Friday, March 26, 2010

Deu na Reuters II: embaixadora dinamarquesa vai nua para a China

A famosa dinamarquesa da foto foi escolhida para representar seu país na Exposição Mundial em Xangai. Sua nudez já causou polêmica: em 2003, foi coberta com um chador por turcos revoltados com a exposição de sua figura.


http://entretenimento.br.msn.com/reuters-artigo.aspx?cp-documentid=23735947

Resta saber se os chineses aceitarão tão nua personagem nas paragens do porto de Xangai!

Thursday, March 25, 2010

Wish list

Céu estrelado
Cachoeira
Abraço
Sorvete
Arco-íris
Estrada
Amigo
Céu azul
Vinho
Carinho
Sol
Beijo
Papo
Chá
Música

Wednesday, March 24, 2010

Par

Tu, que és libertação,
Na lua cheia
Serás meu e serei tua.



Cratera calyx com Dioniso e Ariadne.
Proveniente de Tebas, c. 400 a 375 a.C.
Paris: Museu do Louvre.

Monday, March 22, 2010

A festa e a burguesia

Hoje uma ex-aluna do IA veio me dizer que está com um processo nas costas. Ela participou da organização do evento dos alunos do Instituto, e, apesar da festa programada para o encontro não ter ocorrido, o simples fato dela ter sido planejada, e os alunos requisitados permissão na Reitoria, já fez com que ela e mais outros colegas fossem indiciados.
O caso é que a Associação dos Moradores reclama do barulho e diz que habitantes da outrora idílica Cidade Universitária têm suas noites reviradas do avesso quando os estudantes resolvem fumar um, tomar outras e paquerar. Há muitos anos não se pode mais fazer festas no campus. Eu sei que vou ser filha da putinha, mas:
1) eu morei do lado da Unicamp e as festas sinceramente não me incomodavam. Quando passou a me incomodar a proximidade com a cidadela zeferinítica, voilà: eu saí de lá. Pergunto: a pessoa constrói um casão digno de Beverly Hills do lado de uma Universidade (leia-se, lugar entupido de jovens) e quer silêncio o tempo todo? Tudo bem, tem a Lei do Silêncio, tudo bem, tem a especulação imobiliária, tudo bem, a pessoa tem o direito de morar onde quiser. E, tudo bem, eu tenho o sagrado direito de achar esse povo da Cidade Universitária um bando de gente mala, que ganha dinheiro alugando quarto pros estudantes e depois processam os mesmos estudantes por quererem ser o que eles são: estudantes.
2) se for ver pelo barulho, poluição, danos ao ambiente, então porque que não proíbem carros no campus? Se for ver bem, carro faz mais barulho, polui mais e enche mais o saco do que neguinho fazendo festa. Entre a Unicamp virar um estacionamento e a Unicamp ter festa, eu voto na festa.
3) a Reitoria não tinha que culpar os estudantes. Tinha que culpar a Associação dos Moradores. De novo: quer silêncio, vai pra um condomínio no meio do mato. Que coisa, a Universidade tem que ser barulhenta, cheia de gente cantando Janis Joplin. Você quer ter seu casão, e quer morar do lado da Unicamp? Meu, desculpa, eu não te entendo. A Unicamp é pra ser a Unicamp. Se a Unicamp deixar de ser a Unicamp, seu terreno não vai valer tanto. Se liga mané. Você só tem essa casa e só tira barato porque é do lado do quê, criatura? Da Unicamp. Cheia de gente esquisita, que ouve Janis Joplin e estuda coisas loucas.
4) o carinha na reportagem diz que é sessentão e vive em Barão. Meu senhor, Barão vai lotar de gatinhas barulhentas. O filho de Deus ainda vai lá e tira as moças do lado dele! Não se fazem mais sessentões como antigamente.
5) Eu estou de saco cheio disso tudo, acho que a Unicamp está uma m&$*@ e eu tenho o santo direito de sentir falta de festa. Meus alunos mereciam ir nas festas que eu fui. Nas festas da Unicamp conheci meus namorados, fiz amigos, enfim, vivi. Que saudade disso. Não esqueço e queria isso pros meus alunos. Não o povo da Reitoria processá-los. E a Associação dos Moradores encher o saco. Eu se pudesse construía uma nova Unicamp, num lugar bem longe, e proibia neguinho burguês construir casão Beverly Hills e trinta anos depois encher o saco porque mora do lado daonde, pessoa???? De um asilo de velhinhas surdas? Não, da Unicamp!!!! Pronto, falei, vou ali morrer um pouco de tristeza.

Saturday, March 20, 2010

O rei e o poetinha

Tava procurando outras coisas, apareceu essa foto simpática do Roberto com o Vinícius. Não sei, gostei da foto demais.
Penso que num país de tradição patriarcal, machista, misógina, filha da puta com as mulheres, os dois fizeram verdadeiros monumentos à delicadeza e à alegria de amar. Tudo bem, clichê, eu sei, tudo bem, brega pra caralho. E segundo consta nas biografias autorizadas e apócrifas, os dois não eram modelos de santidade masculina, quebraram muitos corações. Não importa, não tô discutindo os dois enquanto homens, mas enquanto figuras históricas. É dureza ser mulher e brasileira, mas fica um pouquinho mais fácil ouvindo Roberto e Vinícius.

Thursday, March 18, 2010

Tiozão heavy metal!


Fazia tempo que o tio narigudo mais sexy da História da humanidade não aparecia nestas plagas.
Mas como ele vive no meu coração, de vez em quando ele aparece pra dar um tchauzinho! E demonstrando que a popularidade dele não cai nunca, trago pra vcs a capa do CD do Sepultura, Dante XXI. Dá-lhe tio! Por que não tem nada mais heavy metal que escrever a Divina Comédia!

Friday, March 12, 2010

Perda


Grande Glauco!

Saturday, March 06, 2010

The first cut is the deepest

E aconteceu comigo tanta coisa nos últimos tempos... abandonei um pouco o blog, porque tive, nas últimas semanas, que viver, pura e simplesmente.

Fui ao Rio. Uma emoção andar pela orla de Copacabana, tomar café com leite na Confeitaria Colombo, falar na casa de Rui Barbosa, jantar com o meu irmão num restaurante lindíssimo, enfim, ver amigos e rever a cidade, apesar dos 43 graus na sombra. O Rio é o Rio.
Tive um sonho ótimo hoje: sonhei que eu aceitei participar de um desfile de escola de samba, no Rio, como madrinha da bateria. Então, eu punha aquela roupinha digna de uma Luiza Brunet na vida e enfrentava a Marquês de Sapucaí, com saltos altíssimos e sambando até não poder mais ( no sonho, eu tinha treinado tudo isso durante meses). No final, saía carregada por uns tiozinhos bonitões, e a minha escola era a campeã! Fiquei com a Sapucaí na cabeça, sem comentários.
Volto, e uma série de tropeços, avanços, acertos e erros... mas tudo bem. Segurei as pontas, e encarei voltar pra docência, conhecer gente nova, estudar, ir pra frente. Tô orgulhosa de mim. E hoje deu pra fazer chocolate quente pela primeira vez no ano! Estava tão gostoso hoje, o final da tarde, daqueles finais da tarde que eu amo tanto, aqui em casa. Como diria o velho Cat Stevens, the first cut is the deepest.

Thursday, March 04, 2010

Deu na Reuters: forças militares impedem avanço de tigre asiático

Em 3 de março último, a agência internacional Reuters deu esse furo de reportagem: na Praça da Paz Celestial, em frente ao parlamento chinês, o fotógrafo registrou essa cena de crise internacional. Isso porque era o dia da abertura da Conferência Consultiva Popular Chinesa, vulgo Congresso reunido.

Meninos, a panda voltou!

Thursday, February 18, 2010

Os problemas sentimentais dos pandas

Carnaval, ziriguidum, muita coisa pra fazer, um calor digno de algumas valas do reino de Lúcifer... e a pequena panda sofrendo de problemas sentimentais.
Claro que panda e melancolia são sinônimos, como bem atestam os leitores (poucos mas fiéis) desse já venerando blog. Já me disseram que eu tenho uma tendência ao masoquismo, e também já me disseram que eu sou que nem a ninfa Eco na história do Narciso: que repito as palavras dos outros e me apaixono por criaturas dadas a um egocentrismo. Acho que as duas coisas são verdadeiras. Mas o que tá pegando, agora, é que eu perdi o pouco do senso prático que eu tinha, enredada em dores d'amor e lembranças desoladoras.
Não que eu fosse uma pessoa prática nesses quesitos; aliás, eu não sou uma pessoa muito prática em nenhum quesito. Mas começo a considerar que tá um pouco demais. Tudo bem, sentimental eu sou. Eu assumo: sou brega pra caralho. Eu gosto de ouvir Besame Mucho, até na gravação do Ray Conniff, e eu guardo recordações, principalmente no coração. Mesmo quando essas recordações são tingidas pela dor, incompreensão, mesquinharias e outros acessórios, na minha modesta opinião, completamente desnecessários, do amor.
Acho que eu poderia escrever várias novelas, porque desde sempre eu tive paixões platônicas, impossíveis, ou simplesmente complicadas demais. Agora, tem o seguinte: eu me lembro bem da minha antiga psicanalista me perguntando o que que eu ganhava com determinado hábito, mesmo que fosse prejudicial à minha sofrida pessoa. Não sei o que eu ganho em ser romântica demais. No caso, penso que eu não ganho nada mesmo, só me ferro e isso tem a ver com a minha baixa auto-estima.
Então, ultimamente eu tenho me esforçado em pôr a casa um pouco em ordem, mesmo que fantasmas, dores e outros dissabores do passado às vezes rondem meu cansado e velho de guerra de coração. Por que também tem o seguinte: cansei de me envergonhar de ser do jeito que eu sou. Cansei de pensar que a culpa é sempre minha, e que eu é que sou a maluca por gostar, ou querer me aproximar das pessoas. Eu não tenho culpa se gosto de carinho, de bebês, de bichinhos e coisas fofas, não tenho culpa se acho o fim as pessoas passarem por cima do sentimento das outras e também não tenho culpa em ficar com raiva quando neguinho me ridiculariza, faz pouco de mim ou não tá nem aí pros meus sentimentos. A gente aprende com os anos que quem tira onda da cara dos outros só é malandro na superfície, e que quando mais velho a gente é, mais bobo, graças a Deus, a gente fica. Que a vida me poupe de me tornar amargurada, é só o que eu peço.

Wednesday, February 17, 2010

É bem assim

www.phdcomics.com

Sunday, February 07, 2010

Poverello


Tô aqui numa labuta danada.



Um AVG desatualizado, e pimba! O velho Caronte ficou doente. De repente, meu email começou a disparar uma besteira pra todos os meus contatos, e o bicho travado até não mais poder. Posto depois a experiência de ter o PC velho de guerra infectado por uma m#$% de vírus, com o perdão da má palavra.


Mas tirando isso, voltando. De maneira fantástica e inesperada, fui chamada pra dar aulas de História da Arte. Incrível. Estou aqui, num tremendo entusiasmo, montando meus cursos, e um deles é sobre... tchanammmmm! Vocês acertaram! Renascimento Italiano! Dá-lhe tiozão!!!!


E monta daqui, monta de lá, e é necessário falar de São Francisco. Talvez a maior força espiritual da modernidade, no catolicismo, Francisco é a base de muita das inovações empreendidas nas cidades da velha Península Itálica, nos idos dos séculos XIV, XV e XVI. Existe uma discussão historiográfica tremenda nisso, mas, de minha parte, acho inegável que o rapaz de Assis foi um modelo pra muita gente naquele meio de campo: dedicou a sua vida a ser santo, a entrar pra História. Antes de Francisco, as pessoas no geral eram santas ou porque tinham participado diretamente da História Sagrada, ou porque foram mártires nos primeiros tempos do cristianismo. Ou seja, pros pósteros, a possibilidade de manobra era nula. Mas Francisco fez a História andar de novo: qualquer um, segundo ele, se seguir o Cristo, vira santo. Tudo bem que falar pras aves de rapina, inventar o presépio, ter os estigmas da Paixão de Cristo e ainda por cima aparecer em Arles, sul da França, quando se estava em Assis na Itália ajuda muito o sujeito, além de ter Santa Clara e Santo Antônio como amigos.


Acima, um fofo São Francisco, artesanato mineiro, de São João del Rey. E abaixo, a interpretação delicada de Maria Bethânia para a Oração do santo, um dos textos religiosos mais bonitos de todos os tempos, na minha e na opinião de pessoas do mundo inteiro, de todas as crenças, que admiram o que casou com a pobreza.


http://www.4shared.com/file/28271232/a1c33790/05_Orao_de_So_Francisco.html?s=1

Friday, February 05, 2010

A quem não gosta de mim- II

Ontem, fiquei sabendo que você escreveu para a nossa grande amiga, que tínhamos em comum até quatro anos atrás. Foi aniversário dela; você se lembrou, eu não. Isso sempre acontecia. Você tinha a delicadeza de anotar e lembrar os aniversários de todos, comprava presentinhos e sempre nos enchia de carinho. Eu sempre esquecia o aniversário de todo mundo, nunca tive dinheiro pra comprar nada pra ninguém e o máximo que podia fazer era te levar, de carona no meu carro, algumas vezes você pagando um pouquinho de gasolina, até o lugar onde os nossos queridos, e eram tantos, estavam.
Ela leu sua mensagem num misto de surpresa, alegria, tristeza, mágoa e decepção. Demorou quatro anos, e você escreveu. Confesso que fiquei envergonhada, triste, com raiva, magoada... mas não surpresa. Você gostava da nossa amiga. Eu sei que você amava muito todos. Mas não eu.
O ponto doloroso de tudo- e sempre tem um ponto muito doloroso em tudo- é que eu estava felicíssima em tê-la como amiga, mas isso não era recíproco. Você tinha os nossos outros amigos, tinha sua família, sua grana, suas coisas. Você se cuidava, você tinha uma vida normal, e eu te admirava em cada coisinha que você fazia... tantas vezes pensei que você era a filha que minha mãe sempre quis ter: era equilibrada, ajuizada, um pouco menina demais, mas sempre muito decidida em se cuidar, com os melhores cosméticos, a melhor alimentação e uma dedicação ponderada, um tanto quanto irônica, aos estudos. Eu ficava como a irmã mais velha, pentelha, tosca, que tirava sarro de você por gostar tanto da sua presença que é isso que os irmãos mais velhos fazem: beliscam, mostram a língua quando a mãe não está olhando, enfim, azucrinam.
Eu era a doida, a perdida, a dramática, a que vivia no vermelho, batia o carro toda semana e falava coisas loucas e sem sentido. Eu era a gordinha, a meio baranga e brega, a que não sabia lhufas de francês, a que não ia nos melhores restaurantes, a que comprava roupa na C&A e achava o máximo, a que não ia passar o Reveillon em Paris e a que ainda por cima fazia análise. Eu ia na análise, e segundo as minhas amigas, que você conheceu melhor do que eu, não adiantava nada, porque eu continuava sendo completamente maluca, não conseguia ter rotina pra nada e só me metia em roubadas sentimentais.
Eu não tinha orgulho nenhum de mim, mas tinha de você. Tanto é que durante um período me matriculei numa academia e comecei a fazer um plano, que denominei de "What a feeling", o que fazia você rir e toda vez que você ria o mundo se iluminava um pouco pra mim, porque eu podia ser pirada, mas fazia você rir, não deixava você sozinha e te amava como uma irmã. Lembro de uma das nossas últimas conversas, eu ia pros EUA e a gente sentada no café, e eu te olhava e dentro de mim era o mais puro afeto, o mais cálido sentimento de bem querer.
Mas uma dia, essa nossa grande amiga me disse que você falava, afirmava, que eu era sua amiga por interesse, e que o meu namorado tinha dado em cima de você. Fiquei sem palavras. Fiquei com raiva, sim, magoada,e senti muita dor ao constatar que era verdade. Sabe, até hoje eu prefiro me denegrir do que acreditar que você mentia. Eu era meio sem noção mesmo. Mas entenda que a dor que eu senti foi tão funda... todos os meses seguintes, eu lembrava de você em vários momentos do dia, da semana, e até hoje lembro.
Queria te pedir desculpas porque gostei muito de você, tanto, tanto, que não te enxerguei direito, não vi que você queria outra coisa, que seu coração estava em outra direção. Não vi o óbvio, eu sou muito burra mesmo e você sabe disso. Desejo o melhor da vida para você, de todo o coração. Mas, por favor, me deixe em paz.

Wednesday, February 03, 2010

Number One

Fiz que nem a Mari no Facebook: googlei a data do meu nascimento pra saber qual era a canção número um da parada da Billboard na semana que vim ter ao mundo, e olha só o resultado:

http://www.4shared.com/file/132288543/992c36e9/Emotions_-_The_Best_Of_My_Love.html?s=1

Ela ficou com "Hot Stuff", da Donna Summer... a minha é simpática também! Viva a era disco!

E nas semanas seguintes, só deu Star Wars Theme! Isso explica muita coisa da minha personalidade...

Monday, February 01, 2010

O povo é quem mais ordena


Esses tempos, tive o privilégio de revisar a dissertação do meu querido Michel. Na epígrafe do trabalho dele, uma coisa tão bem-feita que eu tive problemas ( corrigir texto bom é triste), estava a letra de Grândola, Vila Morena. Eu não conhecia a história, e ele me contou no meio de uma boa canja, como sói acontecer: a canção de Zeca Afonso tocou à meia noite do célebre 25 de abril de 1974. A família de Michel teve que fugir do Portugal salazarista, como tanta gente que anda nessa velha Campinas, e o avô dele não pôde voltar à terra natal. Mas Portugal viu nascer o dia dos cravos.

Saturday, January 30, 2010

Surpresa

Hoje eu pus meu laptop na cama e estava no toc, toc, toc, das preocupações e dos trabalhos de Hércules usuais, quando de repente... já eram oito da noite, e de repente...

O sol bateu direto no meu rosto. Apaguei as luzes do quarto, num sobressalto. Hoje o sol se pôs na frente da minha janela, do meu quarto de dormir. E nesse minuto eu vejo o pôr-do sol, amarelo, laranja, vermelho e violeta, atrás dos prédios, de uma árvore e do perfil da Igreja de São Benedito. Viva o pôr-do-sol, três vezes viva!

Tuesday, January 26, 2010

Saci Pererê


Tá dureza esse início de ano.


Fiquei muito triste com o terremoto no Haiti e os deslizamentos em Angra. O ano já começou trágico. Pra completar, o tempo não se define, e num mesmo dia você passa por um calor senegalesco e um ventinho de Campos do Jordão.


E no jardim das veredas que se bifurcam da panda... pra variar tô muito de saco cheio comigo mesma. A pandinha até tem boas idéias, mas eu tenho muita idéia, e daí eu fico confusa e fico com n coisas sem terminar. Hoje resolvi limpar minha caixa de email, eu tinha email de 2007 pra vocês terem uma idéia, e daí vários projetos, contatos, tramóias e picaretagens que tentei nos últimos três anos vieram à minha mente. Eu só não inventei a roda e/ou descobri a América por telefone. O resto, de tudo eu fiz. Tradução, revisão, tese, artigo, congresso, um oi pra quem tá longe, uma encheção de saco pra quem tá perto, banca, concurso, enfim. Sempre fui muito criticada por isso, na academia: as pessoas preferem a especialização, a calma arrogante do cara que se sabe incontornável, do que uma criatura que vive tendo idéias mirabolantes.


Faz uns anos, isso foi em 2003, eu escrevi um projeto que denominei de Pererê: porque ele era afro-descendente, pobre, deficiente físico e ninguém acreditava nele, já que o dito era parte do folclore popular. Vocês podem não acreditar, mas muito do meu sofrimento no ano passado foi porque o Pererê foi engarrafado e posto pra andar de patinete por aí. Sim, meus caros: cinco anos depois o pobre ser lendário sumiu no redemoinho das ambições e arranjos políticos universitários, e ele, o próprio, pretinho, sem uma perna e peralta, foi parar em outro lugar, muito longe de sua mamãe panda.


Depois de muitos meses sofrendo, resolvi que eu ia atrás do Saci. Enfim. Tive que ter outra idéia mirabolante, pra poder me aproximar do terreiro do povo que prendeu o Exuzinho, e acenar de longe pra ele, preso num garrafão verde.
Mas, como todos sabem, o Saci é uma criatura rebelde e adora fazer travessuras. Ele fez das suas, claro: quando tiraram o cidadão da garrafa, ele resolveu confundir o povo mais ainda e agora ele tá meio sumido. Eu fico aqui no meu terreirinho, e já comprei uma provisão de fumo de rolo pra ele, pra quando ele voltar. Os Pererês são livres, eles vão pra mata e encontram seus amiguinhos Boitatá, Iara, Curupira e Mula-sem-cabeça, mas eu sei que um dia ele vai voltar, porque eu posso não ter acreditado muito nele quando o bolei, só que eu acreditei bem mais do que o pessoal que o levou embora. E também nunca pus ele pra dançar salsa, ou participar de competição de surfe!
Acima, o saci do Lobato.

Friday, January 22, 2010

Garotos se apaixonam

Continuando na saga da música oitentista, pra desespero de alguns leitores...


Acho que uma das músicas que eu mais ouvi na vida foi "Boys do fall in love", do Robin Gibb. Que também é um dos videoclipes mais non sense da história, mas tudo bem... então eu deixo pra vocês, nessa sexta-feira à noite, uma sugestão pra baladinha do finds! Porque garotos se apaixonam, mesmo em naves espaciais. Detalhe pra tequinologia da época, e saibam que os irmãos Gibb ( vulgo Bee Gees) cantam no corinho do refrão.

Monday, January 18, 2010

Estrelas

Fiquei nesses dias me recuperando de coisas tristes, doloridas.

Começo a pensar que cada vez que a gente encontra gente do mal na nossa vida, a gente depois precisa de um tempo pra se recuperar, pra ficar quietinho, na nossa, curando a ferida. Ontem comprei rosas muito bonitas, e fiquei na minha, tomando chá e ouvindo música árabe, pensando no jantar maravilhoso que eu tive no Tenda Árabe com o Michel. Eu quero meu coração batendo inteiro, limpo.

Fucei e achei no Orkut uma comunidade muito legal de música árabe. O povo fala mal do Orkut, mas em termos dos colecionadores de músicas, aquilo é o canal. Você encontra gente carinhosa que ripa LP, e posta preciosidades, pérolas da boa música do mundo todo. Já agradeci, aqui, no Meio, várias vezes, a esses anjinhos do MP3, e agradeço mais uma vez: porque não é pirataria o cara pôr o link da primeira gravação, de 1910, da canção Salma Ya Salama, um dos hinos da canção árabe, na voz do compositor, egípcio, Suef Derwish, ou de melodias que remontam aos tempos que o Califado de Bagdá mandava na Península Ibérica.
Mas voltando. A grande cantora do mundo árabe é a libanesa Fairouz, que, mesmo nos tempos mais duros da Guerra Civil, permaneceu em Beirute, e que canta pra cristãos, muçulmanos, músicas tão bonitas que parecem sonhos. Ela é conhecida como Embaixadora do Líbano nas Estrelas: acho que o título já diz tudo. Ela foi casada com um grande compositor e músico, Assi Rahbani, que, junto com seu irmão, compôs trilhas sonoras de filmes, operetas, peças de teatro, que eles encenaram em vários países durante décadas. Hoje, ela trabalha com músicas do filho dela. A voz dela parece vinda do Paraíso. Abaixo, uma dessas composições dos Rahbani, por Fairouz. A delicadeza disso...

http://www.4shared.com/file/108012992/5705fae5/16_Nassam_Alayna_El-Hawa.html

Saturday, January 16, 2010

A quem não gosta de mim

Eu queria lhe escrever uma carta.
Pra dizer o seguinte, em termos gerais: não aguento mais ficar triste por sua causa. Você não gosta de mim, eu entendo e aceito. Por muito tempo me culpei por isso: revirei todas as minhas ações, gestos, palavras, até a exasperação, pra encontrar o motivo pelo qual você não gostava de mim. Me torturei inteira, me quebrei em todas as partes, me analisei em todos os meus defeitos e falhas, minhas inadequações de linguagem, minhas ignorâncias, desacertos, os limites tão estreitos da minha neurose. Dediquei meu tempo à infelicidade. A me sufocar na dor, na falta de esperança, senti até os ossos saudades suas, senti o frio do seu desamor, sofri com a sua ausência e fiquei sem palavras.
E você se obstinou a não me amar, até o fim, não só me rejeitar, mas passar por cima de mim sem ter compaixão. Você falou claro, não quero fazer nada em relação ao que te aflige. Não importa o que era; era algo grave, grande, sombrio, não dizia nem respeito a mim mesma, mera ninfa que te seguia os passos no bosque e que via você, enamorado de si, olhando pro lago sem parar: era algo que fez até canalhas no mundo inteiro se comoverem, mas não, pra quê sentir compaixão de alguém como eu, mero eco.
Eu quero ser feliz. Como todo mundo. Eu sou banal. Eu sou pequena. Me comovo com facilidade. Sonho sonhos bobos. Não sei tantas coisas, mas sou feliz com poucas. Escrevo besteiras que quase ninguém lê. Gosto de pão com manteiga, dos brilhinhos na minha calça jeans nova, gostei de ontem jantar com um amigo num restaurante árabe, tomar Arak e dançar com a moça da dança do ventre, uma coisa que eu nunca poderia fazer com você, aliás, pra você era triste a minha mania de querer experimentar um restaurante diferente. Pra você era triste me agüentar porque eu dizia que gostava de você. Você não gostava de mim, e não gostava que eu dissesse que eu gostava de você. Detestava os meus arroubos de afeto. Pois é. Eu abraço, beijo, digo que tenho saudades, me preocupo, quero estar junto, eu quero ajudar, me preocupei com pessoas que não conheço no Haiti. Eu sou algo incompreensível pra você: sou alguém que se importa. Me perdoe por isso. Me perdoe por ter lhe dito adeus.