Monday, January 07, 2008

Previsão do tempo

Eu tô pensando aqui que, às vezes, se relacionar é enfrentar condições metereológicas. Tem dia que sai lindo, o céu azul do bem querer, o sol do afeto, a brisa leve e gostosa da amizade fazem com que a gente ponha um vestido colorido e saia pra rua nem que for pra ver o vento nas folhas do viver.

Mas tem dia que ou os outros ou a gente estamos numa maré adversa, numa chuva de granizo da discórdia. Nem sempre chuva é problema; a água fertiliza a terra e não tem nada melhor que chuva fininha de carinho nas costas e o cinza das paixões físicas levadas ao seu término. Mas tem chuva de verão, aquela pancada de alegria que só a presença dos queridos traz, mesmo que rápido, e temporais, furacões, ciclones de desamor, de angústia, depressão e outros males d'alma.
Seria bom a gente ter uma previsão do tempo dos afetos da gente; você pegaria um jornal escrito só pra você e lá estaria escrito: Chefe- bom tempo com pancadas de chuva no decorrer do período, Namorado- tempo bom, com sol, temperatura mínima de 18 graus, Amigo, Amiga, Cachorro, Filho, Pai e Mãe, e assim por diante. Porque a maior parte das zicas com pessoas é que nem quando a gente sai de casa sem levar casaco e passa frio na rua, ou não leva guarda-chuva e além de se molhar inteiro ainda estraga o sapato bonito e o penteado- depois de dias de banho de creme e tentativas no espelho- por milagre, e pela Lei de Murphy, bem naquele dia, justamente naquele dia, que o ponto de ônibus que a gente tá não tem cobertura.

Seria necessário uma iniciativa nesse sentido. Depois de uma linda noite estrelada de amor, um amanhecer fabuloso de uma nova relação; ou depois daquela manhã nublada de mau humor, o sol, de novo o sol, sempre o sol do afeto, a nos aquecer e a nos guiar com ética e acerto de decisões. Eu tomei uma decisão: seja qual for o tempo agora, sairei com guarda-chuva, capinha e galochas, porque teve gente nos últimos dias que choveu demais.

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