Tuesday, December 18, 2007

Bolinha amarelinha

E como dizia a música antiga, Ana Maria olhou-se no espelho, e viu-se quase despida afinal...


A panda passará os festejos natalinos em outro estado, na casa de amiga antiga e queridíssima, que me presenteará com sua hospitalidade. A história começou com um papo no msn ( pra variar...). Ela me mostrava umas fotos de cachoeiras, de um passeio com a irmã fofa e uma amiga querida. Num momento de ousadia, confessei pra Ju que, nunca na minha vida, eu entrei numa cachoeira. Ela não acreditou, e eu confirmei.
Daí a Jujuba resolveu que ia me ajudar nesse negócio de cachoeira, e eu vou enfim conhecer o que é um jato de água fria nas costas, num lugar paradisíaco.
Exausta, cumpri algumas das minhas últimas obrigações profissionais, como entregar notas, documentos, apostila... andando pelo centro da cidade, a caminho do correio, vi uma loja de... moda praia.
Quando eu criança, e tenho fotos pra provar, tinha lindos biquínis, um de maçãzinha, outro Poésie ( gente, alguém aí tinha biquíni Poésie??????) verde-água, e maiôs transadíssimos, mas depois de mocinha, jovem e agora balzaquiana, com atividades de lazer quase nulas, passei anos sem biquínis. Um preto de senhora, comprado em Búzios, ficou filho único de mãe solteira durante anos, seguidos por outros, presentes da minha mãe, intocados, e dois do Carrefour que de vez em quando eu ponho pra fazer faxina e dar uns mergulhos na piscina do Clis.
Resolvi que o primeiro banho de cachoeira merecia um biquíni novo. Vi na vitrine um lindo, preto com florzinhas, e entrei. Mas uma multidão digna de filme bíblico estava lá dentro, mulheres histéricas atrás de pedaços de lycra menores do que lingerie.
Daí começou meu martírio. Cheguei pra uma das duas senhoras com cara de respeitáveis que atendiam, e timidamente perguntei se o da vitrine tinha no meu tamanho. A velhinha berrou, não minha filha, aquele ali só PP, tenho não pra você. No meio daquela zona, me acheguei na outra senhora e falei, mas o que vocês tem no meu tamanho? Ela também berrando ( gente, porque isso?), "ah, no tamanho seu só tenho um sutiã com bojo" ( gente, tem biquíni com bojo hoje em dia!) e me passou um sutiã que serviria perfeitamente pra Gina Lollobrigida em tempos idos ( eu sei gente, eu sou velha, fazer o quê?).
Claro que a velha Panda the Kid tá longe de ser uma musa do cinema italiano, mas vamos dizer, no quesito em que Jane Mansfield e Gina se tornaram célebres, não me faltam, digamos, exuberância de atributos. Peguei o transatlântico pink de bojo e entrei na cabine. Lógico que deu, mas eu ainda agüentei a nega entrando, apertando os laços e berrando, olha bem, pra você só esse tamanho e só tem esse, pra levantar sua comissão de frente.
Saí da cabine e de novo perguntei sobre estampas diferentes ( aquele pink era puro delírio). Ela sempre berrando ( gente, vendedora de biquíni tem problema de audição?) dizendo que não, que o meu tamanho era Extra Large Mega Ultra Plus Super. E eu, finalmente tendo uma reação, berrei de volta, então eu tenho que fazer uma cirurgia... de redução de peito!
Chutei quem tava na frente e, puta, me encaminhei pro correio. Resolvi pinimbas e, subindo a Moraes Salles, pensei, eu sei, tô gorda, velha, mas peralá. Eu sei que tenho um perfil, digamos, clássico, e lembrei de uma Vênus romana que vi em Chicago, que parecia eu pelada no espelho. Pronto, pensei que em 45 d.C, eu faria sucesso nas praias de Herculanum, e me acalmei.
Aqui perto de casa, tem uma loja de uma marca famosa de moda praia, que sempre namoro nas minhas idas e vindas. As vitrines, sempre atraentes, mostram coisas lindas, e meio caras. Há anos a gerente, uma perua típica campineira, me encara com desprezo e nem me atende, porque eu nunca compro nada. Eu, hoje, com um dinheirinho suado sobrando, só queria comprar um biquíni.
Outra multidão, agora de madames, adolescentes e suas mamães orgulhosas. Esperei pacientemente uns quarenta minutos pra ser atendida, e mal, por duas meninas perdidas em meio a tanta frescura e chiliques. A gerente me olhava como se eu fosse um ET. Nada pra mim. Vejo a senhora do lado com algo bonito, estampado em fundo lilás. Pedi o modelo, e me encaminhei pra cabine. A gerente, sádica, falou, ah minha filha, tem filinha, viu? De gente que obviamente, ela atendeu de forma gentil e prontamente enquanto eu era ignorada no balcão, gente que não demorou cinco minutos pra pegar um modelo.
Como uma lady, entrei na fila. O biquíni era tão bonito, que eu pensei, foda-se essa nega maldita ( diga-se que ela é feia também, coitada, parece assombração, eu fiquei com dó na verdade). A moça do caixa percebeu a situação e veio ao meu socorro, super doce. E o biquíni ficou tão lindo, que eu a princípio estranhei. Mas acabei me dando de presente, e toda garbosa, com a loja inteira me admirando, comprei o conjunto transadíssimo. Cheguei em casa e pus meu biquíni novo, e da sala pro quarto e do quarto pra sala, tava me achando a própria Brigitte Bardot!

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