Monday, April 20, 2009
Pecado capital
Um pecado capital em que incorro muito é a gula, como todos sabem. Mas outro em que a pequena panda se tornou especialista é a preguiça.
Tem gente que me dá preguiça. Quando eu vejo certas criaturas, concordo com tudo que elas dizem, ou faço cara de paisagem, ou pior, desisto de lutar, de argumentar, de querer resolver. Pronto, falei, pra mim gente burra dá preguiça. Gente arrogante. Gente indecente. Gente nó cega. Esse tipo de gente me dá uma preguiça enorme. Isso é horrível: além de incorrer no pecado da preguiça, ainda de quebra levo , no meu caminho pro inferno, um pouco do pecado da ira ( o pior tipo de ira é essa fria aí) e da soberba ( a pessoa pra mim é burra e pronto).
Encontrei por acaso uma colega querida, e tomamos um suco gostoso num final de tarde muito bonito. O que ocorre é que essa colega, pessoa muito competente, séria e responsável, foi vítima durante muitos anos de assédio moral e teve sua reputação, e seu trabalho, desonrados duma forma que, vejo hoje, panda mais madura e escolada, vil. Outra colega, igualmente querida, me chamou prum lance bacanérrimo de trabalho (aliás, nunca trabalhei tanto, e em coisas tão legais, como nessa fase boa de agora), e a história com ela foi a mesma. Detalhe: a mesma turma do mal, mesmas situações, mesmo tudo. E outra colega querida, outro café, mesma história. Ou seja. Percebi a preguiça que eu tinha até de ter raiva desse povo escroto. Resolvi parar de incorrer na preguiça e não tive medo de cair na ira, porque ter raiva desse tipo de gente não é pecado, é obrigação.
Pessoas do mal, podem se sentir ofendidas. Hoje a tia panda manda um vai se foder pra vocês!
Sunday, April 12, 2009
Por que...
Por que hoje eu tenho esperança. Por que eu hoje tenho um sorriso. Por que hoje eu tenho flores amarelas na minha jarra azul de vidro. Por que eu hoje lembro de você, que passou e não voltou, mas passou. Por que hoje é domingo de Páscoa.
Wednesday, April 08, 2009
A chaleira e a rosa amarela
Hoje saí mais cedo da Unicamp e fui procurar uns remédios que preciso tomar. Rodei pelas farmácias do Centro de Convivência e depois passei no Pão de Açúcar. Eu quase nunca vou no Ladrão, ops, Pão de Açúcar, por motivos óbvios: até pra respirar dentro desse supermercado o pessoal cobra. Mas como todos sabem alguns produtos mais refinados só tem lá. Entrei e estavam numa promoção de maços de rosas, todos muito bonitos.
Eu também nunca compro flores pra mim. Sou a própria garota das flores: vivo carregando violetas, margaridas, rosas e lírios pros outros, mas nunca lembro de mandar flores pra mim. Hoje eu não tinha nenhum motivo especial para comemorar, a não ser um suado dinheirinho sobrando no bolso e uma alegria meio sem graça no coração. Fiquei namorando as outras flores, mas as rosas estavam bonitas demais. Acabei agarrando um buquezinho de rosas amarelinhas, amarelinhas como gema de ovo.
Um pão, um queijo minas e uma caixinha de chá Earl Grey. Sim, caros senhores, a panda para seu próprio azar é uma criatura aristocrática: no melhor estilo aristocrata arruinada, eu compro chá inglês. Mais umas coisas e rumo pra casa, ruminando o fato de que minha chaleira antiga, de tantos Earls Greys, camomilas e cidreiras, ficou imprestável e tomou o caminho do lixo. E eu esquentando água na panelinha.
Resolvi num impulso comprar uma chaleira nova. Sei que era um esbanjamento: o Earl Grey, o queijo, as rosas mas eu não quis nem saber. Entrei numa loja que tem tudo de casa aqui perto, a Santarelli, e achei uma chaleira nova.
Então, hoje tenho rosas amarelas na sala, Earl Grey na caneca e uma chaleira nova. O surto de felicidade sem motivo aparente continua.
Monday, April 06, 2009
Feliz, feliz
Apesar de tudo, de todas as dificuldades, de todos os desacertos, desvãos, pirações, eu queria dizer uma coisa pra vocês. Eu, hoje, estou muito feliz. E a Páscoa está aí, brilhante.
"May the good Lord be with you/Down every road you roam/ And may sunshine and happiness/ Surround you when you're far from home/ And may you grow to be proud/ Dignified and true/ And do unto others/ As you'd have done to you/ Be courageous and be brave/ And in my heart you'll always stay/ Forever young"
Forever Young, Rod Stewart
Friday, April 03, 2009
Gente humilde
Hoje uma pessoa me disse que sou humilde demais.
Isso me fez lembrar um trecho de uma das biografias de São Francisco de Assis; diz que o santo escolheu um cara muito, muito humilde pra ser o favorito de seus companheiros, acho que o nome do humilde era irmão João. Mas segundo a biografia, São Francisco cuidava para que a humildade de João não fosse demasiada, porque senão essa grande virtude se tornaria um vício incontrolável, uma marca de distinção muito pronunciada.
Acho essa historinha o maior barato. De fato, parece que a humildade em demasia ofende mais certos indivíduos que a arrogância e a prepotência, e causa mais problemas do que estas. Imagina entre os primeiros irmãos franciscanos, esses mesmos que casam com a pobreza, ter alguém mais humilde do que todos!
A pessoa me disse que no último concurso que prestei, vamos dizer, São Francisco não conseguiu controlar a minha humildade e isso foi um dos motivos para que eu não fosse aprovada por todos os membros da banca. É engraçado isso: fui acusada de responder corretamente as perguntas, com mentalidade de pesquisadora, elencando as diferentes posições sobre os assuntos em questão, mas que eu não tomava partido de nada e que isso era irritante.
Agora, vejam vocês, caros leitores que lêem este malfadado desabafo: se eu tivesse entrado de salto alto, disparando a minha visão (????) sobre o Renascimento italiano (????ao triplo) teria sido acusada de abusada e sem noção. E teria sido reprovada do mesmo jeito. Ou seja: se correr o bicho pega, se ficar o bicho trucida. Respondi para o meu interlocutor que a coisa seria assim de qualquer maneira e que mesmo que eu plantasse bananeira, conceitualmente falando, as pessoas continuariam a me reprovar. Porque, ouso dizer a vocês, tais criaturas nem elencar as diferentes hipóteses historiográficas sobre os fenômenos têm condições de fazer, e como os irmãos franciscanos da história, as pessoas da banca têm inveja da minha humildade.
No final, mais uma vez, São Francisco de Assis tinha razão: mesmo pros humildes o mundo é cheio de perigos!
Sunday, March 29, 2009
Tao

Aceito que a correnteza não me está favorável, e me deixo levar. A princípio, parece que vou me afogar, olho pros lados e só vejo barranca de rio, nada em que possa me apoiar... sinto tudo me levar e sei que pararei muito longe do ponto inicial, e do ponto em que eu queria, rodo, o lodo do fundo se enrosca na perna...
E do fundo da mente vem a certeza, a paz, o consolo, a esperança. E nessa hora exata, consigo alcançar uma borda, levantar,respirar, e continuar vivendo.
Ao que não pode ser definido com palavras (Lao Tsé).
Monday, March 23, 2009
Um homem que sabe o que quer
Gente, cinqüenta anos de carreira do Rei.
Ele merece. Cinqüenta anos de splish splash, de ilegal, imoral ou engorda, de Jesus Cristo estou aqui e de coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser gostosa. Fala sério. Morro de vontade de ir ver o homem cantar e ganhar uma rosa.
http://musica.uol.com.br/ultnot/2009/03/23/ult89u10440.jhtm
Quando fui ao Rio, desta vez, como falei pra vocês, fui ao bondinho e depois eu e meu irmão demos uma volta no lindo bairro da Urca. Na pontinha da orla, daonde a gente vê a Baía inteira, tem um prédio muito bonito, e meu irmão disse que um colega, que mora na Urca, contou que ali mora Vossa Majestade.
Ele merece. Cinqüenta anos de splish splash, de ilegal, imoral ou engorda, de Jesus Cristo estou aqui e de coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser gostosa. Fala sério. Morro de vontade de ir ver o homem cantar e ganhar uma rosa.
http://musica.uol.com.br/ultnot/2009/03/23/ult89u10440.jhtm
Friday, March 20, 2009
Wednesday, March 18, 2009
Novas
Nos últimos meses,
aprendi a comer fruta do conde,
a tomar remédio certo pra minha bronquite,
a ler a relação dos vapores que chegavam no Rio em 1876,
e aprendi que Dante foi condenado formalmente pela Igreja na Ata da última sessão do Concílio de Trento...
aprendi a comer fruta do conde,
a tomar remédio certo pra minha bronquite,
a ler a relação dos vapores que chegavam no Rio em 1876,
e aprendi que Dante foi condenado formalmente pela Igreja na Ata da última sessão do Concílio de Trento...
Saturday, March 14, 2009
Cartão postal
No meu último dia de Rio, fui com meu irmão ao Pão de Açúcar. E foi aquela emoção.
Muita gente não gosta de fazer os passeios típicos de turista: subir no Redentor, tirar foto com os gladiadores fajutos no Coliseu e subir na Muralha da China e dar tchau. Mas, enfim, uma vez na vida a gente tem que fazer os passeios típicos de turista, senão, que graça tem?
Eu só tinha andado no bondinho uma vez, quando criança, e adorei subir de novo. A vista é magnífica, e no segundo morro passa um filme muito interessante sobre a história da construção do bonde aéreo, que liga o nada ao lugar nenhum, só pras pessoas justamente apreciarem a vista. Ou seja, adorável, e a piada que o amigo do construtor lascou, bom, esse liga da Praia Vermelha ao morro 1, do morro 1 ao 2, e o último do morro 2 ao hospício, também é ótima.
Às vezes o óbvio deixa a gente tão feliz.
Saturday, March 07, 2009
PUTA MERDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Só rapidamente, antes de eu me pirulitar de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Essa semana foi dureza nas terras cariocas: o calor realmente foi de lascar e bandidos e policiais resolveram atirar numa estação de trem urbano em Bangu com gente indo trabalhar e tornaram o caos da avacalhada urbs mais caótico ainda.
Pra completar a semana, tivemos todos os desdobramentos do pavoroso caso da menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto em Alagoinhas, Pernambuco, e, que, grávida de gêmeos, precisou recorrer a uma intervenção cirúrgica. O caso por si só seria pavoroso, mas o arcebispo de Recife e Olinda resolveu torná-lo ainda mais trágico, excomungando os responsáveis pelo aborto e a mãe da menina. O interessante é que o filho da puta do arcebispo, além de não excomungar o padrasto, ainda disse que o cara tinha cometido um crime grave, "mas existem tantos crimes graves". Hoje no Jornal Nacional, apareceu o lançamento da Campanha da Fraternidade em Recife, e um dos bispos resolveu lascar a lenha nesse filho da puta desse arcebispo, que, depois da dura do nosso presidente, resolveu falar de perdão e não sei o que mais. Sem citar o padrasto, ainda. Bom, desse caso, declaro que, se não importa a gravidade do crime, gostaria muito que alguém enrabasse com requintes de crueldade o arcebispo.
Pra piorar as coisas, que já estavam totalmente fodidas, uma equipe médica de hospital público atende uma dona de casa com um coágulo no cérebro, fruto de uma queda, e abre o lado errado do cérebro da moça. De novo, Jornal Nacional, a corajosa irmã da vítima, denunciando esse crime sem nome. Segundo os responsáveis pelo hospital, os caras perigam ser cassados. Só cassados? Cara, de novo, se ninguém se importa, essa equipe médica, os arcebispos, os bandidos e os policiais da estação de Bangu tinham que ser queimados vivos.
Sabe o que falta? Viagra na água do povo. Os brasileiros estão brochas e não honram o que tem no meio das pernas. Acontece umas coisas dessas e ninguém fala nada, ninguém da universidade se pronuncia, os babacas da OAB nada dizem, quer dizer, foi-se o tempo que nesse país existiam homens de verdade.
Wednesday, March 04, 2009
O samba da panda doida
E eu lhes escrevo do inacreditável Rio de Janeiro, como diria Clarice Lispector.
Depois de uma noite insone, aporto às terras fluminenses por motivos profissionais. E , como vocês estão carecas de saber, os motivos profissionais da cada vez mais velha pandinha sempre estão diretamente relacionados com o tiozão narigudo. Veio uma professora francesa falar do vate florentino. Essa professora, de Paris VII, falará também na Unicamp e na USP, mas por motivos que escapam da minha compreensão no presente momento, só falará de Dante aqui no Rio.
Apesar de pandas não se darem muito bem em climas tropicais, ou, no caso do Rio nessa semana, climas supermegaultra desérticos, peguei o restava da minha coragem e vim. Fala sério, não entendi porque o povo não pediu pra professora Irène Catasch falar do tiozão lá na terra da garoa ou na terra da Catedral de taipa ( que também tão fritando), mas tudo bem. Aproveitei pra ver meu irmão (ele tá morando aqui há séculos e eu nunca vim visitá-lo, e ele, puxa, você veio só pelo Dante, mas tudo bem né) e fiz um pequeno cronograma de atividades, que seriam tirar fotos de obras do século XIX ( maiores informações mais tarde), ir na Biblioteca Nacional, até pegar uma praia, e correr atrás de italianinhos construtores de Catedral no Arquivo Nacional.
Mas não gente, acho que o bafão dantesco vai acabar me matando. Tá quente demais. Pra quem acha que eu tô exagerando, vejam essa singela reportagem:
Quando até os cariocas desistem, sinal que o bicho tá pegando mesmo. Eu fui pro centro, desci na Carioca e o negócio tava um pesadelo. No ICHS, no Largo de São Francisco, puseram a gente numa sala bem legal, mas o ar condicionado derrubou a professora Irène, que teve uma crise respiratória no final da aula. Ela como toda boa francesa mandou ver e foi excelente, mas no final acho que os demoninhos do Malebolge resolveram aprontar e ela quase foi ver Virgílio em pessoa.
Cometi a temeridade de depois da aula ir pra Cinelândia, e entrei na Biblioteca Nacional atrás de livros e do busto que o artista francês Marc Ferrez fez de Dom João VI. Os guardas me deixaram tirar as fotos, mas suando em bicas, e tremendo de choque térmico, consegui tirar só foto tremida de Vossa Majestade. Foda total.
Pra terminar a saga, resolvi comer uma pipoca na Cinelândia e ir pra Botafogo pra ver um cinema, sei lá, e esperar os hebreus fugirem para o Egito ( o povo se lascar pra Pavuna de metrô) mas no meio da pipoquinha achei um caquinho de vidro. Pronto, foi demais, depois de um Cometão, de me perder pra ir pra estação de metrô da casa do meu irmão, depois de ver a professora quase bater as botas, achei que depois da pipoca maldita eu mesma iria para o reino das trevas. Mas no final correu tudo bem, e de qualquer forma se eu fosse de fato pro reino de Lúcifer, com certeza lá estaria mais fresco que o Rio.
Acima, uma das luminárias da escada da Biblioteca Nacional. Inveja dessa moça que pode ficar pelada o dia todo! E também da Luma, gente vocês viram a Luma esse ano?
Monday, February 16, 2009
Torta de liquidificador
Eu não sei quanto a vocês, mas tenho certeza que a nuvem negra está em cima da minha cabeça quando paro de cozinhar. A nuvem negra passou no sábado, quando fui comprar coisas pra nachada. Pra quem não sabe, o meu amigo Chapolin Colorado veizinquandu dá uma festa de comida mexicana na casa dele, e eu sempre tento inovar o menu da dita festividade, com pimentas, doces como pirulitos que viram chiclé e marshmallows. Fui com o Luís comprar as coisas e no Oba tive a inspiração necessária para voltar a cozinhar, essa coisa escolher o cardápio, limpar a pia da cozinha, amolar a faca e mandar ver na panela ( minhas panelas estão velhas, mas como diria Sérgio Reis...).
Hoje, plena segunda-feira de trabalho e mais trabalho, o coração dividido entre o Renascimento e a empreitada do intrépido Cristovam Bonini na Campinas oitocentista, resolvi fazer uma torta de liquidificador. É, aquela mesma, que a mãe da gente fazia com presunto, mussarela e tomate. É evidente que o céu pra mim ainda está nublado: prova disso é o caos que fiz na cozinha para assar uma singela torta de liquidificador. Taí a receita do Tudo Gostoso:
TORTA SALGADA DE LIQUIDIFICADOR
Massa:
3 ovos
13 colheres de farinha de trigo
1 e1/2 xicara de leite
3 colheres de queijo(opcional)
1 colher de fermento
um pouco menos que 1/2 xicara de oleo
sal a gosto
Podemos usar qualquer um desses recheios :carne moida/sardinha/frango desfiado/presunto e muzzarela.
1 cebola
alho e sal a gosto
1 pimentão
2 tomates sem pele
orégano
1 pimenta de cheiro
cheiro verde
óleo para refogar.
Agora, detalhe IMPORTANTE: essa receita é para ASSADEIRA PEQUENA. Parte do caos que a velha e sempre desmiolada panda fez na cozinha foi que o pessoal do site Tudo Gostoso nem pra deixar indicado o tamanho da fôrma. Tudo bem que eu sou uma pessoa estressada, mas também não colaboram. Enfim, assuntos para outros posts!
Thursday, February 12, 2009
Minha nova turma
E eu arrumei uma turma nova, diferente!
Pois estava eu a naufragar nas altas ondas, quando peguei um jacaré. Por motivos gerais, resolvi estudar algo que está próximo de mim fisicamente, e que em dezembro ficou mais pertinho do coração: a velha e linda Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição, sim, a Catedral da também velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí ( sim, nome original de nossa brava cidade).
Caros e queridos leitores, a coisa toda se processa da seguinte forma: existe a Catedral, as missas, o grupo de orações de senhoras animadíssimas, os mendiguinhos na porta e a conta de água de não sei quantos mil reais, por conta do banheiro que é o único público no centro da sempre desvalida Campinas. O pessoal da secretaria calcula mil pessoas por dia circulando por ali, por baixo. Mas também existe o Museu de Arte Sacra e o acervo da Arquidiocese, o órgão francês à espera da reforma que lhe dê a plenitude, enfim, um universo que parece de sonho. Subi as escadarias e descobri esse Aleph, como diria Borges: os documentos da construção da igreja.
Se eu contar pra vocês tudo que achei nesse mês chuvoso, ninguém acredita. Adianto que achei os tempos dos escravos sofridos lascando terra no pilão, um arquiteto italiano arrojadíssimo, outro paulista muito meticuloso, muitos, muitos operários recém-chegados do Vêneto e que abalaram Bangu, todos os primeiros trens que singraram São Paulo, o início da expansão cafeeira, dois assassinatos, uma legislação tributária muito esperta, muitas arrobas de café, projetos, aspirações e telegramas de 1882. Fiquei emocionada quando os vagões de pedra da cantaria da fachada chegaram, 147 vagões entre 76 e 77, obra e graça do tal itálico arrojado e que já ganhou, ovviamente, um lugar especial no coração da também velha e desvalida panda.
Fiquei feliz, apesar do dilúvio desses dias, com esses segredos novos a me aquecer.
Wednesday, February 11, 2009
Recorte de jornal
Deixei guardado o seguinte recorte virtual, aqui pro meu Meio:
24/01/2009, Folha de São Paulo
A mulher como medida
Luiz Caversan
"Nunca confie num homem que não respeita a mulher.
Esta frase, com a qual há de se concordar inteiramente, é do jornalista Caco Barcellos. Foi dita durante uma entrevista a Marília Gabriela no final do ano passado e é absolutamente coerente com o caráter do rapaz, talvez o repórter mais sério, dedicado e correto da TV brasileira, um batalhador incansável pela justiça, tendo o jornalismo como arma, o que lhe valeu inúmeras perseguições e desafetos, sobretudo dentre quem usa outros tipos de armas, muito mais efetivas.
Caco não se referia ao homem que respeita apenas a sua própria mulher, embora tivesse ele mesmo motivo de sobra para isso, posto que é casado com a maravilhosa estilista Bibi Barcellos, uma fada das tesouras especialista em noivas. Não, quis dizer que não se deve confiar no homem que não respeita mulheres, o gênero como um todo, com o que se deve concordar mais ainda.
O desrespeito, muitas vezes derivado do despeito, com que tantos homens (des) tratam mulheres, seja por meio do simples desprezo, de ofensas sexistas ou, infelizmente também frequentemente, por meio da violência, é revelador de fraqueza de caráter e pequenez da alma.
Daí ser entristecedor observar uma realidade em que seja tão usual esse tipo de comportamento, só não mais hediondo do que a ofensa a crianças e idosos, também trivial e repetitivo nos dias de hoje.
Já estava para escrever sobre a frase do Caco, linda e das que devem ser registradas, mas faltava oportunidade ou o chamado "gancho" --ou seja, a motivação jornalística que leva alguém a escrever alguma coisa".
Caversan prossegue falando do carinho que Barack Obama reserva à esposa Michelle. No caso, o gancho de Barcellos, que virou o de Caversan, virou o meu também: achei que o colunista foi muito feliz ao definir algo que sempre senti: homem misógino, machista, é covarde e indigno de confiança. Como é bonito quando um homem nos entende, nos admira e nos trata como iguais. É o que existe de mais bonito num homem...
Monday, February 02, 2009
Mais uma da gaveta
Hoje, apesar do desânimo geral, irrestrito e absoluto, cumpri parte de minhas funções pandísticas, como estudar francês, fazer planos de dominar o mundo através do estudo sistemático e persistente da obra do tiozão narigudo e encher a paciência alheia em vários momentos do dia.
Caiu um toró daqueles, em pleno dia de Iemanjá. Eu e messer Masiero ficamos ilhados na velha cantina da Física, conversando sobre a amizade de Oxum e Exu (maiores detalhes adiante) enquanto o resto dos orixás, santos, deuses e afins se reuniam para organizar uma nova edição do Dilúvio Universal. Enfim.
No meio de nossas idílicas conversações, tão nobre artista me indagou sobre as razões que me fizeram ir ter na cidadela potawatomi, há quatro anos atrás. Lembrei-me de um arquiteto florentino, que um dia foi a Roma e no seu retorno ao pântano natal, falava tanto, tanto da nobre cidade Eterna que foi denominado pelos colegas de Cronaca (crônica, narrativa) di Roma, ou só Cronaca mesmo. Eu sou a Cronaca das velhas edizioni vistas às margens do Michigan, enquanto eu não tiver novas aventuras dantescas vão as velhas mesmo. Daí lembrei-me de postar uma pequena imagem, detalhe de uma das xilogravuras do incunábulo ( os livros de 1460, data da invenção da prensa por Gutenberg, até 1500, são chamados incunábulos, do latim cuna, por serem gravados por tipos presos em grades, página por página) da Comédia de 1487, Bonino Bonini, em Brescia.
Essa foi a primeira edição totalmente ilustrada da Comédia. Detalhe da ilustração do Canto XVIII, onde os tios itálicos pegam carona no Gerião véio de guerra.
Monday, January 19, 2009
Os amantes de Roma
A primeira vez que estive em Roma, tinha 20 anos.
Foi a primeira cidade que conheci, o primeiro lugar fora do Brasil. Lembro da chegada, de manhãzinha cedo, era novembro e fazia frio. No trem de Fiumicino para a cidade, eu vi trigais dourados, e no táxi o cara ouvia Elton John. Mas era Roma.
Eu não sabia o que queria da vida, era boba e mané de tudo. Mas chegando, fomos ver, eu e o grupo que acompanhava um de nossos professores, a Porta Pia de Michelangelo. Puxei a manga do casaco de um amigo e perguntei, mas esse é o Michelangelo da Sistina? E ele, é, shiiiit.... fala baixo. E eu descobri que tem gente que é pintor, escultor, arquiteto e que é, enfim, Michelangelo. E era Roma.
A pequena panda, sempre desligada e nada a ver, se perdia horrores do grupo, era deixada pra trás em tudo quanto era ruína, igreja, ruela, buraco, ônibus pro Vaticano e salas com Caravaggios, Tizianos e outros do mesmo quilate. Consegui entrar na igreja de Gesù sozinha e ir a Santa Maria Maggiore, no caminho inverso ao que todo mundo fazia. Mas era Roma.
Não entendia picas de italiano, e o chuveiro do meu quarto no hotel quebrou. Estava com uma senhora uruguaia, e uma mocinha nipo-descendente, que chorava todos os dias de saudade da mãe. A senhora não queria ligar pra portaria e a mocinha começou a chorar.A portaria, lotada de rapazes da La Sapienza, que inclusive fumavam um ali, era realmente um obstáculo difícil. Liguei pro nosso professor, ele tinha saído, mas me armei de coragem e falei com os tios. Um deles atendeu e eu falei em inglês, e ele em francês. No meio da zona toda, lembrei-me que fui criada no Cambuci, uma espécie de mini-Nápoles. Falei com o cara em português e ele entendeu perfeitamente. E ainda era Roma.
Se o chuveiro eu resolvi, evidente que meus pedaços de pizza vinham frios, eu não sabia que caldo era quente, enfim. E evidente que um dos rapazes do hotel, numa da noite, resolveu me levar pra passear e me agarrar, eu tinha 20 anos e era Roma.
Era Roma, eram as cores ocres, amarelas, os tons terrosos, as laranjeiras nos vasos, eram as fontes e as igrejas, eram os homens lindos e os padres todos de negro.
Quando voltei, é outra história, mas conheci um grande amigo, que me apresentou essa pérola do Gianmaria Testa, Gli amanti di Roma. Logo depois que voltei, então hoje eu queria deixar um pouco da minha Roma, um pouco do meu mistério pra vocês:
Saturday, January 10, 2009
E dá-lhe tiozão!

Provando que o tiozão narigudo mais sexy da História da humanidade continua no hit parade da cultura popular, com seu charme e nariz característicos, adentrando as valas das almas danadas da internet para pesquisar detalhes de ilustrações do Inferno, achei nada mais nada menos que esse jogo de tarô, publicado pela La Scarabeo, editora italiana especializada em baralhos de tarô, em 2001.
Andrea Serio desenhou e Giordano Berti coloriu a pastel as 78 cartas, perfazendo arcanos maiores e menores. Agora, o tarô deve ser gracinha porque além dos símbolos e personagens da Comédia, também tem cartas que representam episódios da vida do tio, como ele nos conta na própria Comédia e na Vita Nuova, e conceitos por ele discutidos no Convivio, De Monarchia e em outros escritos.
Pelo menos, com esse tarô, você fica sabendo antecipadamente se sua vida vai virar um verdadeiro inferno!
Thursday, January 08, 2009
Lema
Outro dia, eu estava no 4shared, baixanu umas musiquinhas como de hábito. Search vai, search vem, e eu acho uma pérola da música infame popular brasileira. Eu já conhecia a dupla Teodoro e Sampaio por outras canções horríveis, como Quem vai mandar no mundo é a mulher e A Rabanada da minha cunhada.
Mas essa que eu achei superou minhas expectativas trash, tá no quilate de um Fuscão Preto ou de um É bom para o moral, da Rita Cadillac.
Sabem, eu andei tendo umas decepções feias com pessoas muito queridas por mim, como todos já puderam ler no Meio. Estou muito melhor, tanto é que achei graça na cançoneta dos infernos, e pus o título no messenger, o que provocou perguntas, risos e perplexidades dos meus sempre carinhosos e pacientes interlocutores. Mas é o seguinte: como é um pára-choque de caminhão, acho que pode ser sim um bom lema de vida, uma boa orientação moral, um dístico digno de um brasão pra pôr no meu velho e combalido Gerião, o carrinho também carinhosamente apelidado de Exumóvel.
Pois é o seguinte, meus caros leitores: agora, eu só dou carona pra quem deu pra mim.
Sunday, January 04, 2009
Com que roupa eu vou
Tendo atividades profissionais em vista, e coisas meio importantes, a panda teve que encarar as plagas dantescas dos shoppings, calçadões e outros lugares apinhados de gente atrás dos descontos de janeiro para descolar um figurino à altura da minha habitual deselegância.
Noel Rosa matou tudo. Difícil escolher a roupa pra ir pro samba que me convidaram. Primeiro, rondo as vitrines. Fiquei namorando uma camisa na Forum, namoro totalmente platônico e não-correspondido. Dou um suspiro e reconto mentalmente meu (baixo) orçamento. Vamu lá, entro na C&A, e tudo até simpático, mas muito decotado, muito florido, muito alegre, sexy, atrevido. Ué, tá certo, as pessoas nessa época do ano estão na praia, curtindo o verão. Se eu pudesse, enfiava esse biquíni, a havaiana bacanuda e a saída de praia gracinha e ia tomar chicabon. Outro suspiro, me imagino enfrentando o que terei que enfrentar de biquíni branco, havaiana de plataforma e saída de praia multicolorida, com um chicabon na mão. Pelo menos eu ia me divertir mais!
Vamos lá, verás que uma filha tua não foge à luta, ó Pátria ingrata que me faz trabalhar quando na verdade eu queria estar em Fernando de Noronha olhando os golfinhos pularem. O meu consolo é que o pintor Peter Paul Rubens teve que pintar golfinhos pulando pra Maria de Médicis, nega muito mais baranga e muito chata que nem deixar o rapaz descansar deixava.
Entro na Luigi Bertolli. Pego umas peças, uma camisa, algo assim. Mas quando eu entro no provador, cara, tudo com cara de secretária. Tá bom que desisti de ir pra praia tomar chicabon, mas também não preciso passar o verão metida em roupa de executiva. Eu tenho um problema: o mau gosto. Adoro roupa estampada, colorida, coisa diferente e sou 80´s total, acho certas coisas muito caretas. Tudo bem que já passei da idade de ser moderninha (se bem que meu sonho às vezes é pintar o cabelo de azul), mas também o que vesti na Bertolli tava muito senhôra, se é que vocês me entendem.
Vou pra Zara, milhões de campineiras enlouquecidas e um monte de roupa bonita... pro inverno. Cara, tudo bem que a Zara é européia, mas casaquinho xadrez nesse calor vai ser dureza.
Resolvo que vou pintar o cabelo de azul, ir com minha calça jeans rasgada (é, meus caros, a panda rasgou suas carsas jeans antes do Natal), minha camiseta Hering e beijomeliga. Cansei!
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