Saturday, November 27, 2010

Na terra de Almeida Júnior

Essa semana, depois de passar a segunda-feira em Piracicaba e a terça em Indaiatuba, fui ter na terra que viu nascer o pintor Almeida Júnior.
Consegui, miraculosamente, ser aceita num importante congresso no Museu Republicano de Itu.
Eu fui a Itu na infância, com meus pais, almoçar no Bar do Alemão e ver o semáforo gigante na praça da Matriz. Depois, nunca mais.
Saí de casa meio nervosa, porque a FAPEPANDA (Fundação de Apoio às Pesquisas da Panda) não possui, atualmente, de fundos muito consideráveis. Pra falar a verdade, a FAPEPANDA não tem nenhum fundo, internacional, nacional, nenhum apoio de nenhum banco nem de organizações governamentais ou não-governamentais. Dito isto, a pequena habitante do Tibete saiu de casa um tanto quanto aflita, e foi imprimir seu texto na lan house da esquina.
Eu simpatizo bastante com o pessoal da lan house aqui da minha esquina, mas os dois atendentes resolveram namorar e no meio do idílio deles e da minha pressa... peguei o ônibus correndo pra Rodoviária, comprei a passagem pra Itu e... me dei conta que a pen drive tinha ficado na lan.
Chorei, chorei, chorei muito no Terminal Rodoviário Ramos de Azevedo. Uma grande ironia do destino, já que eu me propusera a falar dos colaboradores italianos do grande engenheiro-arquiteto paulista... chorei de nervoso, de mágoa, de desespero, de aflição... e de tristeza. Há muitos anos eu faço as coisas totalmente no improviso, sem apoio, sem estímulo, só na dureza, e o lado duro e negro da vida... bem, quero conhecer o lado brilhante da vida, se vocês me permitem o desabafo.
Mas sou persistente (na verdade, não tenho outra alternativa a não ser persistir), e fui pra Itu assim mesmo, depois do consolo de um amigo querido no celular. Chegando em Itu, a anjinho Fran me resgatou e me levou pra conhecer sua terra... no Museu, amigos e gente querida me acolheram, e mesmo sem meu Power Point, mandei brasa e honrei os nobres itálicos construtores do interior paulista.
A anjinho Fran, num rápido tour pela cidade republicana, me mostrou uma das primeiras pinturas de Almeida Júnior, o São Paulo aí de cima, na bela e detonada Matriz deles. São Pedro não contribuiu muito com nosso passeio, mas as conversas na fábrica sem luz, e depois o cocktail do congresso, valeram o chuvão e reacenderam no coração da velha panda a chama da esperança de dias melhores.

Monday, November 22, 2010

No lugar onde o peixe pára

Hoje, acordei cedo e sem nenhuma disposição fui ministrar minha aula sobre a Paris do XIX para meus fofos alunos de Arquitetura, que não aguentam mais minhas arengas e meu mau humor proverbial das segundas-feiras de manhã.
O responsável pelos horários da veneranda instituição onde falo dos pintores do Impressionismo e da importância da mandioca na alimentação brasileira ( às vezes, na mesma aula) me pregou uma peça: nas segundas-feiras, dou aula em dois campi diferentes, mas um longe do outro, e num intervalo de 10 horas entre as aulas. O segundo é o mais longe da toca da panda, e fica no centro de Piracicaba, a ensolorada cidade das quedas d'água. Semprei gostei muito de Piracicaba, mesmo sendo este simpático município de uma amplitude térmica impressionante: Pira consegue ser mais quente que Campinas (sim, isso existe) e mais fria que Campinas (o que, por outro lado, não é muito difícil). Outra coisa que me impede de interagir mais com os nativos locais é o dialeto que eles falam: o piracicabês tem horas que é mais incompreensível que outras línguas menos nobres do mundo conhecido, como o francês, o inglês e etc.
Nesse semestre, portanto, fiquei de castigo pelos campi, tentando trabalhar ou fingindo que eu trabalho, tomando picolé e chegando ao requinte de tirar sonecas no Exumóvel.
Bom, resolvi variar a programação e dar uma volta a pé pelo centro de Piracicaba. Deixei o Exumóvel no campus e fui caminhando pelas ruas da cidade, cheia de casas das décadas de 10 e 20 e esquinas Art Déco. Pensei, em qualquer cidade do nosso abafado interior paulista, vai ter a sorveteria que dignifica o homem no meio da tarde. Outra coisa que adorna a terra dos bandeirantes é que qualquer cidade tem n confecções ou lojas que deságuam as criações do Brás e do Bom Retiro: lojas cheias de roupas de malha para as senhoras e senhoritas enfrentarem com garbo o clima pesado do verão.
Encontrei primeiro uma dessas lojas, cheias de blusinhas que viraram a cabeça da panda, de bolinhas e laços. A vendedora foi gentil e me informou o endereço da sorveteria mais próxima, uma graça de sorveteria, de esquina, com cadeiras verdes e sorvetes de graviola e cupuaçu. Tomei um sorvete de tapioca delicioso e fiquei vendo a tarde passar.
Entrei na igreja mais próxima, por curiosidade. E não é que o teto era afrescado com uma cópia da Transfiguração do Rafael? Achei um barato... e um casal totalmente virado no jiraia quebrava o pau na frente da igreja, a ponto de uma senhora chamar a polícia.
Continuei meu passeio e me deparei com uma lanchonete chamada Brasil Líbano, com um velhinho dentro com uma cara de quem ia me pedir em casamento, e uma loja espetacular, a Daslu da panda: Loja do Cido, tudo a 10 real.
Totalmente em estado de graça, a panda adentrou o estabelecimento e logo separou uma carssa e duas brusas, dentro da minha habitual falta de elegância e do meu orçamento. Comprei uma sedutora e principalmente discreta blusa pink pela quantia anunciada na placa da loja, e a mocinha ainda me informou que quando o Cido se encontra ele ainda dá desconto ( desconto em blusa de 10 reais é digno de um Adam Smith).
Fiquei feliz com o meu passeio e tirei muitas fotos mentais (já que estava sem máquina) das casas e sobrados de Piracicaba, o lugar, diziam os ameríndios, onde o peixe e a panda param.

Peso



Entramos no Advento, a preparação do Natal, e eu até biscoito de Natal já comi; nada passa incólume das patinhas gulosas da velha e sempre desmiolada panda. Mas me preparar que é bom, nada, consegui o feito histórico de não me preparar para nada nesse ano de 2010.

Foram tantos esforços, mas tão dispersos, desatentos e indisciplinados... e o coração que pesou demais, atrapalhando um pouco o funcionamento mental. Escrevi vários projetos e não levei a cabo nenhum; tomei muitas iniciativas saudáveis mas algumas ficaram pra trás, no torvelinho do dia-a-dia, da tristeza e do passado que sempre voltava. Infelizmente, caí também numas daquelas armadilhas que a gente põe na nossa frente, pra nos sabotarmos, mesmo. Enfim. Queria, sinceramente, ter feito mais em 2010; estou com saudade da esperança e do ânimo do início do ano. Agora me passa pela cabeça que sentirei falta da esperança que senti, em 2010, esperança que há anos não sentia; e dos momentos felizes que tive nesse ano, momentos verdadeiramente felizes, como há anos também não os tinha. 2010 foi um ano que trouxe surpresas, boas e ruins, mas surpresas. Ontem, fiquei pensando longamente que a vida é assim mesmo, pega a gente de surpresa sempre, nunca é do jeito que a gente quer, assim, certinho, mas é tão, tão boa.

Acima, um dos atlantes do coreto da Praça Carlos Gomes, Campinas.

Friday, November 19, 2010

Lubnan

Porque onde estão os cedros,
sopra o vento,
porque traz uma canção;
o sentido do rosto,
e o significado dos gestos.

Tuesday, November 16, 2010

A Deusa do Amor

Esses tempos foram de enfrentar coisas dolorosas. Lembranças trágicas do passado voltaram à tona. Enquanto isso, a vida segue, lenta, com alguns percalços, mas segue.
Mas eu aposto, e muito, ainda, no amor. Se não for por isso, a gente apostaria em quê? Aposto nas pessoas.
Semana passada, infelizmente perdemos um amigo, e uma outra amiga casou. Tudo na mesma semana. Encontrei tanta gente, vi tristeza, vi alegria. Com os olhos do amor. Pra mim, isso é o que importa.

http://www.4shared.com/audio/ICEH9aRo/Pepeu_Gomes_-_A_Deusa_Do_Amor_.htm

Friday, November 12, 2010

Rute e Boaz

Rute era moabita, ou seja, vinha da Jordânia. Casou com um dos filhos da judia Noemi. Apesar de sua sogra ser judia, quando o marido, o cunhado e o sogro morreram, Rute não quis deixar Noemi sozinha, e, enfrentando o medo e a angústia, foi para Israel, para a cidade de Belém.
Chegando lá, as duas não tinham nenhum recurso. Nada, estavam condenadas a passar fome. Rute então foi para os campos de trigo e cevada, recolher as sobras, os restos da colheita. Nessa condição tão triste, nesse desespero, Boaz, o dono dos campos, olhou para Rute, que gerou quem gerou o rei Davi.
A coisa mais bonita que um homem faz para uma mulher é olhar para ela.
Acima, A história de Rute. Nicolas Poussin, 1660-1664. Óleo sobre tela, 118 x 160 cm. Paris, Louvre.

Saturday, November 06, 2010

Tu sei il mio maestro e'l mio autore


Uma das edições renascentistas da Comédia que consultei em Chicago, na Newberry Library. Faz cinco anos, mas eu não esqueci do dia em que vi esta maravilha, obra do veneziano Aldus Manutius, 1502. Tá no Mezzo, nos guardados da panda.
No título do post, Canto I do Inferno.

Wednesday, October 27, 2010

Espelho

Então, você se olha no espelho. E o que vê? Uma moça já com alguns cabelos brancos. Os olhos tristes. Não, a roupa que eu visto não está na última moda. Não, eu não tenho dinheiro pra ir em lojas de grife. Até porque... bem... as roupas de grife não caberiam em mim.
Sim, eu sou mais pra redonda que pra reta. Tenho mais curvas que paralelas. Meu cabelo não é liso. Eu uso óculos. Sou descendente de libaneses, negros, índios, espanhóis, portugueses e um holandês perdido. Não sou uma top model. Não, eu não estou no padrão de beleza atual.
Sim, e eu sofro com isso, claro, como toda mulher. Eu tento me arrumar, dentro do que sou. Compro batom nas Lojas Americanas, e arrumo meu sempre desarrumado cabelo. Às vezes, dói não ser uma moça como as das capas das revistas. E dói não ter grana pra comprar as roupas da moda, como as camisetas de malha leve que estão 100 reais nas lojas mais simples. Eu não tenho tantos sapatos e bolsas assim.
Mas, no final, será que eu não consigo ser bonita? Será que toda mulher, no fundo, não tem um traço de beleza, algo que a faz ser única, o brilho dos olhos, a expressão do sorriso? Será que a doçura do meu caráter não vale nada, no final? Porque toda mulher quer ser bonita pra ser amada. Lembro que eu era pequenina, dois anos, e observava minha tia se maquiando. Minha tia é muito linda, e eu a adorava, e falei pra ela que ela estava tão bonita que meu tio "ia ficar muito apaixonado". Tão pequena e eu já sabia do cerne do problema: tantas vezes eu me arrumei, me maquiei, escovei meu cabelo, esperando o elogio do outro. Se o elogio do outro viesse, meu coração se aquecia; se não, eu morria um pouco por dentro, e, sim, algumas vezes me disseram que eu era feia, que eu não era atraente, e isso me quebrou inteira.
Hoje, no dia de hoje, eu pus uma camisa nova, uma corrente de ouro que foi da minha mãe, a calça velha de guerra, pra ir trabalhar. Olhei pra dentro dos meus olhos e falei, você é linda.

http://www.4shared.com/audio/rInSlpbY/Zeca_Baleiro_-_04_-_Salo_de_Be.htm

Tuesday, October 19, 2010

Aaaaaaaaa

Além de asma, dez graus de miopia, cabeça no mundo da lua, a pequena panda sofre de ansiedade. Isso desde muito pequena. Lembro de não dormir nas vésperas de viagens, de morder drops e de sempre me adiantar nos relacionamentos. Claro que isso não serve pra nada, junto com a culpa a ansiedade é dessas coisas do demo, mesmo.
Agora tô num esforço titânico de viver o momento. De não me antecipar. Fantasiar, eu ainda não consigo parar de fazer. Mas se minha vida tem ausências, aprendi que fugir do vazio não adianta nada. Então, é melhor abraçar o vazio, aceitar, entender.
Sinto falta de muitas pessoas. Mas também já vi que não adianta chorar pelo passado, ad infinitum. A vida taí. Algumas coisas que plantei ao longo desse ano já começam a frutificar, eu já vejo o resultado dos meus esforços. Tão difícil ser mulher, ser gente, mas também, tão gratificante.

Sunday, October 17, 2010

Lavou tá novo

Amanhã falo sobre o Palácio de Versalhes, pros meus fofos alunos arquitetos mirins.
E só pra não perder o hábito, escarafunchando na memória do Caronte, achei esse retrato do tio mais amado e idolatrado do Universo conhecido.
Só fiquei curiosa pra saber o que ele tá fazendo na propriedade de Luís XIV. Dá um artigo isso. Será uma galeria de grandes poetas?
Acima, Retrato de Dante, de Vincenzo Scamuccini (1773-1844), óleo sobre tela, 51 x 43 cm. Versalhes, Palácio.

Thursday, October 14, 2010

The business is black

Outro dia eu criei, conversando com a Carol no msn, uma camiseta: eu vou pôr uma foto do Mussum e embaixo, a frase que dá título a este post. Sim, meus caros, the business is black, totally black.
Faz tempo que eu não comento com os poucos e digníssimos leitores deste venerando blog as desventuras da pequena panda desmiolada no universo de seus interesses profissionais. Aconteceu o seguinte fenômeno paranormal com a panda: depois de terminada e defendida sua mui amada maledetta (vulgo tese), a habitante do Tibete resolveu exercitar seus talentos, tentando entrar pra vários circos, no número de equilibrar pratos nas varetas. Explico: atrás de emprego, prestei concursos, montei projetos, escrevi artigos. Que ótimo, pensarão os leitores; sim, que ótimo, penso eu, seria ótimo se não fosse cada um destes citados produtos sobre temas completamente diversos, que vão das relações da Comédia com as obras dos artistas pisanos do século XIII até o patrimônio arquitetônico campineiro.
Atrás de oportunidades de trabalho, escrevi um monte de emails, contactei pessoas, fui atrás de cursos de línguas, pintei e bordei. Mas, como bem escreveu Drummond, e agora, José? Tenho 5 projetos inacabados, não sei o que vou fazer da vida e dinheiro, que é bom, até agora.... e pior, tô num cansaço... e o foco, que também é bom, necas. Enfim, me ferrei. Não, e eu não aceito sugestões!

Tuesday, October 12, 2010

Apareceu nas águas


Uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, de madeira, apareceu nas redes de pescadores no Paraíba, no século XVIII. Fato banal. Mas que tanta alegria traz aos brasileiros, todos os anos. Salve, Nossa Senhora Aparecida!

Tuesday, October 05, 2010

Fragmento

"Deve-se também aos italianos o tipo de casa dita de operário, que se difundiu pelos bairros proletários e médios, feitas pelos próprios moradores ou pelos mestres e pedreiro. Eram simples, geminadas, iguais, no alinhamento das ruas e divididas entre si por um parede fina. Obedeciam sempre ao mesmo esquema, que se repetia em casas de bairros médios, em maiores proporções, seguindo as posses do proprietário: entrada lateral, fila de cômodos dando para o corredor, até chegar à cozinha e abrir-se para um quintal. Definiram-nas como cubos ou caixotes com decoração aplicada ao gosto neoclássico.” Maria Cecília Naclério Homem, O prédio Martinelli: a ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo: Projeto, 1984, p.35
A casinha acima fazia par com outra, igual, aqui nas cercanias da toca da panda, na velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí. Foi demolida, como todo "caixote com decoração aplicada ao gosto neoclássico" que se preze. A minha máquina fotográfica quebrou. Fim.

Monday, October 04, 2010

Onde

Por favor, me diga, onde você está.

Porque, se eu o encontrar, não serei mas eu. Mas o som dos seus passos, o eco do seu sorriso, o brilho do seu riso, o som do seu abraço, o calor do seu amor. Serei sua ausência, sentirei sua falta, e só na saudade sua as estrelas brilharão. Me diz, onde você está. Eu vou correndo te encontrar, só me diga onde te encontro. Em que esquina, em que dobrada, em que virada, em que cilada, será que você pegou o avião, foi pra tão longe, não volta mais! Sumiu, evaporou...e eu só tenho uma lembrança sua, uma lembrança Renoir, um almoço de domingo, um barco, sol. Hoje é noite, dor. Onde, onde, onde...

Sunday, October 03, 2010

Boitatá, Mula-sem-cabeça e Caipora

Num serviço de utilidade pública, a pequena panda resolveu alertar seus poucos, mas muito fiéis, leitores, de mentiras, mitos, lendas urbanas, figuras do folclore brasileiro, que aterrorizam os habitantes da Terra Brasilis e outros reinos da galáxia. Sim, meninos, eu vi: a destruição que essas mentiras causam na vida de muitas pessoas, incluindo na que assina estas mal ajambradas linhas.
1) "dinheiro não traz felicidade": essa é perigosa, pois se trata de uma meia-verdade. É claro que os bens materiais não determinam o bem-estar de ninguém ( senão, uma vaca holandesa seria a criatura mais feliz do planeta) mas ficar sem dinheiro nenhum porque o "capitalismo é selvagem" é coisa de quando temos 20 anos, somos jovens e intrépidos e... alguém paga as nossas contas. Dinheiro não é tudo mas é 100%, já dizia nosso ídolo Falcão.
2) "sexo não é tão importante assim num relacionamento": essa é a base de tanta infelicidade conjugal que não dá nem pra acreditar. Vou ser agora radical, mas é minha obrigação: sexo é fundamental, primordial, crucial, é tudo. Não caia nessa, nem com 70 anos. Ninguém merece. Hindus, judeus, romanos, vikings, cossacos, gregos e baianos escreveram sobre a importância do sexo na vida dos casais. Alguma razão esse povo todo tem, né?
3) "ah, mas no fundo aquela pessoa é legal": essa a panda caiu tantas vezes que já não é nem mais um buraco, mas um Grand Canyon. Não, aquela pessoa não é legal nem no fundo, nem na superfície, nem de ladinho! Se alguém da sua convivência já mostrou as garras, corte. Sério. Faça isso por mim e por todas as pessoas de bom coração. Sai pra lá, Exus!
4) "ah, mas eu nem queria tanto assim": não, você queria, e o pequeno Exu foi lá e te ferrou. Diga isso. Pra todo mundo. Quéisso! Eu cansei de ver gente de bem sendo passada pra trás. A gente precisa ter uma Liga da Justiça! Me avise quando alguém te ferrar, que eu bato! Kung Fu Panda!

Monday, September 27, 2010

Graças, Marília bela

Acontece uma coisa curiosa comigo.

Há muitos e muitos e muitos anos atrás, escrevi um trabalho de final de curso, quando estava no mestrado, sobre a interpretação dada por Antônio Cândido, em Formação da Literatura Brasileira, para Marília de Dirceu. Essa disciplina foi ministrada por um professor com quem, vários anos depois, tive uma história de amor bela, mas também muito sofrida. Hoje entendo porque escolhi o tema, na época; Antônio Cândido fala que Gonzaga virou a página da história da literatura brasileira ao se apaixonar, quarentão, por uma menina, ser rejeitado pela família dela, finalmente conseguir ser seu noivo e depois, numa das maiores catástrofes amorosas de todos os tempos, ir para o degredo em Moçambique, tudo porque Joaquim Silvério resolver dar com a língua nos dentes.
Na época, eu, jovem e intrépida, achava simplista a explicação dada pelo grande mestre uspiano: puro biografismo, pensei, toda envolta em teorias e teorias da ação social, dos acordos feitos pelos agentes e tomos e tomos de Sociologia. Depois de tudo, vejo que de fato alguém pode deixar de ser árcade e virar romântico, depois de um grande amor, da traição, do calabouço e do degredo. Gonzaga em Moçambique não escreveu mais nada e se casou com uma moça analfabeta, segundo consta. Eu também nunca mais me aventurei a escrever nada sobre Gonzaga e às vezes me fica difícil viver, com tantas dores no coração.
Mas, às vezes, no meu exílio, recebo garrafinhas com papel dentro, mensagens de pequenos náufragos dos mares da internet. Explico: depois do artigo apresentado num congresso, eu ainda o publiquei, numa pagininha dos alunos, no início do meu doutorado. O link da pagininha foi deletado do site do instituto quando a direção mudou, e o cargo de administrador da sala de computadores ficou a cargo de um docente poderoso e sem paciência para nossos textinhos. Anos depois, eu já doutora, a nota da CAPES do programa de pós-graduação caiu, e um dos motivos foi a falta de publicação dos discentes. Enfim.
Por obra e graça do Google, às vezes minha caixa de email recebe singelas mensagens de pessoas, no Brasil inteiro e em Portugal, que me consideram grande autoridade nas liras de Dirceu. Tento com muita delicadeza desfazer o equívoco; fico constrangida de pensar no sofrimento que isso traria ao bravo Gonzaga. Mas não adianta. Hoje, recebi uma mensagem de um internauta, inconformado com as respostas dadas pela banca de um concurso público, do qual algumas questões foram tiradas da leitura de uma das liras. Conferi o gabarito, não sem refletir nas artimanhas do destino e no quanto os caminhos do mundo são tortuosos. No final, escrevi o artigo porque estava apaixonada já, sem o saber; mais feliz foi Gonzaga, que sempre o soube.

Sunday, September 19, 2010

Romance ruim

Eu, do alto de sapatos altos gastos, com o topete já todo grisalho, com as esperanças já todas falidas, com o orçamento estourado, manchete de jornal popular, bolero de churrascaria, cantada de rodoviária, filme queimado, jaca pisada, sim, essa mesma que vos fala, essa criminosa que não se regenera, essa cafonice que não sara, essa febre que não passa, coloco de novo a jaqueta jeans esfolada, passo um batom e saio.
Dirijo pela cidade, claro que desse jeito a polícia me para, a multa vem embaixo da porta, mas eu não estou nem aí. Que falem de mim, eu já sou assunto mesmo. Que tirem sarro. Melhor isso que não existir. Pois é, de novo o mecanismo roda, de novo o mesmo pneu na mesma direção, de novo a mesma estupidez, tudo, tudo, tudo de novo.
E de novo a louca do vestido de carne me salva o ano de 2010. Porque é tudo de novo. E porque dessa vez, sim, dessa vez posso me salvar.

Saturday, September 11, 2010

Coração partido

Tenho lutado muito para sair de um fundo do poço em que me meti, nos últimos anos.

Sinto uma culpa terrível por coisas que deram errado. Me sinto infeliz ao lembrar de frases, situações, pessoas. E nisso tudo me menosprezo. Não me sinto digna do meu próprio amor. Isso não é justo, percebo agora. Porque eu preciso ser a responsável por tudo que me disseram? Por tudo que me fizeram? Fiquei paranóica, amargurada, triste. Não, não é justo se sentir sempre a que errou, a que deu mancada.
Fiz o melhor que eu pude... dei o melhor de mim. Tantas vezes eu fiz o que estava ao meu alcance, e era tão pouco, mas era o que eu tinha. Eu vejo a lua brilhar no céu e penso nas tantas vezes em que também estive cheia de amor, de brilho. Sinto o coração partido em tantos pedaços, estilhaços de memórias tristes. Cato um por um, e às vezes me corto. Não, eu não estava errada em amar. Porque desses caquinhos se fazem as estrelas.

Monday, September 06, 2010

Links para História da Arte

Primeiro link:

http://www.4shared.com/dir/kUDViyTb/Histria_da_Arte_Geral-_Unimep-.html

Esse é pra História da Arte Geral. Tem Arte Rupestre, Arte Grega, Arte Romana. Tudo em pdfs. E pequenas apostilas em Word.

Coragem

Tem fases da vida da gente que são lutas incessantes. E é preciso ter coragem o tempo inteiro.

Tô numa fase dessas. Preciso ter coragem 24 horas por dia. Pra conquistar o que eu quero. Às vezes, algo de bom acontece ou eu consigo resposta positiva pros meus esforços, eu descanso um pouco mas logo vem no pensamento a quantidade de coisas pra fazer, a quantidade de coisas pra resolver, e eu vejo que é necessário mais coragem ainda, pra estar de pé, e ser quem eu sou.
Decidi que não vou mais fugir dos meus sentimentos. Isso é particularmente difícil. A vida tem horas que faz de tudo pra te mostrar que você está errado. Eu me equivoco, é claro, como todos os outros seres humanos no planeta Terra. Mas eu faço o melhor que eu posso. Tento ser a melhor que eu posso. Minhas possibilidades nem sempre são das mais vastas, mas é melhor alguém que tenta fazer de coração dar o melhor de si do que alguém que não está nem aí pra nada. Bom, pelo menos eu acho isso. Estou de pé. E luto.