Esses tempos, tenho travado conversas fundamentais pelo... msn. É incrível como uma joça que, na maior parte das vezes, serve pra perder tempo ou piorar neuroses ( o clássico "ele/a me bloqueou! Que farei?" ou "vou bloquear esse/a filha/o da puta") tá me servindo pra me compreender melhor, graças às pequenas pandas mestres jedi Danis.
De surtos com eventualidades do cotidiano até verdadeiras confissões d'alma, eu e Danis estamos num processo, eu diria, terapêutico no melhor sentido do termo. Ontem, por exemplo, uma conversa com elas detonou uma das maiores reflexões que eu já fiz sobre eu mesma.
Eu saquei, de uma vez por todas, que, como diria messer Leonardo da Vinci, meu olho abraça a beleza, e não larga mais. Eu preciso de beleza. Tenho uma visão de espaço urbano renascentista: bela cidade, belos pensamentos. Quando o lugar é feio, tacanho, eu vejo essa beleza nas pessoas. Eu crio grandiosidades, Duomos de Brunelleschi de sentimentos, de sonhos. O problema é que, por não ter consciência disso, eu queria construir Campos dei Miracoli, como os de Pisa ( um pedaço aí dele em cima, foto tirada de quando tirei uma soneca no gramado do Batistério), em meio a canaviais, que também tem sua beleza. Existe o belo no feio, no mesquinho, no submundo da histeria, da neurose, nas valas dos condenados pelas penas mais horrendas.
O problema é que sou míope e também tenho minha neurose, o que sempre acarreta uma restrição do olhar. E vivi muito tempo sozinha com essa característica. Acho que escolhi ser professora de História da Arte pra pôr pra fora o incansável desejo de beleza, de alegria e de sentimento que existe em mim tão fundo, desde cedo.
Por isso que eu tive grandes amores e grandes amizades, frustadas, nos feios prédios da Unicamp ( eu tinha que pôr beleza em algum lugar: pus nas pessoas, poderia ter posto na paisagem e escrito ou desenhado algo), e São Paulo pra mim é um enigma insolúvel: lá existe o belo e o horrendo, pessoas lindas que me fazem vibrar e pessoas horríveis que me fizeram sofrer muito. Mas tenho trabalhado no sentido de ver beleza nos prédios ( tô percebendo que meu lance com a Arquitetura, com o espaço físico, é muito fundo) e nas pessoas, em diferentes escalas. Tô aprendendo, graças às Danis, a ver beleza em mim, o único lugar onde eu acreditava que isso não existia, e dar vazão às minhas utopias nos lugares corretos. E hoje acordei feliz por ter percebido tudo isso, aliviada porque minhas grandiosidades podem ser trabalhadas, vividas, compartilhadas. Ah, ia me esquecendo: em Pisa não vi tanta beleza assim nas pessoas, tomada de um amor profundo pelo Campo dei Miracoli, confirmando a tese panda suscetível à Arquitetura, paisagem e amor pelos outros.

2 comments:
:D
Beijo, linda!
Beijo, fofaaaaaaaa!
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