Faculdade de Educação. Chaves foi o primeiro diretor exonerado a procurar a Justiça, e outros seguiram seu exemplo.
A crise da Unicamp de 1981 encerrou-se com a eleição, para a Reitoria, do médico José Aristodemo Pinotti, recentemente falecido. Pinotti era o 11o. nome da lista de nomes escolhidos pela comunidade universitária. Eustáquio Gomes, jornalista que trabalha na Reitoria, e que escreveu O Mandarim, biografia de Zeferino Vaz, fundador da Unicamp, para o 40o. aniversário da cidadela unicampítica, fala que o tal grupo dos economistas resolveu o nome de Pinotti numa mesa do Giovanetti, bar mítico aqui de Campinas.
Essas linhas precisam ficar como um lembrete pra mim, pequena panda que aventa carreira universitária.

Saturday, July 25, 2009

Carregar aquele peso

Enquanto eu escrevia a tese, ouvi muito Abbey Road. Acho que estou perdida no meio dos Concertos de Bradenburgo e no final do Abbey Road: de "She came in though bathroom window" a "The End", vocês podem me encontrar, perdida, no momento que vocês quiserem.
Acho que escrevi aqui, uma coisa linda que foi, eu dormi com a janela aberta, tarde da noite, depois de lutar com o tiozão narigudo, e acordar com "Here comes the sun"na cabeça. E assim vai.
Li não sei onde ( também não lembro direito) que Abbey Road foi gravado na intenção de ser o último, ou foi gravado depois do Let it be, não sei. De fato, o final tão rápido do disco me parece uma colcha de retalhos necessária: eles estavam se separando, resolveram nos 45 do segundo tempo não brigar, juntar todas as quase infinitas direções e pela última vez, no sentido físico, serem os Beatles. No final, dão aquela coisa que faz com que você tenha vontade de ouvir tudo de novo, de novo, de novo, de novo, de novo. E carregar aquele peso todo no peito.

Wednesday, July 22, 2009

Lindo balão azul

Mais um dia dureza.

Hoje aconteceu uma coisa. Eu fui falar com um dos professores mais queridos que tive, no IFCH. Ele deve ser uma das pessoas mais legais do mundo. Um cara muito sério, ético, bom professor, bom marido, bom pai, bom profissional. Um cara legal, enfim. Eu estava mal, um pote até aqui de mágoa, e chorei, chorei, chorei. Eu fiz uma pergunta pra ele: o mundo acadêmico é isso? E ele, com a doçura que só um mestre pode ter, me disse que eu tava generalizando, uma situação absurda, pessoas idiotas e filhas da puta, e achando que tanta gente séria, que segura o rojão por aí, seria igual a isso.
E eu lembrei de uma coisa, de uma das minhas músicas favoritas da minha infância. Um passeio de balão pra todo mundo!

Tuesday, July 21, 2009

Pronto, falei

Hoje encontrei com um casal de amigos e tomei café a tarde toda, antes de ir dar aula. Hoje me dei conta que encontrei gente muito legal, que me faz me curar de vários processos kármicos dos últimos anos. Os piores, infelizmente, foram profissionais.
Pois eu era uma jovem sempre intrépida a resolver problemas teóricos e práticos. Vocês podem não acreditar, mas é verdade, teve um momento da minha vida que eu era uma pessoa disciplinada, que passava manhãs e tardes na biblioteca do velho IFCH a ler Weber, Parsons, Durkheim, Adorno, Marx e de quebra ainda encontrava manuscritos do Gonzaga Duque perdidos nos arquivos do Rio e de Campinas.
Eu tinha uma formação sólida, dois mestrados e o Programa de Formação do Cebrap nas costas, quando resolvi amarrar meu burro, como diria meu avô, no poste errado. Passei alguns anos num lugar onde aluno, funcionário, professor não era respeitado, onde a picaretagem era normal e o mínimo de seriedade acadêmica não existia. Mais não posso falar: não quero um processo nas minhas costas. Vi coisas muito, muito, muito sérias acontecerem. Pior, cada vez que eu sei de outras, que vão se ajuntando a um poço de infâmias e disparates. Queria poder desabafar por inteiro: estou cansada de passar dor no fígado de tanta raiva e revolta. Fazer o quê, a gente vive numa sociedade minimamente democrática, e pelo menos eu posso escrever aqui algo. Algo muito tênue, mas algo.
Quando penso que o dinheiro do contribuinte é tratado desse jeito, me pergunto qual é a diferença entre isso que eu via e as tramóias do Sarney no Senado. Nenhuma. Não, nenhuma. Edital engavetado, curso de marmelada, isso pra mim é a mesma coisa que ato secreto e namorado de neta empregado. Pronto, falei.

Thursday, July 16, 2009

Esperança

Hoje foi um dia muito triste pra mim, mas quando eu achei que não tinha mais salvação, eis que a Dani no meu celular anunciou que brilha uma nova estrela: Henrique nasceu! Vivas pra ele!

E que ele tenha saúde, força, amor, paz, muita alegria, disposição pra enfrentar esse mundão.. e que ele sempre possa contar com a tia panda...

Tuesday, July 14, 2009

O papel do forno na vida da mulher moderna

Eu ainda vou escrever um livro sobre as minhas relações com o meu forno a gás. Sério.

Sei que a panda agora vai chocar opiniões, mas eu não tenho forno de microondas. Sim. Sim! Eu sou uma pessoa que nunca teve forno de microondas. Durante um breve período, na casa da minha mãe, tivemos um imenso Brastemp, que meu pai comprou num surto de empolgação, e que as pessoas só utilizavam para fazer a temível pipoca de microondas. Outro dia, almoçando com a minha progenitora, notei que ela deu um fim definitivo ao elefante branco culinário. Enfim, deve ser de família então a minha desconfiança aos fornos de microondas.
Segundo lendas urbanas, o forno de microondas é capaz de assar bolos, pudins e até pernis. Não acredito, nunca vi nenhum destes artefatos proporcionarem tais milagres na cozinha. A panda é cética quanto a essas narrativas. Mas eu amo meu forno a gás de paixão. Na verdade, Malebolge, meu forno ( que é batizado de acordo com o setor mais bacana do Inferno do tiozão) já fez milagres espetaculares, e me acompanha na luta diária pela sobrevivência. É engraçado, não tenho a mesma relação de intimidade com minha geladeira, pra mim mero depósito de coisas e que é capaz apenas de fazer gelatinas. Mas Malebolge não, de manhã cedo ele já faz meu café, meu leite quente, meu pão na chapa e meu mingau de aveia, com o auxílio de minhas panelinhas já gastas. No almoço, Malebolge faz omeletes, arroz sempre soltinho, feijão, couve refogada... à tarde Malebolge começa a esquentar minha chaleira, e já assou sequilhos, bem como no jantar oferece sopinhas de legumes, de feijão e brigadeiros de madrugadas afora.
Mas eu tenho um problema com Malebolge: os bolos. Meus bolos são uma catástrofe, tirando um de fubá cremoso que inclusive ornou o Meio do Caminho, tempos atrás. Assim como não tenho microondas, também não possuo uma batedeira, de modo que muitas receitas ficam fora do alcance de minhas patinhas gulosas. Mas premida por necessidades afetivas, que todos nós temos, de vez em quando eu sentia vontade do cheiro de um bolinho de laranja dentro de casa, e, devo confessar, sucumbia à tentação de comprar um bolo de caixinha ( SIM, SIM! Mea culpa, mea maxima culpa). Mas não! Nem isso! O bolo saía solado, péssimo, sem sabor, digno do lixo na primeira fatia.
Hoje, a anjinho Guiomar, que de vez em quando vem me dar uma força na arrumação da sempre caótica toca da panda, e eu decidimos que teríamos torta de liquidificador de sardinha para o almoço, já que uma panela fumegante de feijão estava à nossa disposição. Fiz seguindo a receita do Meio do Caminho (vejam o primeiro post de fevereiro) e estava às voltas com os botões de Malebolge, quando Guiomar sensatamente observou que eu punha o forno baixo demais. Pronto! Posto o forno quente, a tortinha saiu digna das mais altas considerações filosóficas! Por isso, meus caros, agora nada segura a panda boleira! Como pude não entender o desejo de Malebolge de arder na sua potência máxima?

Sunday, July 12, 2009

He's back!


Posto mais um retrato do velho tiozão... hoje retomei meus parcos estudos da obra do homi, e de suas implicações nos círculos de letrados e artistas da minha Pisa lindinha.
Este é o de um tal Juste de Gand, ativo entre 1460 e 80, óleo sobre madeira, 110 x 64 cm, Louvre.

Thursday, July 02, 2009

O menino de Gary, Indiana

Soube da morte de Michael Jackson no cinema. Ouvi umas meninas atrás de mim falando que o Rei do Pop tinha morrido. Achei que fosse piada, infelizmente nos últimos anos tudo que a mídia veiculava eram as bizarrices, os escândalos, a falência. Mas não, o garoto de Indiana foi, mesmo, pra eternidade. A Pati escreveu um post excelente sobre o Michael no Kind, não vou ficar chovendo no molhado, acredito que ela pegou bem o espírito da coisa, pelo menos pra mim.
Pra todo mundo da minha idade, Thriller foi um divisor de águas, um marco mais que histórico, a potência da música em si. Lembro que meu primo tinha o disco, que a gente ouvia sem parar, e a popularidade do rapaz negro era impressionante. A gente esperava os clipes passarem no Fantástico com ansiedade redobrada; tentávamos desesperadamente fazer o moonwalk e todos os passos. Depois, meu pai comprou pra gente todos os CDs, inclusive o Off the Wall, anterior às tentativas desesperadas de coreografias da panda no tapete da sala. Nem passava pela minha cabeça que o riff da guitarra era do Van Halen, que o produtor era o Quincy Jones, que o diretor do video do Bad era o Scorcese, a gente só via que o cara era bom, e ponto.
Quando estive nos EUA, pegava o trem de Chicago pra South Bend, em Indiana, e passava por Gary. Um subúrbio pobre, com uma enorme placa: a terra natal dos Jacksons. Ficava imaginando a odisséia do garoto fofo que todo mundo amava, e que virou uma caricatura de si mesmo. A vida ficou maior que a música, e isso é triste, porque o cara, repito, era bom e ponto. Quando ouço Billie Jean, ou Black or White ( que é a minha favorita, talvez) penso no quanto a indústria cultural, e a vida, são cruéis com os talentosos. E nem importa se você é preto ou branco.

Monday, June 29, 2009

Ao meu pai


Hoje seria aniversário do meu pai.


Dia de São Pedro, era dia do seu Pedro. Saudades, muitas. Se vocês me permitem, deixo aqui um presente pra ele, que gostava tanto de seus aniversários...
Camille Monet e seu filho Jean. Claude Monet, 1875. Óleo sobre tela, 100x81cm. Washington: National Gallery. Um dos últimos retratos que Monet fez da primeira esposa, que faleceria um pouco depois. Depois da morte de Camille, Monet não fez mais retratos.

Thursday, June 18, 2009

A ilha bonita

Cansada do cinza, do frio, das obrigações e dos sapatos pretos, resolvo sair por aí, depois de me enrolar no edredom e ligar o abajur.

E de repente me vejo com você lá, onde sempre quis estar: naquela praia paradisíaca de algum lugar dos mares do Caribe, lugares tão bonitos que, para Cristóvão Colombo, eram a prova cabal de que o Paraíso Terrrestre, da descrição do Dante, existia mesmo. Faz aquele calor gostoso dos sonhos; tudo é colorido, tudo traz a brisa do mar.
Beira de piscina, margaritas, o dia inteiro pra vadiar. As pessoas falam espanhol, inglês, todas as línguas, e de repente não é mais Caribe, são as velhas Canárias, é Açores, Madagascar, Fernando de Noronha, Taiti, Fiji, Guarujá, pode ser o que for, que eu estou lá com você, na ilha dos meus desejos, onde todas as aspirações cessaram de existir; se tornaram a mais concreta realidade.
E ao invés da austeridade da camisa, dos brincos pequenos de rubis falsos, um bíquini lilás, havaianas e sol. E ao invés do frio campineiro, do chá chinês medicinal, furar ondas e contar estrelas, no céu e na areia, uma saída de banho colorida, o vento nas palmeiras.
De repente acordo, e estou de novo enrolada no edredom, pra não ter dor no ciático. E tocou La Isla Bonita da Madonna no meu i-pod, revivendo a utopia antiga.

Friday, June 12, 2009

História Universal da Infâmia

Nesse feriado frio e eu gripada, só me restou ficar no casulinho quente do meu edredom e cobertor favoritos e mergulhar no primeiro volume das Obras Completas do Borges, além de tomar mais chá do que o habitual.
Um dos livros que eu mais gosto do Borges é o História da Infâmia. Realmente, ao ver as declarações da reitora da USP, a dra. Suely Vilela, pensei no quanto as pessoas se esforçam para entrar pra tal História com garbo e decisão. Incrível a falta de caráter, de vergonha na cara, do mínimo de lucidez de certos personagens. Tem gente que é tão infame... eu acho que a pessoa se esforça mesmo. Quer ser infame. Quer entrar pros anais com alguma façanha bem escrotinha.
Lembro agora de vários personagens que vou me abster de citar, até para não dar a essas pessoas o apanágio da glória. A estes personagens só nos resta uma saída: o silêncio e ignorar, mesmo. Silêncio aos infames, ora pois.

Wednesday, June 10, 2009

Universitas


Os últimos dias têm sido pavorosos, na USP. Eu cheguei a presenciar os carros de som do sindicato na ronda do campus, vi os meninos sem o bandeijão e vi várias das unidades, incluindo a FFLCH, funcionando normalmente, num clima de descrédito geral e desmobilização, mais profundo ainda que o de 2007.
Podemos discutir as razões de parte de funcionários, alunos e professores entrarem em greve; podemos discordar destas, e até nos enfastiar de certos discursos esquerdistas, e não nos sentirmos representados pelos movimentos. Agora, ontem, a tropa de choque da PM se confrontou com os manifestantes; na mídia, se diz que não se pode saber quem começou as agressões. Agora, evidente que os alunos, funcionários e professores nada podem contra bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo, cacetetes e outros artefatos da violência estatal. Por mais que se possa fazer críticas a qualquer coisa, a violência física é algo inadmissível.
Como professora universitária, lamento que a minha colega, profa. Dra. Suely Vilela, a reitora da USP, "lamente" apenas o ocorrido (http://www4.usp.br/index.php/institucional/16825-reitoria-lanca-comunicado-lamentando-confrontos) . Eu, se fosse a cara colega profa. Dra. Suely, não lamentaria nada; tomaria providências sensatas para que o diálogo fosse reiniciado na universidade, e, sensatamente, ao constatar o fracasso total, irrestrito e absoluto de minha atuação no cargo, abriria mão deste de imediato. Porque a cara colega profa. Dra. Suely Vilela entrou para a história da Universidade de São Paulo como a pior ocupante do posto.

Friday, June 05, 2009

Batmacumba

E agora que eu perdi toda a minha coleção de mp3s, incluindo meus CDs do Wando, Rosana e Agnaldo Timóteo, pergunto a vocês: o que fazer, meu Deus? Hoje comecei timidamente a ir no 4shared caçar alguma coisa, sem o meu mau gosto musical eu não vivo.
De repente, me bateu uma saudade de I won't let you down, do PHD, uma dupla inglesa, vocês lembram da "Aaaaa, eu vou ler jornal, vou ler jornaaaal"? Pois é. Recomecemos a construir a coisa mp3, de algum lugar, please.

Wednesday, June 03, 2009

Solidariedade

E aqui presto minha solidariedade às famílias das vítimas do vôo da Air France, que desapareceu de domingo pra segunda. A cada segundo a espera se torna mais trágica, e, se forem confirmados os óbitos dos tripulantes e passageiros, que descansem em paz.