Ontem eu tive uma avalanche no messenger. Eu confesso: sou meio viciada nesse trem. Trabalhando em casa, com as tarifas telefônicas impraticáveis, essa Praça é Nossa Virtual me faz conversar com gente muito querida, que está longe. Geralmente, falo sempre com as mesmas pessoas.
Mas ontem, como eu disse, entrou gente do aquém do além do universo, com as histórias mais preocupantes, tristes, alegres, de alívio, de dor. Enquanto um amigo singrava os céus do Brasil pra voltar pra Campinas, outra estava no calor de rachar do cerrado, e outro ainda do Rio mandava aquele abraço. Gente de todos os lugares, dando notícia, perguntando qual é a do dia, e nisso eu fiz a maior ginástica, consegui fazer o almoço e responder 12 pessoas ao mesmo tempo, e mais importante, sem queimar o arroz.
Hoje, eu preciso descansar de tudo isso, foi uma coisa doida. Lembrei de uma crônica bonita da Clarice Lispector, em que ela conta que conheceu de certa feita uma moça no dia que ela ia comprar seu enxoval. Depois de um tempo, ligando a televisão, descobriu que aquela moça meio insípida era uma grande pianista, vibrava o instrumento com grande perfeição de sentimento. Atarantada, Clarice ao pegar um copo d'água cruzou com o filho caçula, que lhe perguntou a razão do mau estar, e ao que ela disse que ia buscar um calmante, o filho respondeu: a senhora está tendo uma emoção! E Clarice chorou, mansamente.
Eu tive uma sensação parecida ontem. Não consegui dormir direito, acordei com uma grande dor de cabeça, e depois de ir buscar um pão percebi que precisava deitar, e como diz o Celo, processar a emoção. Senti muita tristeza, mas no final, pensei em coisas boas, fiz planos, e vi que quero pensar no futuro, nas inúmeras possibilidades do vir a ser. Nisso, fiquei tão feliz, pensei que o que importa é a vida que, dia após dia, dá cada rasteira na gente.

2 comments:
Coisinha, eu to aqui para te segurar quando vc cair.... Fica bem processenta... Te amo! Beijos..
Coisinha...
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