Monday, June 05, 2006

Trilha Sonora do Meio do Caminho- Pop, Brega, Caribe e Afins

Para continuar com as comemorações de um aninho do nosso querido Nel Mezzo, o único brougui dantesco do Brasil, quiçá do mundo, para vocês pérolas da trilha sonora, a pedidos.
Pra baixar, muito simples. Clique no link, e entre no site www.rapidshare.de. Vão aparecer duas opções, clique Free. Mais uma tela, e vão pedir pra você digitar umas letrinhas. Pronto, a caixa de download aparece, salve onde achar melhor e escute, porque quem fica parado é poste!
1)La Compagnie Créole, C'est bon pour le moral: esse grupo é da Martinica, gravou vários discos e fez relativo sucesso aqui, porque algumas músicas entraram em novelas da Globo. Essa aqui é irresístivel em qualquer festinha, e ainda tem a versão mais deliciosa ainda da Rita Cadillac:
2)The Tramps, Disco Inferno: tenho um afeto especial pela disco music, como todos sabem. Essa música aqui, trilha do Embalos de Sábado a Noite, deve tocar no Inferno. Toda vez que eu escuto, imagino os diabinhos todos de costeleta e calça boca-de-sino dançando sem parar Disco Inferno! Burn, baby, burn!E na versão extendida!
3)Almir Rogério, Fuscão Preto: em homenagem a Gerião, taí pra vocês o grande sucesso, que deu origem ao filme com a Xuxa, na época que ela era da pesada. Notem que isso é um vaneirão bom demais pra dançar, aquela coisa "minha prenda" básica!
4)Madonna, Hung Up: eu sei que você ouviu isso aí no rádio, na MTV, em todos os lugares nesse verão que passou, e que eu fiquei trancada escrevendo relatório FAPESP. Mas peraí, com isso a tia se redimiu de todas as bobagens que anda fazendo, incluindo casar com aquele chato e ficar dando uma de madame inglesa. Põe o quarter e se joga, negão!
E depois, mais musiquinhas, receitas e recadinhos especiais!!!!!!!!!!! Aguardemmmmmm!

Saturday, June 03, 2006

Festinha de aniversário

E o brougui faz um ano.

Isso mesmo, queridos leitores. O Meio do Caminho, nesse mês frio, faz um ano. Nasceu perto do Dia dos Namorados, ou melhor dizendo, o Dia de Santo Antônio, em meio às comemorações juninas. Há um ano, eu estava numa dieta brava, e comecei a escrever motivada por vários blogs de garotas legais, que formam uma liga na internet, os famosos Diet Blogs.
Há um ano, eu estava estudando inglês, que nem uma doida, por conta, pra ir pros EUA, e ao mesmo tempo montando um painel de festa junina para o aniversário da Ana Clara, filhinha da minha querida amiga Elisa. Acho que esse painel foi a melhor coisa que fiz na vida: juntei papel cartão azul escuro, fiz uma graminha verde embaixo, balões e estrelas ao fundo, bandeirinhas e achei nas Lojas Americanas uma bonequinha ruiva, que ganhou tranças e uma saia de caipira graças aos dotes de minha sogrinha.
O Meio do Caminho surgiu e ganhou vida própria, como o cartaz da Ana Clara. Comentou de coluna do Diogo Mainardi, passando por fatos trágicos, cômicos e tragicômicos, ocorridos no Brasil, no mundo e com a autora, que de autora virou panda. Provocou polêmica, passou batido, foi pra Chicago, trouxe receita de bolinho de chuva, muitas play-lists, muita música, Dante, enfim, uma parafernália só.
Lembram do motoqueiro cor-de-rosa? Ele foi assunto de uma das pequenas crônicas do blog, em dezembro. Pois é, descobri que esse herói é soropositivo há anos, e que um dia, cansado do preconceito, da tristeza de ver amigos morrendo, cansado desse mundo campineiro chato e enjoado, comprou a moto e virou a Penélope Charmosa tão querida.
Lembram da Ana, do Gabriel, dos gaúchos de W Chestnut? Essa gente continua minha amiga, via internet mato as saudades tão fundas que sinto da terra do Al Capone.
Lembram da receita que dei dos Homens na Cozinha? Gente, diminuam a receita pela metade, porque dá pra alimentar umas dez pessoas com a receita que dei. Mas a de bolinho de chuva é perfeita.
Nesse mês de aniversário, aguardem, vai ter bolo, brigadeiro, balões coloridos, link de musiquinha pra baixar, poeminhas, beijos especiais, recordações, enfim, pedaços desse coração que apesar de mal humorado nos últimos tempos, tem no espaço virtual uma sua extensão.

Friday, June 02, 2006

Pé na tábua

Falando com Tati, amiga e leitora fiel deste brougui, me dei conta de que realmente, ando num mau humor desgraçado.
Essa semana foi lindja. Liguei na Fundação de Desamparo ao Pesquisador do Estado de São Paulo, vulgo FAPESP. Há três anos atrás, mandei um pedido de bolsa de doutorado. No meio do caminho literalmente, a bolsa de 4 anos virou 3, e como se sabe ninguém consegue escrever tese em 3 anos. Para pedir a renovação, os gnominhos da FAPESP decidiram que você precisa mandar o relatório anual dois meses antes. Foi o que fiz, me matando de trabalhar dezembro, janeiro, e tudo o mais. E até agora niente. Liguei na Batcaverna. Dois problemas me assolam: o fato da renovação não ter saído, e os gnominhos estão cobrando ( AINDA) coisas da passagem pra Chicago. Agora inventaram, depois de tudo, que tenho que pegar uma declaração da United Airlines dizendo que fui e voltei. Se eu não conseguir isso, tenho que pagar a passagem. Olha só que lindo!
Ou seja... resolvi procurar bicos por aí. Liguei em dois departamentos de universidades federais, atrás de concursos, cartaz de revisão, e boca no mundo. Vai em um, vai no outro, cobra palestra no IA, e la nave va. Um verdadeiro inferno. Consegui um bico pra fazer o currículo LATTES da minha amiga Ema, do Centro de Memória. O problema reside no fato que a Ema trabalha que nem uma louca, uma carreira de mais de quinze anos, e nunca tinha feito LATTES antes. Então vocês imaginam o que foi.
Pra piorar, fui ajudar o Paulo na aula pro primeiro ano. Os meninos resolveram não gostar de Michelângelo. Eu tava péssima, pensando no boleto que chegou e eu não tenho dinheiro pra pagar, essas coisas. Dei uma bronca neles que eles perderam o rumo da Sistina.
Ando chatíssima. Então, desculpem, leitores fiéis do Meio do Caminho, mas ando totalmente na selva obscura. O que me salvou foi o artigo na Entre Livros e as musiquinhas que fico baixando no Orkut. Agora tô ouvindo I got my mind set on you, do George Harrison. Lembram dessa? E de Uptown Girl, do Billy Joel? Agora, fiquei rindo três dias da versão do grupo Tremendo ( é, isso é tremendooooooooo) pra Easy Lover, do Phil Collins: Inflamável... meu, tradução Tabajara taí!

Sunday, May 28, 2006

Notas de rodapé

1)Não, não veio ainda a resposta da renovação da bolsa. Não sei como vou pagar as contas do mês que vem. Pela primeira vez em anos isso me acontece. Tô virando biscateira, a partir de agora. Se vocês souberem de alguém que precise de revisão de texto, traduções inglês ou italiano, digitação, aulas de História da Arte, Sociologia, História, aula particular de inglês, enrolação de brigadeiro e afins, favor contatar.
2)Se eu não sei como vou pagar minha próxima conta de luz, por incompetência da FAPESP, imagina o MASP. O meu ex-orientador e ex-curador do MASP, prof. Luiz Marques, quebrou um silêncio de anos ( e para muitos, uma inércia que veio a calhar na administração Júlio Neves) e deu uma entrevista bombástica para o Estadão, alertando para o fato que a elite paulistana não queria o MASP ( fruto, nunca é demasiado lembrar, dos métodos escusos de um pau-de-arara e de um carcamano) e concordando com a única afirmação inteligente que Cláudio Lembo fez na vida ( de que a elite branca e perversa de São Paulo não tá nem aí pra nada). Hebe Camargo, hoje, na coluna social da Folha, revoltou-se e disse que a elite é a grande vítima. Moral da história: o MASP precisa ser estatizado.
3)Na quarta-feira, dia da discussão da minha pesquisa no IEL, vesti uma calça que minha mãe me deu em 2000, quando da qualificação do meu primeiro mestrado. Detalhe, essa calça não entrava, não fechava há anos. Entrou, fechou e compôs minha elegância.
4)Estou escutando sem parar uma música que meu pai amava, La Bohéme, Charles Aznavour.

Saturday, May 27, 2006

C'est bon pour le moral

Revirando as comunidades no Orkut de música, achei essa pérola do La Compagnie Créole, regravada no Brasil pela musa épica Rita Cadillac.
Isso aí ressuscita até defunto. Foi o que me salvou essa semana. Começou tudo na alegria do lançamento da revista, vocês bem podem imaginar a minha felicidade. Na segunda-feira, lasquei a revistinha na galera da Unicamp.
Na terça, acordei cedíssimo e fui buscar Gerião e minha carteira de habilitação, que estava vencida desde setembro, fato que minha mãe descobriu quando do assalto. Mas os ladrões não levaram só Gerião, sumiram com os documentos do mesmo, que estavam dentro dele. E aí começou meu suplício. Pela legislação de trânsito, todo mundo deve trafegar com o documento de porte obrigatório, com os dados do veículo, RENAVAN, IPVA, etcs, etcs.
Fui no Perda de Tempo e fui informada que deveria anexar xerox do CIC, RG, blablabla, e uma declaração de próprio punho com firma reconhecida no cartório. Depois, deveria levar o carro pra vistoria, feita em dois lugares aqui em Campinas: no DETRAN da avenida Amoreiras, o inferno em forma de lugar, e o Campinas Shopping, na entrada da cidade, onde Judas perdeu a cueca. Sendo mais longe, e também num lugar feio pra cacete, fica vazio. Escolhi o tal do Peroba Shopping.
Eu deveria ter desconfiado, porque perguntei do procedimento quando fui buscar minha CNH no Perda de Tempo, e ninguém sabia me informar. Chegando lá, entrei no estacionamento do shopping, um monstro como só os campineiros sabem construir, pra descobrir que o negócio ficava do outro lado. Dei a volta, saí, e entrei num túnel moquifento. O guarda, você tem certeza que tá tudo aí?
Eu deveria ter desconfiado, né? Bom, parei o carro, veio uma moça com uma má vontade comovente. Ela, ah, mas tá faltando um xerox aqui. E taca eu sair do moquifo, dar a volta, entrar no shopping de novo, estacionar e ir tirar o xerox mais caro da minha vida, 0,30 ( pra vocês terem uma idéia, na Unicamp custa 0,10).
Comi um cachorro-quente muito bom, o que melhorou meu astral. Pego o carro e volto no DETRAN. Sou atendida por um cidadão de cabelos parafinados, um surfista na praia da Anhangüera. O cara, mas tá faltando o pagamento de uma taxa! Fiquei pasma! Falei, mas ninguém me informou nada! E o babaca, PROBLEMA SEU, não tenho nada com isso!
Nossa, gente, daí o caldo entornou. Eu costumo ser uma pessoa gentil e educada. Mas daí perdi a paciência. Tava nessa a um mês e meio. E falei, não, o problema é de vocês. Vocês não tem o sistema de vocês do cacete, que pra cobrar multa é uma beleza, agora pro resto é uma bela merda! E saí cantando pneu.
No dia seguinte, fui no Perda de Tempo e dei um chilique que vocês não fazem idéia!!!!!!! C'est bon pour le moral, capisce?

Fuscão Preto

Gerião, na mitologia grega, era o rei gigante, de tríplice corpo, da Hispânia. Um dos trabalhos de Hércules foi raptar os bois do gado desse rei, que alimentava os animais com a carne dos seus hóspedes desavisados. Nos vasos gregos, Gerião é um homem triplo, que luta com Hércules de forma violenta.
Dante leu Virgílio, que diz na Eneida ser Gerião "o da tríplice forma". Como Dante não conhecia as imagens dos vasos gregos nem estátuas antigas do rei, preencheu a forma tríplice com um rosto de homem justo, corpo de serpente e patas de leão. Gerião leva, de carona, Dante e Virgílio no abismo insondável do Inferno.
Meu carro é carinhosamente chamado Gerião, um monstrinho que me leva pra tudo quanto é lugar nessa vida. Trata-se do Celtinha preto, pé-de-boi, cuja presença causa dissabores ( agora Gerião está desbalanceado, e de vez em quando fica com fome, nas horas em que sua proprietária está sem nenhum dinheiro) mas também alegrias imensas.
Essa semana Gerião retornou à sua vala no Inferno, depois de ter sido levado pelos bandidos no assalto, ter sido largado no meio da Anhangüera, ter sido depenado num desmanche ou no pátio que a polícia o colocou, ter sido levado pruma oficina desonesta que queria empurrar peças de segunda mão para que a seguradora não desse perda total, ter ficado sem seus documentos por inépcia do DETRAN, ter repousado sem bateria na garagem da minha mãe.
Por isso que eu andava escutando que nem louca o clássico Fuscão Preto. Por isso.

Saturday, May 20, 2006

EXTRA! EXTRA! PANDA NAS BANCAS!

Tenho a honra de comunicar aos leitores do Meio do Caminho, o único blog dantesco do Brasil:


Está nas bancas o volume Dante Alighieri, volume 1 de uma série sobre os clássicos da Literatura, lançada pela revista Entre Livros. Ensaios de gente bacana, como os professores Carlos Berriel, Newton Bignotto, Andrea Lombardi, Aurora Bernardini, o poeta Eduardo Sterzi, sobre o grande florentino. E um ensaio sobre Iconografia Dantesca no Renascimento, escrito pela única panda que tem blog dantesco no mundo!!!!!!!!!!!!!!!
Isso mesmo!!!!!!!!! A revista está linda, super bem ilustrada e escrita. Está meio carinha, 12,90, mas acho que vale a pena. O número 2, sobre Shakeaspeare, também já está por aí. Corri pra buscar a minha, e detalhe, no meu ensaio, as fotos que vocês vão ver foram feitas pela própria panda, com a saudosa Porpetta ( pois é, os ladrões levaram a minha máquina fotográfica, mas a canseira em South Bend valeu a pena!).
Nem preciso dizer, estou super feliz e orgulhosa por ter participado dessa iniciativa pioneira. Convido a todos a leitura do meu ensaio e dos outros, é claro!

Friday, May 19, 2006

London, London

Gostaria de agradecer os comentários do Fabiano, que está em Londres.

Não é a primeira vez que me lêem de Londres. Reencontrei Tati quando estávamos as duas exiladas em terras anglo-saxônicas: ela, na cidade da Rainha, e eu, no fim de mundo ( literalmente) de Chicago.
De Londres só conheço a vontade de ir pra lá, e o que dizem: que chove o tempo inteiro, que a comida inglesa é uma porcaria, e que tudo é caríssimo. Tomara que o Fabiano esteja comendo bem, pegando sol e gastando quase nada! Hoje, impontualmente às quatro e trinta e nove, horário de Brasília, tomei meu Earl Grey Tea, da Twinings, com bolachas Água e Sal Marilan. À saúde do Fabiano!

Thursday, May 18, 2006

Tarsila

Num belo domingo universal,
a janela,
e o mamoeiro.


Ando desperdiçando beleza longe de ti.

Exegese bíblica

A carne se fez verbo
e o amor habitou entre nós.

Monday, May 15, 2006

Ataques em São Paulo

E São Paulo, cuja classe média e alta considerava cidadela inexpugnável, caiu nas mãos do PCC.
Os paulistanos ficaram anos vendo as coisas virarem guerra civil no Rio, sofrendo eventuais assaltos e percebiam que a coisa estava preta, mas nunca com essa magnitude. Toque de recolher, sugestão por parte do presidente da República de tropas, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está a caminho para um encontro com Cláudio Lemos. 80 mortos, o caos numa cidade que já é caótica, inviável, desumana, com um sistema de transporte, em algumas regiões, pífio. Em Osasco e em Campinas, aconteceram coisas semelhantes. As crianças não foram pra escola, estudantes não foram para suas faculdades, gente a pé na rua, o desespero.
Bom, agora eu sei que vai ter leitor do Meio do Caminho que vai querer saber sobre as consequências políticas disso tudo: a candidatura de Geraldo Alckmin, que estava dura de decolar, vai emborcar de vez. Nosso ex-governador deu a declaração infeliz que não havia bandidos no nosso Estado, um dia depois os presídios se levantaram e não se abaixaram mais. Um delegado foi INCENDIADO.
Mas isso não invalida todas as críticas que se possam fazer, mais e algumas, à toda bandidagem do governo Lula. Eu acho que, nesses 21 anos de regime democrático, nós nunca estivemos numa situação tão pior, no nosso país. Se você olha pra direita, vê o PFLão de sempre com seu jargão idiota, e o tucanato imbuído dos mais medíocres métodos de administração pública. Se você olha pra esquerda, vê algo que meu pai, numa das nossas últimas discussões antes da sua morte, me disse: esses caras eram sindicalistas, e convenceram os letrados porque intelectuais da USP criaram a mística do PT. Mas o peleguismo, a falta de caráter, a quadrilha, isso não deu pra disfarçar, no governo federal.
E a bandidagem? Olha, desde o massacre do Carandiru ( emblemático) que se percebe, o sistema judiciário e policial, o governo, a coisa aqui no Estado de São Paulo vai mal, muito mal. Engano dos paulistanos que olham com pretensa superioridade para o Rio de Janeiro. A cidade, espalhada do jeito que é, esconde a podridão. O sujeito não vê a miséria na janela, não tem morro, mas o crime organizado é mais organizado que o aparelho estatal. Eles estão em todos os lugares, e aprenderam a agir em série. São apoiados por parte da população pobre. E vão continuar, mesmo que os líderem sejam mortos. Pena de morte não dá conta, não se iludam. Matam um, criam dez. Mataram no Carandiru, reforçaram a criação do PCC. Isolam os líderes, instala-se a guerra civil. E Cláudio Lemos é jurista, e do PFL paulistano, ou seja, o conservador dos conservadores. A Opus Dei não dá conta disso também. Que fazer? Não sei, estou em estado de choque.

Sunday, May 14, 2006

Mas que número mesmo você usa, bem?

Agora, post revolta.
Esse post surgiu de um papo, via msn, com Dani Manica, querida amiga e leitora do Meio do Caminho.
Fui comprar uma roupa pra ir na festa importante e chique em São Paulo ( esperem o post, está assando). Peguei o busão e fui pro Iguatemi, mais tranquilo que o monstro Dom Pedro, e como eu estava de Mercedes de motorista e cobrador, não ia pagar os famigerados 2,5 da taxa do estacionamento.
Me encaminhei para a Luigi Bertolli, loja que causa polêmica. Larissa e Dani aprovaram coisas que vimos juntas essa temporada, Ana Paula e Luisa dizem que lá tudo é muito porcaria. Enfim, quando entrei pro Programa de Formação de Quadros Profissionais do Centro Brasileiro de Análise de Planejamento ( para os íntimos, o conjunto Golden Boys, que toca junto com o vocalista Zé Arthur Gianotti, e motivo da festa), comprei coisas lá que duram até hoje, inclusive duas calças.
Bom, começou com a pergunta aí em cima. Eu falei, costuma ser 44. Olha bem, disse a vendedora, pra você é 46.
E não é que nem o número 46 entrava em mim? O chão abriu nos meus pés. Tudo bem, exagerei na feijoada um dia, fui jantar na Macarronada Italiana no outro, comi meio pacote de biscoito, mas peraí!
Como todas as mulheres leitoras podem imaginar, fiquei na crise existencial. Meu Deus,sou uma baleia, blablabla, etcs e tal. Fui pra Renner, peguei uma 46, a bichinha caiu aos meus pés. A 44 ficou perfeita. Cheguei em casa. Engordei nos últimos anos, mas a 42 que comprei há exatos cinco anos continua vestindo, fechando e tudo o mais. Detalhe, da mesma Luigi Bertolli.
Dani Manica teve a mesma experiência na Taco, loja muito boa inclusive, de jeans e camisetinhas bacaninhas. A irmã da Dani, na mesma compra, levou peças 42, 44 e 46. As duas ficaram pasmas e indagaram do gerente a razão da disparidade. Ele falou que cada peça é pensada para um público de idade diferente. Então, para as peças de gente mais jovem, o 38 vira 44. Agora, me diz, isso é um crime! Então garotas novinhas, que porventura sejam mais cheinhas, vestem 48, 50, quando na verdade estão no 42, 44. E não encontram roupas na Taco. Aliás, não encontram roupas em loja nenhuma, a não ser na Marisa, Renner e C&A, dependendo da linha desses lugares. Cara, vão todos catar coquinho no mato. Eu dou a maior força pro crescimento da indústria da moda brasileira: tem estilo, tecido bom, corte legal, idéias criativas. Agora, eu prefiro a seriedade das lojas americanas, onde a numeração é seguida a risca. Pra vocês terem uma idéia, nas lojas da GAP existem tabelas, e se a peça estiver fora do padrão, você pode pôr os caras no pau e levar uma grana.
Então, de novo, vão catar coquinho no mato, e o INMETRO que se vire.

Dia das Mães

Feliz Dia das Mães para todos! Mães, filhos, pais, tios, avós, sobrinhos, primos e primas, vizinhos e adjacências. Mãe é mãe, só tem uma, porque se tivesse duas... já pensou?
Minha mãe tá assando um frango, toda animada, porque meu irmão veio da Plataforma das Águas Profundas. O cara tá trampando na Petrobrás, fica vinte e cinco dias embarcado, quinze em terra, então vocês sentiram o drama.
Mãe é mãe. Não tem jeito. Um dos meus sonhos é um dia ser mãe. Vamos ver... penso em adotar, se não puder ter do jeito tradicional, e mesmo se puder. Primeiro, como todo mundo, quero estabelecer uma estabilidade profissional e financeira mínima, pra poder curtir os filhotes. Estabilidade emocional, sei que não vou ter mesmo, porque minha família é de gente desvairada.
Essa semana eu e a minha progenitora estávamos rindo, lembrando de minha avó Maria. Ela era brava, se estivesse por aqui ia puxar a orelha de todo mundo. O caso foi o seguinte: tive uma festa chique e importante pra ir em São Paulo ( post daqui a pouco). A Renner me salvou ( de novo), comprei um sapatinho e lasquei uma escova no cabelo. Mas fiquei com vontade de usar um anel, que minha santa Dona Meire ( a que me acolheu em sua barriga e passa a vida cobrando esse fato) me deu quando de minha formatura. Coisa simples, mas é de ouro. Fui pegar o anel, tava preto. E minha mãe lembrou que dona Maria recomendava pasta de dente para limpar anéis e coisas de ouro. E pensei, claro, o negócio é esse, imagina aquela Kolynos velha de guerra, ótima pra limpar tudo, até dente. Peguei a pastinha pós-moderna nossa de agora, que de abrasiva não tem mais nada, mas mesmo assim, pimba, ficou limpinho. Mãe é isso.

Tuesday, May 09, 2006

Uma mão no cravo, outra na ferradura

Notícias péssimas.
Pedi uma bolsa de três meses pra Newberry, pra voltar pra Chicago. Veio a resposta, negativa.
Hoje, fui atrás da bolsa CAPES PDEE, pra ir pra Itália, como havia combinado comigo mesma, com meu orientador... descobri que não posso pedir essa bolsa. O pessoal da secretaria da pós pôs a corda no meu pescoço. A renovação da FAPESP, nada. Enfim, mesmo sem bolsa, vou ter que escrever a tese na marra, sem ter ido pra Itália.
Chorei tanto... chorei demais. O sonho de ir pra Itália novamente adiado. O sonho de fazer uma tese decente, enfim, tudo, tudo.
Olha, leitores do Meio do Caminho. A coisa tá preta. Fazer o quê? Nem sei por onde começar. Parei pra pensar e achei que fiz tudo errado nesses anos do doutorado. Saindo de uma situação financeira pra lá de precária, a bolsa da FAPESP serviu pra eu viver, mas não financiou propriamente a pesquisa. Comprei brigas que não eram minhas, investi em colegas que me passaram pra trás, e deixei que minha vida sentimental azarada entrasse em tudo muitas vezes.
Acho que preciso me consolar pensando que fiz o que pude. E vamos pra luta.

Monday, May 08, 2006

De perdas e danos, em Campinas

Enfim, dois meses depois do assalto e a coisa continua empacada.
Os caras da seguradora resolveram me sacanear, pra completar a porcaria toda. Para baixar o valor do conserto e assim não dar perda total, colocaram peças de segunda mão ( roubadas, provavelmente... hahahahha) no carro. Bancos rasgados, cintos quebrados. Minha mãe foi à luta enquanto eu fui pros congressos da vida. Agora, de volta à Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, me vejo na seguinte situação: continuo a pé, e vou enfiar os caras no pau. E taca ir no Procon e tudo o mais.
Hoje fui no Perda de Tempo ( ops, Poupa Tempo) tirar a segunda via do documento de porte obrigatório do carro. Depois de duas filas, recebo a informação que preciso anexar a uma declaração xerox do CIC, RG e comprovante de residência. Estava sem o último, voltarei lá de novo.
Minha carteira de habilitação estava vencida desde setembro. Minha mãe descobriu depois do assalto. Fiz o curso da renovação, e quarta faço a prova. Depois escrevo do curso, foi hilário, graças ao meu instrutor, o Lima, um personagem digno do Meio do Caminho. Outro post, outro post.
E ninguém tinha me avisado que eu precisava justificar no referendo de armas ( estava em Chicago). E lá fui eu duas vezes no Cartório Eleitoral de Campinas. Me pediram pra voltar depois, porque o negócio estava burfado de gente. Agora não é prazo pra nada na Justiça Eleitoral, então estava vazio. Fui informada que deveria me encaminhar pro terceiro andar do Fórum de Campinas, que deve ser o prédio mais feio do mundo.
Chegando lá, depois do Perda de Tempo, aviso na porta, só abre meio dia e meia. Fiz uma hora no Franz Café, e depois subi pro Palácio da Justiça. Mas não é que tem duas escadas no prédio. Tô escalando, vem um polícia e me mostra a placa: ESCADA EXCLUSIVA PARA PRESOS, CONDENADOS E ADVOGADOS.
Me informam no terceiro andar que preciso ir ao térreo. Tomo o cuidado de descer pela escada certa, vai saber! Chegando no Cartório Eleitoral, sou prontamente atendida e recebo uma multa de R$3,51, para pagar em bancos ou casas lotéricas. Tem uma agência do Nossa Caixa Nosso Buraco EM FRENTE. Digo pro cidadão do Cartório, ah, eu pago na frente. Ele, não, peloamordedeus, eu briguei com a gerente, ela disse que esses pagamentos ( dos Guias de Recolhimento da União) não podem ser pagos aqui. Moral da história, tenho que descer de novo, ir no Nossa Caixa do outro lado do centro de Campinas, pago a taxa e fico quite com a Justiça Eleitoral.
Recebi minha última bolsa. Mês que vem, não tenho salário. Enviei o pedido de renovação em fevereiro, e até agora nada. É uma palhaçada. Pelo menos os gnominhos da FAPESP resolveram não me cobrar a grana preta que queriam, mas perderam o cartão de embarque do trajeto São Paulo-Chicago e tão me cobrando. Vou ligar lá amanhã e desancar.
Pra completar, preciso fazer uma tradução picareta, terminar um artigo sobre a Iconografia dos Profetas do Aleijadinho, dar uma aula na quinta ( tô de estepe do Paulo de novo no IA), começar meu exame de qualificação, e na sexta tem a grande comemoração dos 20 anos de Programa de Formação do Cebrap, programa ao qual a pequena panda deve muito. Reencontrarei amigos queridos e odiados desafetos. Agora me diz, nisso tudo, ouço Fuscão Preto, Almir Rogério, e segura na mão de Deus e vai, minha filha.

Monday, May 01, 2006

Lavou, tá novo

Para quem sentiu falta da panda blogueira, boemia, aqui me tens de regresso!


Entre desvãos de sentimento, encontros, desencontros, transas e caretas, ladeiras e novas e velhas amizades, compromissos profissionais e lavagens de roupa, passei o mês de abril. Eis que se inicia o mês das noivas com perturbações, leituras das Bucólicas do Virgílio, choros em lugares estratégicos e audições de instrumentos históricos. Pra vocês verem, ressuscitei do mundo dos mortos.

Agora, Assis, mini-curso, mais roupa pra lavar e depois resolver pepinos como os do carro ( ainda estou a pé), carteira de motorista e exame de qualificação. Ou seja, a agenda tá lotada, mas o Meio do Caminho vai ser retomado sim. Poxa vida, sinto falta dos comentários, da leitura dos milhões de fãs ( ehehehe, além de tudo sou modesta) e de organizar as idéias, porque, como diz um amigo meu, muito vento na cabeça dá problema na vesícula.

Estou feliz apesar dos problemas, vivi belezas apesar das muitas misérias internas e externas que me assolam. Esse período todo foi uma grande reviravolta pra mim. Vamos ver no que vai dar. Agora, retomar tudo. Bom, nem preciso dizer, saudades de todos.

Friday, April 14, 2006

Lerê, lerê

Baixei a música Retirantes, do Dorival Caymmi. A da Escrava Isaura, isso mesmo.

E tá sendo a trilha sonora perfeita. Tô escrevendo meu exame de qualificação, um texto pra apresentar num congresso em Mariana, MG, e tô traduzindo um texto de Sociologia do italiano, encomenda do Josué.

E aconteceu uma coisa muito legal, mas que vai dar um trabalhão. Eu e Celo mandamos propostas para Mini-Cursos no Encontro de História Antiga e Medieval, promovido pelo NEAM, Núcleo de Estudos Antigos e Medievais, do departamento de História em Assis. E o pessoal do NEAM, que conheci no Encontro do ano passado, aceitou nossas propostas. Mas preciso me preparar e preparar uma apostila para os alunos; serão dois dias.

O problema é que tudo isso encavalou. Estou vesga. E pra piorar, comecei as aulas do curso de renovação da carteira de motorista, três dias, da uma às seis da tarde, além de ter que limpar a casa, cuidar de roupa, blablabla.

Ou seja, estou no lerê lerê. Nada de resposta de FAPESP ainda, nada de nada, não sei como vai ser minha vida no próximo mês. Vou ter que me virar mais que pião pra pagar as contas, que como todos puderam notar, vieram altíssimas esse mês. E detalhe, tudo isso sem carro nem nada, a seguradora não deu sinal de vida essa semana.

Ah, e mais um evento-panda! Eu e Zé, meu ex-aluno mas sempre amigo, vamos agitar uma Lectura Dantis na Unicamp! Sim, sim! Todas às quartas, na Arcádia do IEL, vamos ler a Divina,seis e meia. Vai ter cartaz e tudo noticiando esse grande acontecimento-panda. Seguirei a veneranda tradição, iniciada por ninguém menos que Giovanni Bocaccio, e vamos adentrar na selva oscura. Com direito à bolacha Maria e chá de camomila!

Wednesday, April 12, 2006

Dizeres

Hoje começou a contagem regressiva pra Sexta-feira Santa, dia em que minha santa mãe faz bacalhau à Gomes de Sá ( sem ovo) e canjica.
Não sei porque, mas isso é hábito campista, fazer canjica na Sexta-feira Santa. A canjica campista, porém, não leva leite de coco e amendoim, como a baiana. A minha mãe faz com um pouquinho de leite condensado, bem pouco, e cravo.
De Campos minha mãe trouxe o r puxado, a canjica e dizeres engraçadíssimos. Dela peguei a mania de inventariar falas engraçadas, como por exemplo "Meu, você vai tirar o pai da forca e a mãe da zona?" ( pra neguinho que fica dando farol alto na Dom Pedro), "chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro" ( o desespero), e "chuta que é macumba"...

Mas as minhas favoritas de todos os tempos são: "Tá no inferno? Abraça o capeta!", "Chuta que é macumba", e "Pediu pra ser feio no Vale do Eco"... hahahahahah!

Sunday, April 09, 2006

Reflexões históricas

Pensar que no Brasil a escravidão existiu até 1888. O escravo era coisa, bem semovente. Era arrolado nos inventários junto com o gado.


Pensar que durante séculos existiu o Tribunal da Santa Inquisição, que fez churrasco de milhões de pessoas.


Pensar que dois terços da população européia morreu de peste.


E pensar que Roma foi destruída várias vezes, resistiu várias vezes, e hoje é sede do governo Berlusconi.


E pensar que hoje eu fiz um teste de inglês ( no msn.com.br) e constatei que meu inglês é milhões de vezes melhor que o do presidente George Bush.

Tô que tô

Baixei a trilha de Sol de Verão Nacional.

Lá em casa, meus pais não compravam trilha de novela não. Todo mundo lia a Veja ( pois é, já foi uma revista de esquerda) e ouvia Milton Nascimento. Mas em 1982, aconteceu um fenômeno. Meu pai comprou daqueles Gradientes prateados, e desde 1982, eu ouço música de todo o tipo todos os dias.
E esse disco apareceu lá em casa. Junto com o disco um da trilha de Roque Santeiro, os dois únicos discos de trilha de novela que ouvi na vida. Essa novela ficou famosa por um motivo triste, o ator Jardel Filho faleceu bem no meio, e era o protagonista. Sim, teve época que o Jardel Filho, o Paulo Autran, a Fernanda Montenegro eram protagonistas de novela da Globo, e sim, atores não tão bonitos assim divertiam a gente nos três horários do plim-plim.
Essa trilha é bacana. A música da abertura era sim, a Simone, na época em que era boa cantora, lascando "Tô que tô", dos gaúchos Kleiton e Kledir. Mas o mais legal é um samba bonito, bonito, da Beth Carvalho. A Beth Carvalho, bem como a Simone, angariou antipatias do Oiapoque ao Chuí com pagodinhos rastaqueira ( eu acho pior o caso da Simone, que gravava Chico com o próprio e cometeu aquele disco horrendo de Natal, que deveria ter sido denunciado pra Anistia Internacional), mas gravou um dia esse lindo "Tendência", que é de dona Ivone Lara, I presume. Samba é que nem bolero, quando é bonito, acompanha a gente o resto da vida.
Semana passada, tive discussões horríveis com amigos sobre baixar ou não MP3, e o fato de ter me afastado de Mozart e Bach pra ficar ouvindo trilha de novela oitentista. Fazer o quê, tem dia que "Tendência" faz com que eu me reconcilie com a vida. Em tempo, baixei também "Retirantes"', do Caymmi, sim, sim, a abertura de Escrava Isaura, o lerê lerê, vida de negro é difícil, é difícil como o quê. Essa aí eu vou por de fundo essa semana, porque amanhã é dia de negro, diferentemente do que os racistas diziam por aí.


Lendo aqui esse post, me dei conta que eu me lembro de uma época que o Brasil era um pouquinho, pouquinho melhor do que esse 2006, que até agora foi de lascar. Caymmi em trilha de novela, Simone que gravava Chico Buarque, e a Veja era de esquerda.