Monday, August 15, 2011

Lágrimas ao sol

Hoje de manhã, acordei e fui caminhar. Fiquei lá, caminhando, pensando em mil coisas inúteis e ouvindo Shakira. Voltei, peguei o Exumóvel, ensinei uma moça como fazia pra chegar no Centro de Convivência, fui pra cidadela de Zeferino, comi pão na chapa com café com leite, ouvi um conselho e tive um aborrecimento, enviei documento, tentei ajudar uma amiga ao telefone, e sentei para ler, na sombra de uma árvore, um ensaio de Erich Auerbach sobre Dante ( "Dante e Virgílio", in Ensaios de Literatura Ocidental. São Paulo: Ed.34, 2007). E chorei.


"Dante era dono de um senso aguçado de gratidão; mais que isso, tinha necessidade de ser grato- em especial para com aqueles a quem devia algo de espiritual (...). Mas talvez o mais belo e terno seja o amor com que Dante procura reconstruir, das trevas dos séculos, o objeto de sua gratidão. O anima cortese mantovana- assim Beatriz se dirige a ele, e essa cortesia, a grande virtude dos correligionários do stil nuovo, ganha na pessoa de Virgílio um âmbito bem mais amplo que na terminologia daqueles poetas líricos. Ela significa a dignidade interior, sempre disposta ao bem, por mais que lhe seja interdito gozar de seus frutos- pois Virgílio está excluído do reino de Deus."

p.108



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