Thursday, August 24, 2006

Porco a porchetta

Retomando o Meio, que ficou meio fora de foco...


Boas novas! Agora sou docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, vulgo PUCCAMP. Isso mesmo. Entrei para ministrar Estética e História da Arte, pro curso de Artes Visuais. Carga horária 4 horas, permitida pela FAPESP, ou seja... mas estou feliz, animada, na segunda-feira lasquei o Mito da Caverna do Platão e tudo mais. Terminei meu exame de qualificação, o Teia do Saber, e no italiano direto. A Itália vai rolar, e tudo o mais.
Agora, hoje retomei minhas atividades de mestre-cuca. Minha sogrinha descobriu algo ótimo, anotem: Filé mignon suíno. É uma delícia, o topinho do lombo, sabe como? Vem quatro numa bandeja dos congelados Sadia. Vale a pena. Hoje temperei o dito com um molho que inventei no carro, vindo pra casa depois da lezione di italiano. Guarda, bello: vinagre balsâmico, com água e açúcar, até retirar a acidez ( fui experimentando na colher mesmo) e alho. Embebi o porquinho nessa vinha d'alho, sal e pimenta do reino. Coloquei numa assadeira, com batatas passadas na manteiga Aviação e alecrim, pétalas de cebola e quartos de tomate. Asse. Servi com arroz com passas. Pra quem gosta da mistura doce-salgado, ácido-pimenta, olha, fica bom demais esse Porco à Porchetta.
Saudades de todos, apareçam, o Meio ressuscitou do purgatório dos blogs sem atualização!

Friday, August 11, 2006

Zica da fubica

Gente, eu tô rindo aqui, mas tudo que eu conto no Meio é verdade, acontece mesmo, então eu sei que muita gente já deve estar de saco cheio das minhas desventuras 2006 ( vocês entram aqui e só lêem plobreuma, etc)... mas é que hoje o negócio superou.
Há uns dois meses, eu tava com o Celo no escritório. A gente tem um colchão no chão, e o Celo pisou no meu óculos. O bicho ficou torto. Ontem, no mesmo colchão, eu pisei de novo, daí a haste foi pro brejo.
Detalhe: eu tenho sete graus e meio de miopia, meus óculos são muito caros ( 770 a lente sextavada fina, que me deixa com uma cara de pessoa normal) e eu só tenho um par, desde sempre.
Hoje, pus a lente de contato que ganhei de graça e sofri o dia inteiro com os olhos ardendo. Cheguei em casa e falei, não dá, vamos pro shopping Dom Pedro visitar a ótica e mandar fazer o raio do óculos novo em 500 prestações no cartão.
Saindo, na esquina de casa, no carro, vejo uma moça parada e um cara debruçado na janela do carro. Olhei aquilo e pensei, assalto. Sete e meia da noite, centro de Campinas, o cara bate na janela com a arma prateada. Levou 20 reais do Celo e meu celular de 90 pilas pai-de-santo ( pré-pago que só recebia).
Gente, eu sei, impressionante. Mas aconteceu. Moral da história: fui assaltada duas vezes nesse ano.

Tuesday, August 08, 2006

Boa noite, meu amor

Ando chateadíssima, problema em cima de problema, infelicidade, mal-estar geral e etcs. O lado bom ( vamos fazer o jogo do contente da Poliana) é que tenho uma passagem comprada pra Itália, e que minhas aulas tem sido boas. E eu descobri uma música, vagando pelo Orkut. É de um cara, um guitarrista, chamado Mike Pinera, e fez sucesso na trilha da novela Plumas e Paetês... segundo as informações, era o tema do personagem do José Wilker. É bem setentinha, meio Antena Um, mas tem sido legal pra mim, uma coisa afetiva. E por aí vai... se vocês tiverem curiosidade, eu posto aqui o link pra música.
Além dessa seventie's love song, descobri uma coisa. Que eu gosto, e preciso, pintar. Foi assim, depois de uma semana terrível, fui pra Teia do Saber. Teve uma atividade com uma modelo, uma moça belíssima, e rolou um clima muitíssimo legal, todo mundo pintando com guache preto e azul. E eu peguei o pincel, enrolado no bambu, sentei e saiu, uma coisa extraordinária.
Eu não pintava desde os meus 13 anos. Tinha uma professora acadêmica e horrenda, dona Odila. Ela quase me reprovou na sexta série porque eu fazia as coisas mais estilizadas, lembro que meu pai foi falar com a tal e ela me esculhambou, porque numa árvore feita a nanquim ela queria que eu fizesse todas as folhas ( a tal não conhecia Monet, vamos dizer assim)... também ocorria o fato de que eu não tinha dinheiro pra comprar os materiais caros que ela solicitava, sempre tendo que pagar o mico de pedir um pouco de tinta pras amigas. Minha maletinha de madeira, com o meu nome pirografado, vivia vazia, com lápis da Labra ( o que a docente, descendente da brava família Faber, não perdoava).
Como a gente perde tempo na vida porque outros nos sacaneiam... meu Deus, isso é impressionante, tem gente que faz muito mal pros outros. Ando meio revoltada, meio da pá virada, sem paciência com essas picuinhas infernais. Não ando bem, desde que voltei de Chicago estou sem paciência. Desculpem os posts revoltados e as discussões esdrúxulas, mas de vez em quando a vida é assim.

Wednesday, July 26, 2006

Meditações sobre um Cavalinho de Pau

Tudo bem, o título eu tirei do Sir Gombrich, recomendo vivamente, bláblábá.

Nesse tempo desértico, litros e litros de Rinosoro, depois de muito passar mal e de mais uma aula no programa Teia do Saber, aqui na Unicamp, retomo as atividades blogueiras, com uma dica...
Descobri o link pro bróugui do Luis Fernando, amigo velho de guerra e que chupinha minhas idéias e escreve artigos no site da Caros Amigos: http://luisvita.blog.terra.com.br/. Tô brincando, vale a pena dar uma passadinha, o Luis além de combativo arruma cada confusão engraçada...

Thursday, July 20, 2006

Paulistânia II

Sujinho.O Gato que Ri.Espetão.Zi-Tereza.
Porque uma cidade são seus restaurantes,
Gigetto.Famiglia Mancini.Ritz, e no fim, Pastelaria Yokohama.
Café no Largo de São Bento.E café na Praça da Sé.Café no Viaduto do Chá.
Pausa prum refresco na Consolação ( em qualquer boteco).
Risco, São Paulo é isso.

Monday, July 17, 2006

Foi falar...

Foi falar, pronto, peguei uma sinusite monstrinha.

Ontem e hoje, sofrendo com dor no rosto, febre, e má disposição geral. Pelo menos, ontem fomos assistir a um concerto da Sinfônica de Campinas. Regida pelo maestro Karl Martin, suíço, a orquestra apresentou o programa do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Mozart, Prokofiev e Stravinsky, num programa de mais de duas horas, belíssimo. Depois reparei, os músicos saíram exaustos, mas felizes da vida.
A Sinfônica é uma das coisas que fazem Campinas valer a pena, às vezes... lembro de alguns concertos muito tocantes.
Hoje acordei mal, mal. Dodói mesmo. Entro na net, dia do julgamento von Richthofen. O advogado de defesa de Suzane chegou arrasando, acreditando que o ataque é a melhor defesa literalmente. Segundo ele, Suzane foi coagida pelo namorado Daniel, com quem viveu a primeira experiência sexual. O advogado disse que a pobre Suzane tomava anti-concepcional injetável, "que doía e fazia a pressão baixar", porque era da vontade do namorado. Já Daniel, no seu depoimento já no tribunal ( coberto minuto a minuto por vários órgãos de imprensa e mídia, veja lá no Portal Terra) disse que os pais de Suzane "o tratavam com violência e ambos tinham amantes". Enfim, todos têm o sagrado e inviolável direito de defesa. Todos têm direito a um julgamento, conforme a lei. Agora, os que assistem também possuem o sagrado e inviolável direito de se irritar.

Thursday, July 13, 2006

Panda no médico

Todo ano é a mesma chorumela.

Seguindo os ensinamentos de dona Meire, minha famosa progenitora, me obrigo a marcar ginecologista, oftalmo, dentista, nas férias. E todo ano eu enrolo, enrolo, enrolo.

Explico: eu odeio ir em médico e dentista! Eu sempre acho que o dentista vai falar que eu vou perder todos os dentes e que o médico vai me dar seis meses de vida. Sempre chego morrendo no consultório. E morro de medo de fazer exames, também piro, sofrendo, e fazendo drama.

Pra quê? É irracional mesmo. Hoje me enchi de coragem e vamos lá, marquei os doutores. Já a dra. Solange, minha dentista, tá de férias, então dá pra eu melhorar o tratamento dispensado à minha dentadura antes do confronto com o motorzinho.

Então, caros amigos-panda, rezem para eu não entrar realmente em extinção!

Tuesday, July 11, 2006

Introdução ao Bruce- I

Para os curiosos leitores do Mezzo:


Aqui a canção predileta da panda de seu roqueiro predileto, ele mesmo, o Boss. A música que se segue se chama "The River", e deu nome ao disco do tio, lançado em 1982. Não sei porque, mas toda vez que eu escuto o rio, penso na poesia chinesa. Deve ser defeito de fábrica no meu cérebro.
Os créditos vão para o amigo de Orkut Colorado, salvação da lavoura nas comunidades que trocam MP3 ( ainda, apesar da sombra das gravadoras e etcs e tais):
obs:) eu tava aqui pensando, eu acho que minha canção predileta do Tio de Nova Jersey ainda é "Dancing in the Dark", mas essa todo mundo conhece. Então ouçam o rio e esse homem combalido.

Monday, July 10, 2006

E o Murilo nasceu!!!!!!!!!!

Hoje amanheceu um dia feio, chuvoso, frio. Fui lavar roupa, louça, ou seja, cuidar do doméstico. E veio a boa notícia, nasceu Murilo, no meio da madrugada. Murilo é nosso mais novo sobrinho, e nasceu de parto normal, como a Jana tanto quis.
E o dia ficou lindo, até sol saiu. Fomos saudar nosso mais novo amigo, que além de muito fofo parece ser muito tranqüilo, acordando só para mamar e fazer charme.
Beijos para o Murilo, beijos para a Jana, para o Henrique e para o Felipe, o irmãozinho que ficou na casa dos avós e que adora jogar uma bolinha. E para os leitores do Meio, um presente: duas músicas em homenagem a todos os nenês do mundo, When a Child is Born, do Johnny Mathis, e Rock and Roll Lullaby, B.J. Thomas...
obs) o Murilo estava num berço chamado berço-panda... com um pandinha cuidando dele... os pandas vão dominar o mundo!

Sunday, July 09, 2006

Panda na Copa 3- E deu Bota na cabeça, ou melhor deu a cabeça do Zizou

Eu não estava dando a mínima pelota pra Azzurra nessa Copa. E deu no que deu.
Não jogaram bem, o segundo tempo seguraram na zaga, impecável, e no Buffon, que pode ser mafioso mas nas horas vagas é bom goleiro. Jogo feio, retrancado, nada de contra-ataque, neguinho cavando falta e catimbando. Mas a França, ainda que coroada com os talentos individuais, não encontrava o ataque, o caminho do gol. Quando chutava, chutava feio, longe, pro nada... Deu dor de cabeça, é verdade, uma grande seleção essa francesa.
Até que veio o inexplicável, o injustificável, o inconcebível, o que confirma que futebol é uma caixa de surpresas. No último jogo pela seleção francesa, o grande, o melhor do mundo Zidane dá uma cabeçada, literalmente. Gente, Zizou não precisava disso. Eu tenho a maior simpatia por ele, apesar de tudo ( Brasil, etcs, etcs), mas foi de uma deselegância extrema. O carcamano xingou? O sangue esquentou? Nada justifica. Momentos antes, a gente comentava, na casa da mãe do Cris, onde assistíamos a partida, da falta lamentável, da cotovelada covarde de Leonardo na Copa de 94. Cara de bom moço, ídolo da torcida são-paulina, Leonardo manchou pra sempre sua carreira. Nessa hora o cara tem que ser profissional, encerre a carreira com a classe, dignidade e grandeza de sempre.
Nos pênaltis, eu apelei pra Madonna della Coppa, ou pra San Vitale. Eu sabia que os conterrâneos do Dante, se fossem pros pênaltis, iam matar. Porque italiano é assim, no final eles inventam a Pietà, a Capela Sistina.
Agora agüenta, lá deve estar a loucura da polenta.

Monday, July 03, 2006

E agora, ao trabalho!

Retomo as minhas atividades de historiadora da arte mirim, patrocinada pela Fundação de Desamparo, vulgo Bat Caverna.
Finalmente, o parecer do relatório, elogioso. O gnominho do Papai Noel disse que eu mandei bem, que "trabalhei intensamente" nos EUA. Ufa, meses de sufoco, agora deu um alívio...
Juro, esse relatório escrito no verão campineiro, depois do inverno chicagoan ( relatório amplitude térmica) foi a melhor coisa que escrevi na vida. Não que eu tenha escrito muita coisa boa, mas foi resultado de força de vontade, e da minha cabeça dura em ir pros States em plena era Bush financiada pelo Alckmin.
Agora, exame de qualificação. Marquei na secretaria, e a banca está ciente. Retoques no texto, pra mandar pro orientador. E volta aquela trabalheira insana, Caderno de Imagens, Bibliografia Temática moldes ABNT, Garamond 12 espaço um e meio. A qualification será nos idos de agosto, como o assassinato de Júlio César. E depois... será que a pequena panda sofredora e defensora dos frascos e comprimidos irá para a terra da macarronada e do Berlusconi?
Queridos leitores, em 1997 eu era uma menina que morava com os pais, tinha um namorado, uma bolsa de iniciação científica, e um amigo no mestrado. Um dia esse amigo veio e me falou, escuta, vai ter um curso de História da Arte na Itália. E eu cheguei em casa e pasmem, meus pais me falaram, vai. Com um dinheiro guardado eu fui, e no primeiro dia veio a pancada. Uma porta imensa, do Michelângelo. Puxei a manga do casaco do meu amigo e perguntei baixinho, mas é o cara da Sistina? E ele, é, psiu, fala baixo... e eu descobri que Michelângelo era o cara da Sistina, do Campidoglio, da Basílica de São Pedro, da Porta Pia, da Capela Paulina, da igreja Santa Maria degli Angeli ( as termas de Diocleciano), do Tondo Doni, da escada da Laurenziana, do Moisés, etcs, etcs, etcs...
Nem preciso dizer o que Roma, Nápoles e a Sicília representaram pra mim. Dessa viagem para a Itália, me alimentei durante esses nove anos, com o sonho de voltar e jogar mais moedinhas na Fontana. A menina perdeu o pai, saiu de casa, engordou, teve outros namorados, mas ficou pela História da Arte mesmo. E agora quer voltar, pra ver mais da Bota. Será? Será? Me aguardem...

Sunday, July 02, 2006

Panda na Copa 2- mas que m^&(*!

Olha, eu não ia falar nada, tava pensando em respeitar o sofrimento geral da nação, mas não me agüentei.

Tudo bem que toda Copa é essa josma, da escalação do técnico às vitórias e derrotas da esquadra canarinha, passando pelo fato do país parar e de termos péssimas memórias ( 70, tricampeonato e Médici, 82 e o time que não foi, 86, a guilhotina Platini e o fim do Plano Cruzado, 90, Collor e a volta dos mortos vivos, 98 e o Ronaldinho amarelando).
Eu evito falar de futebol, por dois motivos: primeiro, sou mulher, e mulher supostamente não entende de futebol, e dois, porque estou na universidade, e tirante alguns machos alucinados, supõe-se que mulher nem fale de futebol, e sim de quadros de Miró e roupinhas da Zara ( isso, escondido no banheiro pras amigas íntimas).
Mas agora vou chutar o pau da barraca ( ou melhor, vou chutar a trave) e afirmo categoricamente que, sim, eu adoro futebol ( só não aprendi a jogar porque minha mãe me batia, dizendo que eu era menina e menina não joga bola) e adoro fazer mesa-redonda. E minha tristeza pela derrota de anteontem foi genuína, minha decepção, mais que amarga.
É totalmente inadmissível um técnico de Seleção Brasileira se portar como se portou Parreira. Por vários motivos. Eu sei que muita gente falará e pensará, acertadamente, que futebol é roubado, que existe máfia na FIFA, na CBF, e a dominação do capital, e blablabla, e tem coisa mais importante pra discutir, e que futebol precisa deixar de ter tanta importância assim na Terra de Santa Cruz. Mas, caralho, o cara fazer o que fez, é fora de qualquer padrão de conduta de gente inteligente, é abaixo da linha da miséria. Cafu conseguiu um feito:errou 150% dos passes; Roberto Carlos chutava para o nada, Kaká corria meio metro e caía diante da elegância de Zidane, Ronaldos esquece, só Lúcio e Juan tentaram, assim como Cicinho e Robinho, fazer algo, mas de um jeito esmaecido e às vezes meio covarde ( o carrinho que o Lúcio deu no moço que agora esqueço o nome). E o cara lá, parado, braços cruzados, língua pra fora naquele cacoete nojento, olhando o relógio, "Pois é, minha patroa tá me esperando pra janta"...
E agora o povo desgostoso comenta, a CBF tá sem dinheiro, e precisaram fretar o mesmo avião da seleção argentina. E que venham as eleições, Alckmin e Lula. Olha, a situação está preta, e o Bussunda morreu.
obs) quando eu tava mandando a filha da minha vizinha à merda ( leia o post abaixo) eu soltei um caralho. Ela, ah, mas tá vendo que tipo de amiga você tem, minha mãe, olha o vocabulário. Então, bater na mãe pode, falar palavrão não pode. E como diria a divina Leila, sem asteriscos please, meu, vão se fuder seus filhos da puta, porra, caralho, que merda!!!!!!

Climb Every Mountain

Antes que eu me esqueça, queria mandar um beijo muito grande pro meu amigo e companheiro de IFCH e Cebrap Alex, que me escreve no Meio do Caminho da enevoada e cinzenta Curitiba. O Alex é agora professor da Federal, poxa vida, é super legal ver um amigo, um colega ir pra frente na carreira acadêmica pelo seu próprio esforço e dedicação. Beijos, Alex, você é do time dos pandas...
Falando em time. Fim de semana frio, cinzento e triste. Bom, nem vale a pena comentar a atuação ( atuação? tô sendo generosa) da Seleção do Parreira contra a França, quer dizer, vale sim. Eu achei um absurdo a falta de dignidade dos caras, inclusive do técnico. Futebol Geraldo Alckmin: zero de resultado, zero de emoção, zero de qualquer coisa que preste. Bom, tive uma festinha de amigos queridos, hoje fui no shopping do passarinhão ( como diz Felipe meu sobrinho) com Yna, enfim, tudo bem dentro da medida do possível, frio e começando a torcer pra Portugal, chego em casa.
Eu tenho uma vizinha muito fofa, dona Lourdes. Sempre me socorre na hora em que eu preciso de um desentupidor de pia, essas coisas. Eu notava um ar de tristeza e desamparo na sua figura, sempre de moletom e tênis brancos, simples, contrastando com a filha, orgulhosa nas últimas roupas da moda e na beleza padrão atual, carro do ano e muita empáfia no elevador. Pois bem. Hoje eu chego no meu moquifo, no corredor dona Lourdes, chamando por mim, machucada e chorando. A filha bateu na mãe para extorquir dinheiro. Simples assim.
Cara, o sangue subiu na cabeça. Entrei com ela em sua casa, SUA casa, que abriga essa vagabunda desgraçada dos Infernos. Lá dentro, uma ex-sogra da nega, que tem 35 anos, advogada de porta de cadeia, divorciada duas vezes e vagabunda. A ex-sogra defendendo a tal, e eu falei, olha, bater na mãe é fogo, hein? Daqui a pouco a maldita vem, enrolada numa toalha ( tava tomando banho a coitadinha) me encher o saco. Enfim, que beleza não?
Moral da história, quebrei o pau,e agora tô pensando numa coisa. Existe uma resistência muito grande, na classe média brasileira, de viver. Sabe como? Meu, sai de casa, vai dar a cara à tapa, vai tentar ser feliz. Não culpe os outros pela sua infelicidade. A nega bateu na mãe pra roubar e me disse, ah, mas eu perdi meu pai, e agora sou uma coitada. E eu, eu perdi meu pai também, o prédio tá de saco cheio de você, sai fora. Vai à luta.
Essa resistência está estampada na infelicidade das famílias, na hipocrisia dos almoços de domingo. Por covardia, todos ficam no mesmo teto, alimentando ressentimentos, batendo uns nos outros, criando constrangimentos, enchendo o saco. Existe um termo bonito na Psicanálise, individuação. Pega e vai trabalhar, os filhos da classe média gostam do bem bom. A ex-sogra, mas ela vai pra onde? E eu, vai pruma quitinete. Eu fico louca da vida com quem se esconde, se esconde da vida, da luta, e desconta nos outros.
Tem uma cena piegas pra caramba, mas que eu adoro, na Noviça Rebelde. Isso mesmo, Noviça Rebelde, agora vão falar, ah, mas é Hollywood. E daí? É a cena que a Maria, vivida pela Julie Andrews, fala com a Abadessa, que canta magistralmente, em voz operística, Climb Every Mountain. Escale toda montanha, siga todo arco-íris, até você achar seu sonho. Um resumo do que é o processo de individuação. No caso, a pequena noviça estava com medo de encarar uma paixão, sair do convento e ir viver. E a Abadessa, não, aqui não é o seu lugar. Não dá pra fugir da vida: no início, é mais cômodo, é o caminho mais fácil. Mas a frustração tem um preço alto demais. Eu prefiro a pieguice, prefiro escalar cada montanha. Prefiro o caminho mais difícil.
obs) agora me dei conta. Quando Vitor Negrete chegou ao Everest, muita gente de classe média de Campinas falou, mas que irresponsabilidade, com filhos pequenos escalar o Everest. Isso é comentário de burguês ressentindo com a vida, que não foi nem pra Praia Grande. Que não entende o que é uma paixão, um ato de heroísmo, de desprendimento, de coragem. Um tentar passar dos próprios limites. É isso aí.

Friday, June 30, 2006

Saudades

Hoje chorei de saudades do meu pai.

Meu pai faleceu há quase dez anos. E todo ano, quando chega 29 de junho, que era seu aniversário, a dor é a mesma. Meu pai adorava fazer aniversário: todo ano, três meses antes, ele pedia bolo, festinha, presente, tudo o que ele tinha direito.
Meu pai era assim, alegre, alegre, chegava a ser bobo alegre, sabe como? Do tipo que perde o amigo mas não perde a piada, seu Pedrão era fogo na roupa. Adorava cantar, mas cantava tudo errado, quando não cantava só o refrão o dia inteiro. Adorava comer, mas muita coisa não podia por conta do colesterol alto. Roncava e deixava todo mundo desesperado, e de vez em quando esquentava a chapa e fechava o tempo. Responsável, sério, ranzinza, mas muito apegado à gente, amava a família demais. Fazia a linha sentimental eu sou.
A sua ida foi pra mim o fim de muitas coisas boas. Sei que a vida continuou. Mas sem ele, perdeu muito da graça.

Thursday, June 22, 2006

Boas novas, enfim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Veio a mardita pinga, ou melhor dizendo, a renovation da FAPESP.
Meu, os gnomos da Batcaverna demoraram séculos, enrolaram, mas finalmente mostraram serviço. Os ajudantes do Papai Noel reconheceram que eu fui uma boa menina durante o ano que passou e me deram mais um ano de borseta.
Ah, e o edital da Federal, que eu queria prestar, abriu de novo, ou seja, neguinho não conseguiu pôr ninguém. Fiquei mais aliviada, pensei em prestar mas aí ontem a FAPESP deu sinal de vida.
Moral da história, saí da vala dos desesperados do Inferno. Receberei novamente as benesses da Fundação de Amparo ( que nome lindo, né?) e amparada, continuo o doutorado.
Boas novas, depois de uma Era das Catástrofes.
Agora a pequena panda comentadora de Dante tem outra missão. Eu preciso tentar ir pra Velha Bota. Fico ouvindo sem parar a musiquinha da Armata Brancaleone: AD AUROCASTRO, A LO CASTELO NOSTRO!!!!!!!! E como diria Dante, mas isso aqui tá um inferno!!!!!!!!!!!

Saturday, June 17, 2006

Olha

Olha, eu hoje descobri que uma amiga falava horrores de mim. Fonte segura. Coisa feia, horrorosa, baixo nível. A criatura que eu considerava meiga, legal, me ferrou a vida. Me conhecia bem, pegou nos pontos fracos, a insegurança financeira e amorosa.
Enfim, foi uma pancada. Estou melhorando da crise financeira, e espiritualmente tô melhor, Copa do Mundo, uma amiga querida veio de outro Estado. Fiz uma canja, um brigadeiro que ficaram muito bons, fiz a felicidade da filha querida de outra amiga. E lá se vai mais um dia, como dizem os mineiros no Clube de Esquina.

Tuesday, June 13, 2006

Panda na Copa

Como bem se diz por aí, lista é coisa de chato, mas rumo ao hexa tudo vale, desde se preocupar com a tabela, com uma prisão do Cafu ou sei lá com o que, e vamos nessa!
CINCO COISAS CHATAS DE COPA
1)Neguinho tocando corneta desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil;
2)Neguinho tocando corneta desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil e ainda por cima jogando rojão;
3)Galvão Bueno e seus comentários, Fátima Bernardes e seu cabelinho, ou seja, a cobertura sempre idiota da Globo;
4)O fato do país parar e se alienar de sua situação política, econômica, social, cultural e espiritual;
5)Neguinho pseudo-intelectual reclamando de que o país pára e isso é um absurdo porque o brasileiro se aliena de sua situação política, econômica, social, cultural e espiritual, e que tal fato não ocorre nos países dito civilizados ( tá bom, conta outra, hahahahaha).
CINCO COISAS LEGAIS DE COPA
1)Você comprar uma corneta e ficar tocando desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil;
2)Você pegar uma pedra e jogar em cima do neguinho da corneta e do rojão;
3)Assistir os jogos na opção "mudo"da TV ou anotar as besteiras do Galvão pra ter assunto na cerveja ou no seu blog;
4)Você reclamar que o país pára e blablabla, mas também parar, assistir , e tudo o mais;
5) Você reclamar, parar e continuar reclamando, tanto do Brasil, da Seleção, do Galvão, do Parreira, do Zagalo, mas continuar parando, assistindo e torcer pro Brasil e pra outras seleções, como o Togo ( coitados, perderam da Coréia ontem), comprando salgadinho Torcida, cervejinha, e rumo ao hexaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Sunday, June 11, 2006

Minha cabeça tá virando fumaça

O título diz tudo. Hoje acordei brava, falando, como se estivesse numa discussão, do "estreitamento lingüístico" ocorrido na tradução, quando da escrita dos Evangelhos ( ????) da experiência histórica vivida em aramaico ( ??) porque a koyné ( o grego geral, usado na época da Roma imperial) tinha menos verbos (????) que o aramaico. Ou seja, tô virando figurante da Santa Ceia, um horror.
Em verdade vos digo, caros leitores, que o negócio ficou feio pro meu lado. Sei que muitos, em contatos telefônicos, via msn, etcs, etcs, procuraram me acalmar e me mostrar que a situação não é tão trágica. Concordo que há situações muito piores no mundo, blablabla, mas a minha angústia não é existencial. Eu me alegro com cada manhã que nasce, com a comida na panela e com café com leite. Meu problema é político. As instituições públicas de ensino superior nesse país foram e estão sendo sucateadas, precisamos defendê-las da invasão bárbara dos cursinhos da vida, mas meus caros, precisamos também reconhecer que tais instituições são umas verdadeiras casas da mãe joana. Agência de fomento então nem se fala. A experiência que estou tendo, todo mundo tem, mas isso não significa aceitar a baixaria como regra. Vivemos situações absurdas, dignas do Castelo do Kafka, e beleza?
Por isso procede a sugestão de Dani, num comentário à última postagem. Precisamos criar um grupo terrorista, o Panda Power. Os integrantes do Panda Power, vestidos de panda, invadirão FAPESP, CNPq, reitorias, DAC, bandeijões, e distribuirão pirulitos para todos. Falando sério, a situação do pesquisador, do professor, do aluno, e também dos funcionários ( tem muito funcionário que trabalha para 57 colegas não trabalharem) tá preta.

Friday, June 09, 2006

Mais uma e não, NÃO ESTOU BEM

Enfim, desculpem os leitores, mas não, eu não estou bem. Não adianta disfarçar. Estou passando a segunda pior fase da minha vida.
Pra completar o quadro de horrores, decidi essa semana prestar um concurso pra professor substituto numa Universidade Federal. Liguei no departamento pra me informar, porque no edital pediam Graduação em História, e eu sou formada em Ciências Sociais. A mulher com uma má vontade de comover pedras me disse que muito provavelmente minha inscrição seria indeferida.
Os boletos desse mês chegaram e eu não tenho dinheiro. É, eu tenho 0,00 reais na conta. Escrevi prum professor de lá sondando, e ele me deu apoio pra prestar. Já outra professora me desencorajou totalmente.
Liguei novamente e falei com o chefe do departamento. Ele me informou que eu poderia fazer a inscrição pelo correio e sem procuração. Argumentei que isso não estava no edital, o cara falou, não, imagina, faça como eu estou falando.
Mandei tudo por SEDEX e comecei a estudar que nem uma louca os pontos do concurso. Hoje liguei novamente e mais uma vez a secretária do departamento atendeu. Moral da história: o SEDEX não chegou, e mesmo se tivesse chegado ela, ELA, sim, a senhora absoluta no departamento, não aceitaria minha inscrição.
Moral da história: o concurso era pra algum fiho da puta de lá, e era pra eu perder a inscrição mesmo. Não, eu não estou bem. Não, eu não estou achando o mundo lindo.

Thursday, June 08, 2006

NOTÍCIA BOMBÁSTICA

Quinta, 8 de junho de 2006, 08h44
Homem vestido de panda interrompe treino da Holanda

"Um torcedor vestido de urso panda invadiu nesta quinta-feira o treino da Holanda para a Copa 2006 no Badenova Stadion, em Freiburg. O treinamento foi aberto ao público.
O homem vestido de urso panda - com uma camisa laranja - pulou as arquibancadas e conseguiu ainda brincar com uma bola antes de ser contido pelo pessoal da segurança.
A Federação Holandesa de Futebol (KNVB, em inglês) comprovou que a iniciativa de oferecer um treino aberto aos espectadores foi um sucesso, com 23.500 torcedores assistindo aos trabalhos.
"Não esperava tantos espectadores no treino. Além disso, todos estavam animados, e a prática foi muito agradável", assegurou o técnico Marco van Basten. Por sua vez, o goleiro Edwin van der Sar, capitão do time, também agradeceu o apoio recebido."
fonte: site do Portal Terra
Questões para debate: se o cidadão estava vestido de urso panda, como vestia ao mesmo tempo a camisa laranjinha da esquadra batava? Como um panda brinca com uma bola? E o nome do técnico e do goleiro, parece piada do Monty Phyton, todo mundo na Holanda é van der Qualquer coisa?
Mas uma coisa é certa: HOLANDESES E DESCENDENTES AMAM OS URSOS-PANDA! E rumo ao hexa!!!!!!!!!!!!