Quem acompanha ( se é que tem alguém que ainda acompanha) este velhíssimo blog sabe que quem o escreve é doida, apaixonada, louca varrida pelas fachadas cheias de guirlandas, carinhas de leões, e outros enfeites da também velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí. Já caí em buraco no meio da rua por me espantar com a capacidade dos capomastri (mestres de obras) italianos em transformar construções de planta retangular ( sempre a mesma planta) com suas platibandas que a legislação requeria em entradas de sonho.Existe, de fato, algo irreal no ornato da Arquitetura chamada Eclética. Algo que é delicado demais para esse mundo.
Comecei a fotografar e a investigar essas fachadas. Na verdade, esses ornamentos eram feitos com um concreto, diferente do que se usa hoje, e existe uma discussão sobre as formas utilizadas para modelá-los. Enfim. O professor de Ornato do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo era o italiano Domiziano de Rossi, projetista do escritório de Ramos de Azevedo. Não vou cacetear os pobres e poucos leitores que ainda me restam com detalhes sobre os debates historiográficos a respeito destes senhores. Só queria mostrar pra vocês uma foto do Pavilhão do Estado de São Paulo na Feira Nacional, montado provisoriamente na Urca, no Rio, obra e graça de Rossi, que, ao que tudo indica, assinou o Teatro Municipal de São Paulo. O sonho máximo das pandas campineiras, em madeira. Pensar que isso foi construído um dia para acabar me deixa comovida.
Fonte: Ramos de Azevedo e seu escritório, Carlos Lemos.

2 comments:
Você esqueceu de mencionar que descreve cidades maravilhosamente bem. O pequeno dicionário paulistano é sensacional!
Ou, eu fiz um pequeno dicionário carioca, publico na sequência.
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