Começou com a barbaridade do Pinheirinho, passou pro espanto dos desabamentos do Rio.
Dentro e fora de mim, dores. As minhas, tão banais, burguesas e bestas que não mereceriam comentário; mas se aqui é o único espaço que eu tenho pra expressar o que sinto... enfim.
Não consigo acreditar na quantidade de crueldade, descaso e desamor que existe no mundo.
Parece sempre que a gente tem que crer no que Jean-Jacques descobriu no caminho de Vincennes: que a salvação da humanidade é o dia que você acorda, sem um puto no bolso, pega um sol de verão na cabeça, pra ir visitar o amigo Diderot na cadeia. Talvez seja esse o meu erro ( e o de Jean-Jacques): pensar que o que existe dentro de mim existe dentro de alguém, perdido nesse mundão de meu Deus. Será que tudo que eu sentia, em nenhum momento, você sentiu?
Porque, no meio disso tudo, eu ouvi essa na cadeira do dentista.

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